Rescaldo das eleições autárquicas

JOAQUIM JORGE *

Estas eleições autárquicas, depois da azáfama dos resultados mostraram que as coisas não foram bem assim.

Fernando Medina ganhou mas não tem maioria, nem no executivo nem na assembleia municipal. A reedição da dita “geringonça”, eu gosto mais da designação “maioria de esquerda”, agora em Lisboa.

No Porto, Rui Moreira venceu por maioria mas está coxo: não tem maioria na assembleia municipal, precisa de acordos. O presidente da assembleia municipal pode nem ser de Rui Moreira.

O seu discurso contra Rui Rio, a pessoa que o escolheu para ser seu sucessor mesmo contra o próprio partido, não é compreensível e pode passar a ideia de ingratidão.

Manuel Pizarro não teve um tão bom resultado como fez crer. O Porto é maioritariamente PS, deixa de o ser, quando razões mais altas se levantam. Se tivesse estado sempre na oposição como muitos socialistas pretendiam em 2013, as coisas poderiam ter sido bem diferentes.

Assunção Cristas teve um excepcional resultado, quase impensável. Culpa do PSD, em que houve uma transferência de votos do PSD para o CDS. Assunção Cristas libertou-se do “complexo de Édipo Feminino”. Assunção Cristas já pode não se sentir tão atraída pelo estilo e ideias do pai político Paulo Portas.

Com este resultado o PSD tem mesmo que mudar de vida ou esvazia-se de vez.

O que é significativo é passado, a intervenção de Pedro Passos Coelho pôr a hipótese de sair e não haver por parte de quem esteve sempre à sua volta vir em sua defesa, excepção de Paula Teixeira da Cruz.

A política é o espelho da nossa sociedade: falta de amizade, falta de solidariedade, ingratidão e respeito por um caminho comum percorrido.

Os mesmos do costume do PSD estão a ver para que lado vai cair o poder. Enfim!

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* Biólogo, fundador do Clube dos Pensadores

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