Concerto solidário de “Os Quatro e Meia” a favor de vítimas dos incêndios no concelho de Carregal do Sal rendeu 3500 euros

Mesmo com lotação reforçada por cadeiras amovíveis até perfazer 360 lugares, depressa esgotaram, com uma semana de antecedência, os bilhetes para o concerto solidário “P’rá Frente é Que é Carregal” que o sexteto “Os Quatro e Meia” apresentou no Centro Cultural de Carregal do Sal no sábado, 11 de Novembro, a favor da população do concelho afectada pelos incêndios florestais do passado mês de Outubro.

A ideia deste concerto solidário partiu de Sandra Seabra Campos, médica dentista de Cabanas de Viriato, que tomou a iniciativa de contactar Rui Marques, de Casal Mendo (Carregal do Sal), precisamente o elemento que deu o apodo de “Meia” ao nome daquela banda, devido à sua estatura e, como tal, tratado pelos colegas, carinhosamente, por “meia leca”. A partir desse contacto, Sandra Campos conseguiu que os “Quatro e Meia” acedessem a colaborar na ajuda a pessoas do concelho que perderam o seu meio de sustento.

Melhor palco não existia para o espectáculo do que o auditório do Centro Cultural e de imediato foi colocado à disposição pela Câmara Municipal, que também imprimiu os cartazes elaborados por um amigo da Sandra e vendeu parte dos bilhetes. Com venda repartida pelas associações de bombeiros de Carregal do Sal e de Cabanas de Viriato e pela associação de estudantes, as entradas, a preço de 10 euros, viriam a resultar numa receita de 3500 euros, cuja gestão ficou entregue aos serviços sociais do próprio município.

Além de Rui Marques (contrabaixo), engenheiro civil, a banda apresentou-se constituída por Ricardo Liz Almeida (voz e guitarra), médico, de Braga; Tiago Nogueira (voz e guitarra); médico, de Coimbra; Mário Ferreira (acordeão e voz), engenheiro informático, de Sertã; João Cristóvão Rodrigues (violino e bandolim), professor de música, de Coimbra; e Pedro Figueiredo (percussão), médico, da zona de Aveiro.

Não só o ambiente de grande intimidade que se gerou no auditório, os entusiásticos aplausos em cada música e a ovação final de pé foram reconhecimento do extraordinário concerto que os “Quatro e Meia“ rubricaram, como também a promessa do presidente da Câmara Municipal em trazer aquele grupo de novo ao Centro Cultural foi testemunho do agrado com que o concerto foi acolhido por uma plateia tão numerosa, unissonamente rendida à qualidade do espectáculo e à nobreza da solidariedade a que o grupo se associou.

A juntar à qualidade das novas sonoridades com que a banda trabalha a música portuguesa, também a forma descontraída de músicos com ligação às tunas académicas de Coimbra fez do espectáculo um momento único, que perdurará por muito tempo na memória de quem não perdeu a oportunidade de o apreciar. Ficou provado o motivo por que as músicas do disco “Pontos nos Is”, editado em finais de Junho, totalmente composto por temas inéditos, muitos deles ali apresentados, garantiram o primeiro lugar no top nacional à banda Quatro e Meia, destronando o disco “Excuse Me” de Salvador Sobral, que passou ao segundo lugar do top, depois de o liderar durante seis semanas.

AGRADECIMENTOS MERECIDOS E RECONHECIDOS

A banda “Os Quatro e Meia”, pela voz de Tiago Nogueira, dirigiu um “grande agradecimento” e os parabéns a quem esteve presente e fez parte daquela festa solidária, deixando votos de que nenhuma tragédia do género volte a acontecer. Disse ainda Tiago Nogueira: “Se todas estas coisas servirem para a prevenção, para não voltarmos a cometer os mesmos erros, então já terá sido extremamente válido este concerto”. Deixou também agradecimentos a entidades que colaboraram na sua deslocação a Carregal do Sal, tendo nomeado a Câmara Municipal, os Bombeiros Voluntários de Carregal do Sal, os Bombeiros Voluntários de Cabanas de Viriato, a Associação de Estudantes, a Casa do Zagão e a Quinta do Cabriz. O agradecimento a Sandra Campos coube a Rui Marques, que a referenciou como uma pessoa que conhece os “Quatro e Meia” há algum tempo e sabe como este grupo funciona. À medida que iam sendo feitos, todos os agradecimentos foram sublinhados com palmas do público.

