Banda Filarmónica de São João de Areias voltou a desfilar em Lisboa nas Comemorações do 1.º de Dezembro

O orgulho com que a Banda Filarmónica de São João de Areias participou no ano passado nas comemorações do 1.º de Dezembro, dia da Restauração da Independência Nacional, em Lisboa, foi renovado este ano com grande entusiasmo, desde logo pelas boas condições do tempo, agora sem chuva e com o sol a dar mais brilho ao desfile na Avenida da Liberdade.

Além do autocarro cedido pela Câmara Municipal de Santa Comba Dão para transporte dos músicos e seus instrumentos, também desta vez um outro autocarro foi alugado, em excursão organizada, para transporte de meia centena de amigos e fãs que habitualmente acompanham a banda nas suas deslocações especiais.

Os dois autocarros saíram de São João de Areias pelas 08h30 e fizeram duas paragens pelo caminho. A primeira aconteceu na área de serviço de Leiria, para compor o estômago e as necessidades fisiológicas, e a outra junto ao Aeroporto da Portela, para ver os aviões a aterrar e a levantar voo, em local pertinho das pistas. Foi também ali que compareceram alguns músicos da banda, deslocando-se propositadamente de Évora, onde estão a estudar.

A chegada à Avenida da Liberdade, onde os autocarros tinham espaço de estacionamento reservado, deu-se às 13h15, altura em que a organização fez a entrega dos farnéis de almoço dos músicos. Não tardou a comparência de outros músicos da banda, estudantes em Lisboa, o mesmo sucedendo com Marta Fagundes, da Banda Filarmónica de Santa Bárbara (lha Terceira, Açores), com a qual a Filarmónica de São João de Areias tem relações estreitas de intercâmbio e amizades.

Como todas as outras bandas, foi por ali que a maioria dos viajantes almoçaram, com farnel da organização e com farnel levado de casa, enquanto outros optaram por fazê-lo em restaurantes mais próximos. Não havia tempo a perder, porque o alinhamento do desfile era rigoroso, e às 14h30 todos os músicos estavam a postos na concentração junto ao Monumento aos Mortos da Grande Guerra (frente ao Cinema S. Jorge).

Iniciado meia hora depois, o desfile teve a participação de 1 grupo de percussão (Tocá Rufar, do Seixal), de 1 banda nacional (Banda da Armada) e de 32 bandas filarmónicas, assim ordenadas: Banda Musical de Figueiredo (Arouca); Filarmónica 1º de Janeiro de Castro Verde; Banda Filarmónica União Mourense (Moura); Banda de Música da Carvalheira (Terras de Bouro); Filarmónica Retaxense (Castelo Branco); Banda da Covilhã; Filarmónica Oleirense (Oleiros); Filarmónica de Aldeia de João Pires (Penamacor); Filarmónica Pedroguense (Sertã); Filarmónica Fratelense (Vila Velha de Ródão); Filarmónica do Alqueidão (Figueira da Foz); Filarmónica de Abrunheira (Montemor-o-Velho); Filarmónica Sangianense (Oliveira do Hospital); Filarmónica da Casa do Povo de Lavre (Montemor-o-Novo); Filarmónica Portimonense (Portimão); Sociedade Musical Loriguense (Seia); Filarmónica Avelarense (Ansião); Sociedade Musical de Santa Margarida do Arrabal (Leiria); Filarmónica Pedroguense (Pedrógão Grande); Associação Musical Lourinhanense (Lourinhã); Escola de Música da Juventude de Mafra; Banda Juvenil do Município de Gavião; Sociedade Musical Nisense (Nisa); Sociedade Musical Alegretense (Portalegre); Filarmónica de Crestuma (Gaia); Filarmónica Gualdim Pais (Tomar); Filarmónica Matos Galamba (Alcácer do Sal); Banda Municipal do Barreiro; Banda Nova de Barroselas  (Viana do Castelo); Banda de Tarouquela e Municipal de Cinfães; Banda de São Cipriano “A Nova” (Resende); Filarmónica de São João de Areias (Santa Comba Dão). No respeitante a distritos, uma 1 é de Aveiro, 2 de Beja, 1 de Braga, 5 de Castelo Branco, 3 de Coimbra, 1 de Évora, 1 de Faro, 1 da Guarda, 3 de Leiria, 2 de Lisboa, 3 de Portalegre, 1 do Porto, 1 de Santarém, 2 de Setúbal, 1 de Viana do Castelo e 3 de Viseu.

