PROFESSORES: análise do acordo de princípio com o Governo

JOAQUIM JORGE *

Os professores têm um estatuto; deve e tem que ser respeitado. Não há dinheiro, faça-se faseadamente ou então rasgue-se o estatuto da carreira docente e outras pessoas que ensinem os filhos dos portugueses.

A inveja dos professores irem ganhar o que sempre esteve acordado. Detesto ser português por esta e outras razões. Que culpa têm os professores de serem mais de 100.000? Um euro de aumento são mais de 100.000 euros. Já pensaram nisso? Tem que haver professores de Português, Matemática, Biologia, História, Educação Física, etc. São muitos? Pois são, mas só assim o ensino é diversificado e capaz.

Em relação aos professores, a mim não me interessa que as reivindicações sejam lideradas por Mário Nogueira ou por outra pessoa qualquer, do PSD, do CDS, do BE. Se for justo, apoio. Sou a favor de um ensino público de qualidade. Para isso tem que ter meios e pessoal docente e não docente competentes.

Um professor não pede nada ao Estado, paga impostos como qualquer cidadão. Não posso aceitar a mentalidade que os privados pagam aos públicos. Todos pagamos impostos (ou deveria ser assim). Miguel Sousa Tavares afirma que todos nós vamos pagar aos professores. E todos nós não pagamos de uma forma ou de outra para a SIC existir? Audiências, televisão por cabo, subsídios dados pelo Estado, entre outros.

A maioria dos privados toda a vida fugiu aos impostos. Porque será? Amigos meus com pequenas empresas sempre a apresentar prejuízo e sempre a comprar grandes carros. Uma vergonha! Outros recebem dinheiro por fora e têm carro da firma e prémios chorudos.

Os professores para o serem, foram devidamente avaliados, José Miguel Júdice! Há maus e bons professores, como em todas as profissões. Há advogados muito maus, que até inflacionaram o número de processos e tiveram que devolver o dinheiro ao Estado, no tempo da ministra Paula Teixeira da Cruz.

Eu não aceito que uma escola seja dirigida, como uma empresa, com planos meritocráticos.

A autonomia de um professor é nula, não escolhe os manuais escolares, não escolhe os alunos, não escolhe os pais, só muito tarde é que consegue leccionar na escola elegida. Para dar notas, no conselho de turma, o professor propõe a sua nota que pode ser alterada pelos restantes professores. Tudo é questionado, a falta de autoridade e credibilidade é posta em causa por tudo e por todos. Já não chegava a exclusividade desta profissão escrutinada por toda a gente, desde pais, colegas da escola, alunos, restante intervenientes escolares e ministério. Digam-me uma profissão, no funcionalismo público que já tenha tanto controlo por via directa e indirecta?

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* Biólogo,  fundador do Clube dos Pensadores

1 Comment

  1. Parabéns Joaquim Jorge. Excelente artigo, melhor que o do Bloco e o dos sindicalistas acerca das reivindicações dos professores. Nesta matéria a “geringonça” falhou redondamente. Se Joaquim Jorge é um homem do centro-direita, António Costa é de direita. O posicionamento político à esquerda e à direita mede-se pelas opiniões formuladas e pelas acções tomadas não pelo preconceito ideológico que se tem em relação às pessoas.

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