Farol da Nossa Terra – Balanço de mandato em entrevista a LEONEL GOUVEIA, presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão
quinta-feira, 17 agosto 2017

Política — Domingo, 6 Agosto 2017 — 0 Comentários

Balanço de mandato em entrevista a LEONEL GOUVEIA, presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão

Num breve balanço sobre o mandato prestes a expirar, é aqui publicada uma entrevista com Leonel Gouveia, presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão, baseada no essencial do actual contexto da actividade municipal.

ENTREVISTA

FNT (Farol da Nossa Terra) – Está a poucos meses do final do primeiro mandato. Que balanço global faz do mesmo?

leonel_gouveia.jpgLG (Leonel Gouveia) – Faço um balanço muito positivo do trabalho realizado. Como é do domínio público, encontrámos um município completamente falido, com uma dívida enorme, à banca e a fornecedores, com alguns destes fornecedores a ameaçarem cortar serviços essenciais, como os transportes escolares, as refeições escolares, entre muitos, com um parque de máquinas e viaturas totalmente destruído. Foram quatro anos muito difíceis, mas em que cumprimos aquilo a que nos propusemos. Reduzimos o endividamento em cerca de 5,6 milhões de euros, pagámos aos nossos fornecedores, reduzimos as despesas através de uma gestão rigorosa e transparente e, hoje, o município é novamente uma entidade credível perante as instituições e as gentes de Santa Comba Dão.

FNT – Isso limitou a acção do executivo em termos de desenvolvimento?

LG – Sim, mas não deixámos de realizar tudo o que era essencial. A nossa maior obra deste mandato foi termos conseguido superar uma situação dramática, do ponto de vista financeiro, que estrangulava completamente a própria gestão corrente do município e que nos obrigou a aderir a um Plano de Recuperação Financeira, que nos empurrou de forma obrigatória para ter impostos municipais no máximo. Vamos terminar agora este mandato saindo desse mecanismo, porque a situação financeira evoluiu de tal maneira positivamente que esse mecanismo deixou de ser obrigatório. Isto foi possível com muito trabalho deste Executivo e muito rigor na gestão e também com muitos sacrifícios dos Santacombadenses, é certo, mas valeu a pena, para se preparar o futuro.

FNT – Tendo essa prioridade, o Executivo só se limitou a regularizar a situação financeira?

LG – Não! Assegurámos todas as funções essenciais do município como, por exemplo, a educação, a protecção civil, as infraestruturas de saneamento básico, etc., e realizámos muitas pequenas obras por todo o concelho. Apenas a título de exemplo, requalificámos a ETAR de Santa Comba Dão, substituímos a cobertura da escola preparatória e realizámos a ligação do saneamento nos Amaínhos, em Treixedo. Mas, acima de tudo, preparámos o futuro. Definimos um plano estratégico para o desenvolvimento do concelho, que está já a ser concretizado.

FNT – Em que consiste esse plano?

LG – Consiste numa aposta muito forte no desenvolvimento do concelho alicerçado em dois eixos essenciais: a captação de empresas inovadoras alicerçadas nas novas tecnologias, que tragam mais postos de trabalhos, sobretudo em mão de obra qualificada, e uma grande aposta no turismo, algo que foi esquecido ao longo dos últimos anos.

FNT – A captação de empresas tem correspondido ao ambicionado incremento empresarial e industrial do município?

LG – Naturalmente, gostaríamos sempre que esse incremento fosse maior. Mas o nosso ponto de partida, pela situação que herdámos, não foi muito favorável. Mas estamos a recuperar bem.

FNT – Especificamente, o que está a ser concretizado a nível do referido plano estratégico?

LG – No caso da indústria, está em fase de conclusão uma fábrica que vai empregar numa primeira fase perto de cem trabalhadores, essencialmente mulheres e mão de obra qualificada. Mas outros projetos estão em negociação, prevendo-se que sejam uma realidade muito em breve. Há doze anos que não se instalava uma empresa em Santa Comba Dão. Relativamente ao turismo, muita coisa está a ser concluída. Além da requalificação urbana já iniciada, vamos brevemente requalificar a Ribeira das Hortas a jusante da Igreja, que inclui a requalificação da antiga central elétrica, o antigo lagar de azeite, os moínhos e a continuação dos passadiços em toda aquela zona. É um projecto já com financiamento assegurado e que permitirá transformar uma zona degradada num polo de atração turística. Além disso, dentro de dias vão iniciar-se as obras de construção da Unidade de Saúde de S. João de Areias, mais um moderno equipamento do município ao serviço da saúde naquela freguesia.

FNT – A requalificação da Ribeira das Hortas prevê que os repuxos junto à Câmara voltem a funcionar?

LG – É um assunto que estamos a estudar. Não é o problema dos repuxos em si, mas a possibilidade de darmos outro aproveitamento à Ribeira naquele local.

FNT – O tão falado Centro Interpretativo do Estado Novo tem cabimento nesse plano?