No final do espectáculo, o agradecimento da autarquia foi feito por Rogério Abrantes, presidente da Câmara Municipal, dirigidos ao público por se ter associado ao objectivo do concerto. Referiu que foi ardida 60% da área do concelho, que é preciso “deitar mãos à obra” para iniciar uma nova reflorestação e uma floresta diferente daquela em que predominava o eucalipto dando como exemplo o pinheiro manso e o carvalho. Realçou que foi graças à “grande vontade” dos bombeiros de Carregal do Sal e de Cabanas de Viriato, dos socorristas da Cruz Vermelha de Oliveira do Conde e dos populares que se evitou “uma tragédia muito maior” no concelho. Por fim, agradeceu a participação dos “Quatro e Meia” naquela iniciativa solidária e prometeu que haverá outra oportunidade para voltarem a Carregal do Sal, realçando: “Adorámos o vosso concerto, penso que o público adorou o vosso concerto”. Uma forte ovação sublinhou aquelas palavras, confirmando o apreço que o espectáculo mereceu do público.

CÂMARA PAGA REPARAÇÃO DE CASAS ARDIDAS

Rogério Abrantes aproveitou para transmitir que a Câmara tinha aprovado, em reunião do dia anterior, uma verba de 60 mil euros para começar a reconstrução, em primeiro lugar, das casas de primeira habitação destruídas. Adiantou que as reparações até 5 mil euros podem ser já feitas, bastando apresentar a factura da reparação para que a Câmara proceda ao seu pagamento. Para reparações de valor maior, até 25 mil euros, é necessário apresentar três orçamentos, podendo de imediato ser executado o orçamento mais barato, que a Câmara pagará assim que a obra estiver concluída, mas nas reparações com valor superior a 25 mil euros o processo é mais exigente, devendo os interessados dirigir-se aos serviços da autarquia, por estar sujeito a “outras situações”, conforme esclareceu.

Como mote para o renascimento das cinzas, segundo dito ali pela vereadora Ana Cristina Borges, foi distribuído um carvalho de viveiro a cada pessoa, à saída do auditório, gesto que todos apreciaram e que reflecte a determinação da autarquia numa nova reflorestação da área ardida no concelho.

RESUMO DO PERCURSO DE “OS QUATRO E MEIA”

O aparecimento de “Os Quatro e Meia” deu-se em Maio de 2013 quando um grupo de amigos com gosto comum pela música se juntou para uma breve actuação num sarau de gala no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), em Coimbra.

Nessa noite, perante uma plateia com cerca de 500 pessoas, mostraram, pela primeira vez, ao público da cidade as suas sete primeiras peças originais, saindo acarinhados e aplaudidos fervorosamente.

Ao som de guitarra, contrabaixo, violino, acordeão, bandolim e percussão, os “Quatro e Meia” têm procurado, desde então, agregar o mais variado manancial de música portuguesa de qualidade, desde o estilo “pop-rock” até ao “fado”, numa tentativa de conferir novas sonoridades e olhares sobre algumas das mais belas canções criadas no nosso país.

Ainda nesse ano, o estreou-se na Casa da Música com o espectáculo “Acústico Como Sempre”, integrado na digressão “P’ra frente é que é Lisboa”, expressão que deu nome ao single de avanço do projecto “Os Quatro e Meia”.

Depois disso, o grupo tem percorrido os melhores palcos do país e o álbum “Pontos nos Is”, com temas inéditos (“Sentir o Sol”, “Chorinho”, “Meu Amigo, que Saudades de Te Ver”, “Baile de São Simão”, “Já Estou de Regresso, Amor”, “Não Respondo por Mim”, “P’rá Frente é Que é Lisboa”, “Pontos Nos Is”, “Se eu Pudesse Voltar”, “Um ‘Sim’ Para Regressar”), editado no dia 30 de Junho deste ano, dá uma real imagem do sucesso obtido em cada espectáculo.

Nessa senda de grande sucesso, tem já grandes concertos agendados para a Casa da Música (Porto) no próximo dia 13 de Dezembro, o Theatro Circo (Braga) dia 19 de Janeiro e o Convento de São Francisco (Coimbra) dia 26 de Janeiro.

Lino Dias

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