BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE BRAGA – 0302

TEIXEIRA DA SILVA  *

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Por uma mera opção pessoal, não me debruçarei sobre os bombeiros municipais, de que a cidade de Braga é um exemplo por possuir um corpo de bombeiros profissionais (os municipais)
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BRAGA é uma cidade desde o século 16 antes de Cristo e que se designava por Bracara Augusta. É a sede de um concelho (município), atualmente composto por trinta e sete freguesias, em cuja área total de 183,40 quilómetros quadrados, habitam em permanência (dados de 2011) quase cento oitenta um mil e quinhentos residentes de ambos os sexos, o que transporta à densidade populacional de 989,6 habitantes/quilómetro quadrado. O concelho tem como orago o São Geraldo. 
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ASSOCIAÇÃO HUMANITÁRIA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE BRAGA é o corpo de bombeiros voluntários que presta serviço em toda a zona urbana e nas freguesias limítrofes no que a socorro à população e emergência médica diz respeito. O seu espólio é de cerca de vinte viaturas se considerarmos toda a tipologia existente e o seu quadro de sessenta bombeiros (homens e mulheres) no ativo. O seu quartel/sede, em nossos dias, localiza-se no largo Paulo Osório.
A fundação oficial desta corporação humanitária aconteceu em 18 de março de 1877. Com efeito, a cidade bracarense terá sofrido um dos maiores incêndios de que há memória, em 15 de abril de 1866. A Biblioteca local – que fora criada no ano de 1842 – e que tinha à sua guarda os espólios de vários mosteiros, como Tibães, Rendufe, Landim, Vilar de Frades, Bouro, Basto e tantos outros da região, incluindo o arquivo pertença do Cartório da Misericórdia, ficou praticamente toda destruída, afora uma pequena parte na ala sul. Logicamente terá sido uma perda de valor incalculável e os habitantes de então sentiram-na perfeitamente. Todos os que se encontravam válidos terão ocorrido ao incêndio munidos de vasilhames e ferramentas, tais como baldes, potes, enxadas, sentido-se completamente impotentes perante tamanha desgraça; logo ali surgiu a ideia de se formar uma corporação de voluntários que acorressem a estas calamidades e devidamente apetrechados com material apropriado e que tivessem os conhecimentos mínimos para a tarefa.   
Terá sido esta tragédia o motivo principal (não me atrevo a dizer que único) para que ultrapassadas todas as dificuldades e burocracias, normais à época, um grupo de ilustres bracarenses não sossegou enquanto não foi conseguido um local para o pseudo quartel, algum material rudimentar e o pouco fardamento. Uma recém formada comissão instaladora anunciou, precisamente, em 18 de março de 1877, a criação de um corpo de bombeiros voluntários, entregando ao Governador Civil de Braga os primeiros estatutos para serem submetidos à aprovação. Tinha nascido a “REAL ASSOCIAÇÃO DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE BRAGA”.
A primeira sede foi num imóvel situado na Rua Nova de Sousa que, à época” pertencia à “Companhia Carris de Braga”, sendo indigitado para primeiro comandante o ilustre doutor José Borges de Faria, que veio a ser o progenitor dos heróis que ficaram sendo conhecidos pelos “Irmãos Roby”. A associação terá depois andado em bolandas, até ficar instalada num prédio junto da Catedral, onde permaneceu por vários anos, o que fez com que muitos bracarenses, ainda hoje, chamem à associação os “Bombeiros da Sé”. Com o fim da monarquia, foi abolido o vocábulo “Real” à associação, mantendo-se o resto da designação.
No ano de 1927 e uma vez que se procedeu a uma alteração estatual, à designação oficial foi acrescentada a qualificação de “Beneficiente”, por à época, as instituições com este caráter terem algumas benesses em termos fiscais, ficando a sua designação tal e qual se mantem na atualidade “ASSOCIAÇÃO HUMANITÁRIA E BENEFICIENTE DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE BRAGA”.
Com o passar dos anos e atendendo à aquisição de algum material pesado, nomeadamente uma moderna moto bomba, as instalações na Sé tornaram-se exíguas, o que fez nascer um novo desafio, a construção urgente de um novo quartel espaçoso e operacional que representasse o espelho da associação. Não foi uma tarefa fácil, mas a vontade e a tenacidade de bombeiros (com e sem farda) ultrapassaram todos os engulhos e através de … tômbolas, sorteios, peditórios, concertos e demais iniciativas, o sonho concretizou-se.
No dia 27 de março de 1977, por ocasião do centenário, foi solenemente inaugurado o novo quartel (seja o atual), que na altura foi considerado majestoso, mas que em nossos dias já se pensa em ampliá-lo para que todas as viaturas possam ter um teto coberto e não fiquem ao luar no largo público.
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(Baseado em informações colhidas junto da própria associação e em publicações dispersas reunidas pelo autor) 
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* Gondomar, Porto, Portugal

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