Carregal do Sal activou plano de emergência municipal

Devido aos incêndios que deflagram em diversas localidades do concelho de Carregal do Sal, o presidente da Câmara Municipal activou o Plano de Emergência Municipal às 07h30 da manhã desta segunda-feira, dia 16 de Outubro.

Em virtude das situações de evacuação impostas durante a noite, o Pavilhão Municipal foi aberto e está a funcionar como dispositivo de apoio logístico/alimentar necessário para apoio à população. Foi ainda disponibilizada uma linha de água nas piscinas municipais para abastecimento dos bombeiros.

Neste que está a ser “o pior dia do ano em matéria de incêndios florestais”, conforme disse hoje a porta-voz da Protecção Civil em comunicado à imprensa, Carregal do Sal contribui também para o trágico número de mortes registadas desde ontem (domingo) nos incêndios, estando confirmada a morte de um habitante de Papízios, que se  locomovia com alguma limitação desde que sofreu uma trombose.

De boca em boca, entre os populares, consta-se que também três pessoas de nacionalidade estrangeira terão perdido a vida dentro da viatura em que fugiam de um incêndio num concelho vizinho. A acompanhar a situação dos incêndios florestais no seu concelho, o presidente da Câmara, Rogério Abrantes, cerca da meio-dia ainda não tinha qualquer indicação de que esse incidente tivesse acontecido, assim como mostrou total desconhecimento de que tenha havido mais mortes.

Disse o autarca que a GNR está a fazer o levantamento das ocorrências nas diversas povoações e quintas do concelho para apuramento oficial de prejuízos e vítimas.

O quartel dos Bombeiros de Carregal do Sal acolheu grande número de pessoas que tiveram de abandonar as suas casas, de diversos concelhos, ameaçadas pelo fogo. Também o pavilhão da Escola Secundária foi disponibilizado para acolher pessoas na mesma situação.

Junto ao quartel, tem estado concentrado o Grupo Sanitário e de Apoio Lisboa 2, composto por 10 ambulâncias, 2 viaturas de comando e mais de 20 operacionais, em prevenção nas áreas da urgência pré-hospitalar e evacuação secundária, de forma a libertar as ambulâncias do próprio quartel no apoio directo ao combate dos incêndios. Por exemplo, durante a manhã de hoje, tiveram intervenção na evacuação de utentes de uma IPSS de Oliveira do Conde para instalações da Santa Casa da Misericórdia de Carregal do Sal.

Os serviços administrativos municipais não funcionaram hoje, assim como também não houve aulas nos estabelecimentos de ensino do concelho, por prevenção e para facultar aos funcionários a guarda dos seus bens, além das dificuldades encontradas na circulação do transporte de alunos.

O director do agrupamento de escolas, Hermínio Marques, chegou mesmo a publicar na sua página do facebook que as faltas no dia de hoje serão consideradas justificadas, “tendo em conta que muita gente está a passar uma noite de vigília temendo pela sua segurança e haveres”, vindo depois a comunicar que, dada a situação que se continua a viver no concelho de Carregal do Sal, nesta segunda-feira não haverá aulas no agrupamento de escolas.

Com as mais de 30 mortes nos incêndios activos desde ontem, são já cerca de uma centena as pessoas que perderam a vida nos últimos quatro meses nos fogos florestais em Portugal, incluindo as 64 mortes dos incêndios do passado mês de Junho.

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Lino Dias

3 Comments

  1. Concordo plenamente com com a ativação do Plano de Emergência Municipal. Não percebo que tenha sido às 07,30 horas de Segunda Feira, obviamente hora tardia. Digo isto porque o incêndio entrou no Concelho de Carregal do Sal, precisamente pela localidade do Sobral, com uma velocidade estonteante e um poder de destruição nunca vistos, cerca da 01,00 horas. Às 07,30 horas, já estava tudo destruido, e o mesmo já se tinha propagado a grande parte do concelho. Por esta hora certamente que já havia mais que informação para ativar de imediato o Plano de Emergência Municipal. Refiro ainda que até hoje ainda não vi nenhum GNR a fazer o levantamento de qualquer situação, tanto no meu caso, como no caso das duas quintas limitrofes. Nesta altura sugiro à Autarquia que, junto das Entidades competentes, providencie para que as comunicações, quando forem reparadas, tenham em linha de conta a fibra óptica, afinal somos todos portugueses e devemos ser tratados como tal.

  2. Nada tendo a haver com o concelho, aproveito a acha para me queixar do mesmo mal. Tenho (TINHA) três mil metros de pinhal e eucaliptal no concelho de Tondela que estão devidamente registados e sobre o qual pago o correspondente IMI (o montante é irrisório, mas não estou isento). Até ao dia de hoje ninguém me contatou sobre o assunto, e como a minha vida não permite idas semanais ao concelho, soube-o através de amigos e familiares afastados. Na aldeia da causa (Cortiçada) os prejuizos não foram maiores e a inexistência de perdas de vidas humanas, deve-se em muito à carolice de alguns (perdoem-me a expressão) “pacóvios” que vão mantendo em funcionamwento uma cisterna que pode ser acoplada a um trator, o que atenua o desenvolvimento. Onde não existe uma prevenção eficaz, todos ralham e … todos têm razão! Sou, e enquanto me continuarem a aceitar, continuarei a ser membro diretivo de uma assocuiação humanitária e tenho um descendente que trabalha oito horas diárias e no seu merecido descanso é requisitado para prestar serviço voluntário, mas acredito que humanamente é impossível fazer melhor com todos os constrangimentos atuais. Poupe-se no superfluo e nunca no essencial. A vida continua … é a altura ideal para se corrigir os erros de todos … e os nossos também!

  3. Não gostei de ver o senhor presidente com o “colete” vestido. Seria melhor ele estar com uma enxada ou uma machada na mão. No concelho onde habito e labuto também tenho um edil presidente (até é bombeiro) que gosta de aparecer na fotografia quando ardem os terrenos ou os bens dos outros … mas sinceramente, nunca o vi com uma agulheta no meio das chamas. Enfim ,,, estarei novamente a “descambar”! Ajudem-me a alterar o meu ponto de vista! Já agora deixem-me que vos diga … a oferta que tive (e não o coloquei à venda) pelo pinhal foi de … cento e cinquenta euros! Fortuna … agora que está queimado, pode ser que a madeira valha mais!

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