Farol da Nossa Terra – Câmara Municipal de Carregal do Sal deu as boas vindas aos professores e premiou os melhores alunos
quarta-feira, 20 setembro 2017

Autarquias — Quarta-feira, 13 Setembro 2017 — 0 Comentários

Câmara Municipal de Carregal do Sal deu as boas vindas aos professores e premiou os melhores alunos

Cerimónia de recepção ao professor assinalou a abertura do ano lectivo 2017/2018 e premiou os melhores alunos do ano lectivo 2016/2017

Ausência da secretária de Estado da Educação deixou o director do Agrupamento de Escolas sem respostas

IMG_0001.JPG

Com tem vindo a acontecer há décadas em Carregal do Sal, a Câmara Municipal voltou a realizar, ontem, 12 de Setembro, a habitual cerimónia de abertura do novo ano lectivo e de entrega de prémios aos melhores alunos do ano lectivo transacto.

Alexandra Leitão, secretária de Estado Adjunta e da Educação, deveria marcar presença na cerimónia para falar sobre “Descentralização de Competências na Educação”, mas não pôde estar presente devido a circunstâncias imprevisíveis e inadiáveis, conforme justificou em comunicação que o vereador da Educação e vice-presidente da Câmara, José Sousa Batista, ali leu publicamente.

O auditório do Centro Cultural registou boa moldura de assistência, calculando-se que tenha ultrapassado duas centenas de presenças, na maioria professores, alunos, pais e familiares, assim como vereadores, presidentes de junta de freguesia, directores escolares, dirigentes associativos e alguns convidados, entre eles o Provedor do Munícipe, Artur Jorge Saraiva, e o director do Centro de Emprego de Tondela, Gonçalo Ginestal.

Na mesa de honra tomaram lugar Rogério Abrantes, presidente da Câmara Municipal, José Sousa Batista, vice-presidente e vereador da Educação, Jorge Gomes, presidente da Assembleia Municipal, Hermínio Marques, director do Agrupamento de Escolas, e António Nunes, docente na Universidade Lusófona do Porto, palestrante convidado. Cristina Lopes, técnica de comunicação do município, conduziu a cerimónia.

Coube ao presidente da Assembleia Municipal dar as boas-vindas, passando depois a realçar o papel relevante que a função docente desempenha na sociedade e nas comunidades. Felicitou os alunos premiados e deu os parabéns aos respectivos encarregados de educação. Aconselhou os alunos a prosseguir a valorização académica por ser “uma ferramenta indispensável” para o seu futuro e desejou-lhes que criem oportunidades e condições para virem a desenvolver a futura actividade profissional no concelho, de forma a contribuírem para a sua valorização e o seu desenvolvimento.

Várias vezes foi mencionada a ausência da secretária de Estado da Educação pelo director do Agrupamento de Escolas na sua palestra “Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal: Verdade(s) Pedagógica(s)” quando se referiu a verdades pedagógicas do seu agrupamento. Entre outras verdades, disse que o Agrupamento não se deixa condicionar por ser do Interior; é dos poucos agrupamentos portugueses que fazem parte da rede de escolas Unesco; os examos nacionais “para nós são apenas um acidente de percurso”, apesar de o Agrupamento ter ficado em 1.º lugar no ranking de Português do 12.º ano em 2011; tem duas turmas do 10.º ano  com “um aberrante” número de 29 alunos cada uma; houve dois jovens de 11 anos que pediram para trabalhar no refeitório pensando que ganhariam dinheiro para ajudar a matar a fome à sua família, situação que viria a ser resolvida pela Câmara Municipal.

Salientou Hermínio Marques que o trabalho colaborativo e o esforço empenhado na sala de aula traduzem “a verdade indiscutível” de que todos os alunos do 12.º entraram no ensino superior e na 1.ª opção. Frisou depois que não existem verdades absolutas em educação e muito menos fórmulas mágicas para o sucesso, entendendo que processos pedagógicos diferentes podem chegar aos mesmos resultados de sucesso e que talvez por isso “o nosso sistema educativo esteja sempre em constante mudança, com reformas e contra reformas, tentando encontrar a saída”. Terminou citando Paulo Freire: «Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.».