LG – Evidentemente que sim, e tem também financiamento já assegurado. Vamos requalificar a Escola Cantina Salazar, dando início ao Centro Interpretativo do Estado Novo, uma obra também de capital importância para Santa Comba Dão, há muito adiada. Mas o plano não se fica por aí. Em termos de turismo natureza, concluímos o projeto de ligação da ecopista à estação do caminho de ferro, que vamos agora colocar em concurso, a par da negociação com a empresa Infraestruturas de Portugal, que nos cedeu as casas de função na estação e também as instalações da estação de Treixedo, as quais permitirão fazer da ecopista um ponto de atracção de muitos visitantes, criando-lhes as condições para que deixem retorno económico ao concelho. Vamos requalificar o mercado municipal, transformando-o num moderno equipamento e potenciando a realização de outras valências. Vamos também transformar o Largo do Rossio num local aprazível, que será no futuro, a par do investimento privado que está a ser realizado naquele local, mais um motivo de desenvolvimento económico. Tudo isto será uma realidade em breve, pois o financiamento está assegurado.

FNT – Diz que tudo isso será uma realidade em breve. Dentro de que prazo?

LG – Os santacombadenses verão estes investimentos muito em breve. Mas também irão ver outros projectos estruturantes em que estamos também a trabalhar e que queremos concretizar tão cedo quanto possível. Refiro-me, por exemplo, à requalificação da Srª da Ribeira e à marginal do Granjal, dois locais de enorme potencial.

FNT – O que está previsto para esses locais?

LG – Na Srª da Ribeira, queremos continuar a dotá-la de melhores infraestruturas. Na marginal do Granjal, queremos requalificá-la, dotando-a de passadiços desde a Cota Máxima até ao Granjal e de uma ligação naquela povoação até à outra margem. Estamos a trabalhar neste projecto, para candidatá-lo a financiamento. Mesmo assim, não vamos esperar e vamos começar a dar-lhe corpo com os nossos meios. Em Nagozela há também locais maravilhosos junto à água e à ecopista, que hão-de ser em breve, em colaboração com a Junta de Freguesia, zonas balneares de qualidade.

FNT – Há, ou está prevista, resposta de alojamento para toda essa atracção turística?

LG – Sim. Por exemplo, no Rossio estão a ser requalificados edifícios para alojamento local de qualidade e outros projectos vão aparecer, quer próximos quer em outras zonas do concelho. Por exemplo, as casas de função da CP serão também transformadas em alojamento local.

FNT – Falou há uns tempos no parque da cidade. Esse projecto morreu?

LG – Não, pelo contrário, estamos já a adquirir terrenos junto à Ribeira das Hortas, desde a escola preparatória até ao espaço da feira semanal, nas duas margens. Será um local de excelência para a sua localização. Vai ser um espaço intergeracional para os Santacombadendes, assim como que para aqueles que visitam o nosso concelho.  Daí a inclusão do nosso município na Federação Portuguesa dos Caminhos de Santigo e na Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional Nº 2, que junta municípios desde Chaves até Faro.

FNT – Tendo as necessidades de apoio a nível associativo, no que toca à cultura e ao desporto, vindo a esbarrar nas limitações financeiras do município, há já condições para também acudir a essas necessidades?

LG – Temos apoiado na medida do possível as nossas associações, com particular atenção às nossas filarmónicas, aos nossos ranchos, ao Conservatório e aos grupos desportivos, instituições que, pela sua qualidade, levam bem longe o nome das suas freguesias e do nosso concelho. Também aqui estivemos atentos, mas sabemos que há outras necessidades, a que não deixaremos de dar a merecida resposta, até como reconhecimento do empenho e do voluntarismo com que os seus dirigentes contribuem para uma melhor vida das pessoas.

FNT – O protocolo já divulgado para o relvado sintético ressalva apoio às necessidades sentidas e justificadas por outras colectividades?

LG – O Grupo Desportivo Santacombadense tinha um financiamento do IPDJ de 50 mil euros, que perderia se o projecto não andasse. O Pinguinzinho é hoje uma escola de formação de jovens atletas das mais prestigiadas da região e até do país. Este equipamento era absolutamente indispensável à continuação do seu trabalho. O município comprometeu-se a transferir o valor das prestações do empréstimo que eles contrataram. Mas vamos procurar que seja encontrado financiamento para o resto da obra. Isto não colide com o apoio às outras situações.

FNT – Como vê a descentralização de competências da saúde para as autarquias?

LG – Parece-me bem. Por exemplo, se tivéssemos essa competência, já teríamos colocado um médico pago pela Câmara em S. João de Areias e ao serviço de fim-de-semana no Centro de Saúde.

FNT – A concluir, o que lhe apraz dizer?

LG – Para terminar, dizer que estamos orgulhosos do trabalho realizado e que, em colaboração com as freguesias, estão lançadas as sementes para um futuro mais risonho para os Santacombadenses, em especial os mais jovens, que, tal como o meu filho, foram obrigados a procurar outras paragens. Queremos um futuro melhor para os mais idosos, que vejam os netos crescer ao seu lado. Foi por isto que lutámos e é isso que nos vai fazer continuar a lutar.

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Lino Dias

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