Tradição festiva da bênção dos campos voltou a ser revivida nos Carvalhais

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Tradição mantida desde 1973, precisamente há 44 anos, a Bênção dos Campos voltou a ser revivida no recinto da feira dos Carvalhais, em Oliveirinha, no 1.º de Maio, por iniciativa do Rancho Folclórico “Flores da Beira” de Travanca de São Tomé, numa parceria, que perdura há 16 anos, com o secretariado paroquial do Movimento da Mensagem de Fátima.

Como sempre tem sucedido, o pároco da freguesia de Oliveira do Conde, Pe. Álvaro Arede, presidiu a cerimónia religiosa, acompanhado por leitoras do Movimento da Mensagem de Fátima. A presença de populares voltou a ser numerosa, acomodados à sombra das duas maiores e mais antigas carvalhas ali existentes, aos quais se juntaram o presidente da Câmara Municipal de Carregal do Sal, Rogério Abrantes, e a vereadora Ana Cristina Borges, tendo até estes autarcas proferido algumas palavras de apreço pela tradição e pela quantidade de gente que mobiliza.

Após a recitação do Rosário, o pároco proferiu a habitual alocução, de admirável eloquência, em que lembrou que o dia 1 de Maio é tradicionalmente o dia da festa de São José Operário, salientando que José foi sempre um homem de trabalho e que os nazarenos se interrogavam se não era o seu filho, Jesus, que ouviam pregar e fazer milagres e ficavam admirados com a sua sabedoria e o seu poder. Ao referir que “é preciso santificarmo-nos no trabalho”, recordou que a deputada Maria José Nogueira Pinto, falecida em 2011, sabia assumir-se como católica, em todo o lado onde estivesse, tendo até confrontado os deputados de todas as bancadas na Assembleia da República com a defesa que faziam da justiça social, da solidariedade, da pobreza, dos indigentes e dos pobres, mas que, enquanto esteve

à frente da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, nunca encontrou nenhum dos colegas a pôr em prática aquilo de que tanto falavam, ou seja, como ela fazia, visitar os doentes, fazer higiene aos idosos, levar comida aos famintos, cuidar da limpeza dos domicílios e tratar da documentação exigida pelos serviços às pessoas com deficiência. Lembrou também a preocupação do Papa Francisco com os mais pobres, as crianças famintas e “muitos não têm mais do que um pedaço de pão para comer”.

Com aquelas reflexões, o sacerdote convidou os fiéis a pedir a protecção divina e a orar ao Senhor para conceder sempre abundantes colheitas da terra e afastar o flagelo do granizo e das tempestades, procedendo, então, à bênção dos campos, simbolizada com o aspergir de água benta.

Terminado o ritual religioso, foi vez de o Rancho Folclórico animar a parte recreativa da festa. A actuação entusiasmou a assistência, colhendo merecidos aplausos. Seguidamente, todos puderam recorrer aos serviços de bar e merenda que o rancho ali teve a funcionar durante a tarde, com sardinha assada na brasa, carne de porco grelhada, pão, bolos e bebidas. Foi tal a procura que não tardou que as sardinhas e a carne grelhada acabassem, o que diz bem da popularidade desta tradição.

Lino Dias

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