António Nunes, doutorado em Pedagogia, ao agradecer o convite da Câmara Municipal, agradeceu também à professora Maria da Piedade Alves por tê-lo trazido a Carregal do Sal pela segunda vez. “A Escola de Hoje: um espaço de sentidos, de reencontros e de incertezas” foi tema da sua palestra, começando por dizer que na educação há componentes que não são a mesma coisa, “não há simultaneidade na educação”. Há, sim, segundo disse, várias formas de ensino, diferenciação dos projectos de cada escola e das metodologias a aplicar, mas que resultam na mesma finalidade. Referiu que continuamos no mesmo modelo de escola dos finais do século XIX, mas os alunos do século XXI pensam de forma diferente. Apontou as novas tecnologias como instrumentos do presente e do futuro, assim como o inglês, colocando então a incerteza de que isso se mantenha no futuro, numa comparação com os tempos da língua romana e a perda do seu uso. Questionou se alguém imagina o que é o mundo daqui 70, 50 ou 30 anos para saber de que forma se deve preparar agora uma criança de 5 ou 7 anos de idade, concluindo que há conjunto de conhecimentos de que não se sabe se vão ser precisos. No entanto, anotou que “a cultura é que nos humaniza, é a escola que nos educa para a vida”.

Num outro passo da sua palestra, disse António Nunes que há coisas na educação que os professores têm de saber ganhá-las, adiantando: “Se não soubermos ganhá-las, são os alunos que perdem”. Numa alusão às dificuldades da profissão de professor, apontou o isolamento, a própria escola, como principal factor das dificuldades, aconselhando-os, então, a procurar outros espaços “para reflectir, para pensar, para decidir em grupo, para discutir as coisas da educação”. Disse até que os professores dos séculos 17, 18 e 19 foram “muito mais inteligentes” do que os deste tempo, “sem as coisas que existem agora”, a que juntou a seguinte observação: “Seguimos ainda a matriz de há cem anos, não arranjamos tempo para reflectir e reagir!”.

Seguiu-se a distinção aos melhores alunos do último ano escolar, num total de 31 estudantes do ensino regular e profissional. Os prémios de mérito foram entregues por José Sousa Batista a 14 alunos do 4.º ano, Hermínio Marques a 5 alunos do 6.º ano, António Nunes a 6 alunos do 9.º ano, Jorge Gomes a 3 alunos do 12.º ano profissional e Rogério Abrantes a 3 alunos do 12.º ano regular.

Último orador, o presidente da Câmara subordinou a sua intervenção ao tema “Assunção de Competências na Educação – visão autárquica”. Depois das palavras de saudação e apreço aos professores e alunos, afirmou que se lhe pedissem para identificar uma área de governação decisiva para o desenvolvimento de qualquer povo não teria dúvidas em indicar a Educação e que o mesmo faria em relação a uma área de governação mais sujeita a experiências na última década em Portugal. Centrou-se, então, naquilo que poderá vir a essa descentralização de competências, lembrando, no entanto, que ao longo dos anos os municípios têm vindo a ganhar algumas competências na Educação. Deu como exemplo os transportes escolares, as refeições escolares do 1.º ciclo e da educação pré-escolar e as atividades de enriquecimento curricular, e que as mesmas têm exigido esforços financeiros aos municípios que, muitas vezes, não têm condições de cumprir, condicionando a sua actuação governativa.

Frisou Rogério Abrantes que a aposta na Educação é uma das prioridades deste município, como ao longo dos tempos tem acontecido, e que melhorar “é e será sempre” o lema, mesmo sabendo que o desafio que poderá vir a ser colocado é exigente, mas que a vontade em o concretizar e operacionalizar “é real e concreta”. Acrescentou: “Antes do imenso desafio que poderá ser colocado aos municípios, o Governo tem um desafio de monta de saber criar e promover condições que nos permitam, a nós municípios, potenciar no terreno todas as vantagens que a assunção de competências poderá traduzir”.

À saída do Centro Cultural, os professores foram presenteados com uma lembrança da Câmara Municipal, seguindo-se um almoço convívio no refeitório da Escola Básica n.º 2, para todos os que estiveram presentes na cerimónia.

Lino Dias

Deixe um Comentário


Cronistas
Agenda
Agenda completa
Comentários Recentes
Últimos comentários