CLARIVIDENTES E CORAJOSOS

HÉLIO BERNARDO LOPES *

HÉLIO BERNARDO LOPES.jpg

.

Com espanto e agrado, foi como ontem pude escutar as clarividentes e corajosas considerações de Ana Drago e João Taborda da Gama ao redor do falso caso do Panteão Nacional. Quase não queria acreditar na explicação final de Ana Drago, tal era o alcance da mesma e o modo como explicou a responsabilidade da grande comunicação social, ao dar ampliação, sem filtro, às considerações sem nexo ao redor do caso do Panteão Nacional.

Infelizmente, Ana Drago já não pôde salientar – nunca o faria – a enorme responsabilidade da grande comunicação social pelo estado de alarme social que se vem criando desde os fogos de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos. A verdade é que as televisões estão hoje transformadas em fontes de emissão de espetáculos que possam prender a atenção das pessoas, sejam os mesmos conseguidos do modo que for e com as consequências que possam sobrevir para a comunidade e o que ainda resta da (dita) democracia.

A grande verdade, como já se percebeu, é que a legislação em vigor permite este tipo de realizações. Realizações que vêm tendo lugar desde há muito e por lugares culturais os mais diversos. Lamentavelmente, o Primeiro-Ministro e o Presidente da República, perante o debitado nas redes sociais, de pronto se deitaram a condenar o encontro do Panteão Nacional, ficando agora com uma desagradável batata quente nas mãos.

É simples perceber que o diploma da anterior Maioria-Governo-Presidente permite a realização deste tipo de eventos, indicando, para cada caso, o preço de jantares e de outros tipos de realizações sociais. Portanto, aquele terno político admitiu, naturalmente, que ali se poderiam realizar…jantares. Não, claro está, todo o tipo de jantares, fruto de poderem ser acompanhados de outras ações incompatíveis com a dignidade do lugar.

Felizmente, João Taborda da Gama e Ana Drago tiveram a coragem de expor a realidade de quanto esteve ali em jogo, apontando, ainda, a responsabilidade da grande comunicação social por não se ter determinado a usar a sua ação de filtro sobre as mil e uma bestialidades que varrem hoje as redes sociais.

.

 * Antigo professor e membro do Conselho Científico da Escola Superior da Polícia

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*