Farol da Nossa Terra – Intercâmbio Cultural de Filarmónicas entre São João de Areias e Santa Bárbara – 7.º Dia em São João de Areias
quinta-feira, 17 agosto 2017

Filarmónicas — Sexta-feira, 11 Agosto 2017 — 0 Comentários

Intercâmbio Cultural de Filarmónicas entre São João de Areias e Santa Bárbara – 7.º Dia em São João de Areias

IMG_0064.JPG

Como que a marcar bem alto a série de passeios e visitas com que a Filarmónica de São João de Areias retribuiu o excelente acolhimento da Filarmónica de Santa Bárbara em terras da Ilha Terceira há dois anos, foi a Serra de Estrela, montanha mais alta de Portugal Continental, o destino do último passeio do intercâmbio cultural que decorreu em São João de Areias desde o passado dia 3.

O dia 9 de Agosto (quinta-feira) apresentou-se com tempo mais quente do que aquele que na véspera se desejava no convívio da praia fluvial de Góis, mas o vento que as previsões meteorológicas anunciaram para a serra fez-se, de facto, sentir e foram muitos os viajantes transportados de São João de Areias em dois autocarros que sentiram necessidade de se agasalhar um pouco mais.

Eram onze menos um quarto quando os autocarros chegaram ao Sabugueiro, cujos estabelecimentos, à beira da estrada, com venda de queijo, presunto, roupas de pele e de lã e outros produtos característicos da região, mais atraiu os Barbarenses, sobretudo na procura de recordações da serra para amigos e familiares que ficaram em Santa Bárbara. Após uma hora de entra e sai em estabelecimentos que vivem sobremodo do turismo, foi retomada a viagem até à Lagoa Comprida, a maior lagoa serrana, aproveitada desde o início do século passado para a produção de electricidade, o que a tornou numa das primeiras obras de engenharia desta natureza em Portugal.

Multiplicaram-se as manifestações de surpresa pela grandiosidade e beleza do paredão que suporta a água armazenada, com altura de 28 metros, e pela impressionante paisagem que se avista do passadiço superior daquele paredão. Houve quem se atrevesse a mergulhar nas suas águas, nadando até um dos rochedos mais próximos da margem.

Vencida outra etapa do passeio, os autocarros chegaram à Torre quinze minutos depois das treze horas, sem que a preocupante saída de fumo das traseiras de um deles tivesse causado algum atraso. Tratou-se logo do almoço, à base de sandes de carne panada e fruta da época, levado de São João de Areias, comido ao ar livre.

Foi também oportunidade para o historiador António Neves fazer uma interessante prelecção acerca da formação da Serra da Estrela, que remonta a 10 milhões de anos, e da origem do nome, atribuído ao facto de os povos em volta da serra, desde há seis mil anos, verem surgir por detrás dela a estrela Aldebaran, que simbolicamente marcaria o seu calendário anual, estando, por isso, todas as entradas dos dólmens viradas para o local do horizonte onde nasce essa estrela em fins de Abril/princípios de Maio, o que foi confirmado em 2010 por um astrónomo na região de Carregal do Sal, através dos vários monumentos megalíticos em bom estado de conservação e restauro ali existentes. Falou também da ligação dos Montes Hermínios a Viriato e salientou a enorme biodiversidade do Parque Natural da Serra da Estrela, que apresenta espécies estritamente endémicas.

O arrefecimento do motor do autocarro que libertava fumo em demasia não solucionou aquele problema e a respectiva empresa de camionagem fez deslocar da cidade da Guarda uma equipa de assistência técnica e um autocarro de substituição. Foi já nas Penhas da Saúde, no parque de um aglomerado de chalés e hotéis, que a substituição foi operada, depois de não ter resultado a intervenção dos mecânicos da assistência técnica. Temia-se mais, mas o atraso no regresso a São João de Areias foi apenas de uma hora, que se suportou sem grandes aborrecimentos, até porque deu mais tempo para se apreciar aquele aglomerado turístico e a paisagem que dali se avista nas vertentes da Covilhã.

Se a subida da serra deslumbrou as gentes de Santa Bárbara, a descida surpreendeu-as ainda mais pelo acentuado desnível da paisagem e pela melhor percepção da profundidade das ravinas e da imensidão montanhosa.

A noite, depois do jantar, foi vivida num misto de emoções… e não era para menos! A população, ciente disso, acorreu em grande número ao concerto de despedida, executado pelas duas bandas em conjunto nalgumas peças e em separado noutras. Foi precisamente numa peça em separado que a Banda Filarmónica de São João de Areias encerrou o concerto, surpreendendo a Filarmónica Recreio de Santa Bárbara com uma marcha dedicada aos seus 140 anos, que completa este ano. Além daquela surpresa, foi oferecida a esta Filarmónica a partitura daquela marcha, da autoria de Rui Alves, antigo maestro da banda de São João de Areias, para que passe a executá-la nos seus concertos. O maestro Pedro Carvalho cedeu a direcção da sua banda a Miguel Moutinho, maestro da outra banda, na execução daquela marcha.

Em todas as peças o público correspondeu com calorosos aplausos, sentindo-se neles o agradecimento e o carinho pela vinda dos Barbarenses a São João de Areias.

As palavras de circunstância, proferidas por Vítor Borges, presidente da Direcção da Filarmónica anfitriã; Pedro Leitão, pároco local; António Borges, presidente da Direcção da Filarmónica de Santa Bárbara; Serafim Rodrigues, presidente da Junta de Freguesia de São João de Areias; Leonel Gouveia, presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão; e Hélio Sousa, presidente da Junta de Freguesia de Santa Bárbara, realçaram as fortes relações de amizade entre as duas filarmónicas e gente de ambas as freguesias. Trocaram-se lembranças, envolvendo também a Casa do Povo de Santa Bárbara e o Centro Social e Paroquial de São João de Areias. Os agradecimentos do presidente da Direção estenderam-se, com toda a justiça, à Câmara Municipal, à Junta de Freguesia, às fãs da Filarmónica, a outros colaboradores, a patrocinadores, às pessoas que ofereceram produtos para as refeições e ao Centro Social e Paroquial.

Terminado o concerto, os abraços e os beijos da despedida acentuaram as emoções, sendo para a maioria das pessoas a última oportunidade de o fazerem, dado que os Barbarenses partiam bem cedo, às 07h00, para o aeroporto no dia seguinte, de regresso aos Açores.

.

Lino Dias

ÁLBUM DE FOTOS

ÁLBUM DE FOTOS

Deixe um Comentário


Cronistas
Agenda
Agenda completa
Comentários Recentes
Últimos comentários