O desfile das bandas filarmónicas obedeceu à ordem alfabética dos distritos e concelhos respectivos, alinhando depois do grupo Tocá Rufar e da Banda da Armada. Cada banda tocou tema distinto, partindo com intervalo suficiente para que o som de umas não se sobrepusesse ao som das outras.

Depois de reunidas na Praça dos Restauradores, onde o Presidente da República também marcou presença, cumpriu-se um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos incêndios deste ano. Após o discurso de José Ribeiro e Castro, fundador do Movimento 1.º de Dezembro, foram tocados em conjunto por todas as bandas o Hino da Restauração, o Hino Maria da Fonte e o Hino Nacional, numa apoteose final de mais de 1700 músicos, sob direcção do capitão-tenente Délio Gonçalves, maestro da Banda da Armada.

A banda de São João de Areias foi das que mais atenções colheram, tanto na reportagem da RTP, que incluiu uma atenção especial à existência do seu grupo de fãs, como nos aplausos das centenas de pessoas espalhadas ao longo da avenida e nas felicitações pessoais que o Presidente da República lhe concedeu no final dos hinos. Depois disso, toda a gente desmobilizou e foram-se criando grupos de algumas bandas a tocar animadamente pela avenida enquanto se dirigiam aos respectivos autocarros.

Criado em 2012, sob liderança do Ribeiro e Castro, advogado, ex-líder do CDS, o Movimento 1.º de Dezembro teve como objectivo responder ao inconformismo nacional da eliminação do feriado do dia 1 de Dezembro, naquele ano, e defender a sua reposição, a qual veio a acontecer em 2016. No seu discurso deste ano, disse Ribeiro e Castro que esta foi provavelmente a última participação do Movimento 1.º de Dezembro nas cerimónias do Dia da Restauração da Independência Nacional, considerando que, decorridos cinco anos sobre o seu aparecimento, aquele movimento sente que está cumprido e esgotado o objectivo da reposição do feriado.

Ao lançar a ideia do desfile das bandas filarmónicas, o Movimento 1.º de Dezembro mobilizou, por todo o país, os seus delegados, a Confederação Musical Portuguesa, as diferentes bandas e respectivos municípios, pretendendo que o desfile seja também uma homenagem a esta prática musical, com mais de 200 anos, por continuar a desempenhar, um pouco por todo o país, um importante papel na formação cívica e musical de crianças e jovens. O apoio da Câmara Municipal de Lisboa e da EGEAC, empresa municipal que dinamiza a actividade cultural de Lisboa, tem sido crucial para o sucesso obtido nas seis edições do desfile.

DEPOIMENTOS

Depois do “dever cumprido”, foram solicitados alguns depoimentos sobre o sentimento e a importância deste novo desfile da banda em Lisboa. Responderam:

– “É um acontecimento único, tanto para nós como para quem nos acompanha! Já é o segundo ano, mas não poderíamos perder oportunidades como esta de vir a Lisboa desfilar com a nossa banda e mostrar o nosso valor na principal avenida da capital do nosso país, com tanta gente a assistir”. (Vítor Borges, presidente da Direcção da Filarmónica)

– “Primeiro, é um evento diferente dos serviços que a banda faz e, depois, é também um evento maravilhoso. É o segundo ano que aqui vimos e isso é também importante para a divulgação da nossa Filarmónica, da freguesia de São João de Areias e do concelho de Santa Comba Dão. Pessoalmente, não deixa de ser um orgulho para mim desfilar nesta avenida, sentindo também o orgulho de quem nos acompanhou e dos conterrâneos aqui residentes que vieram ver a nossa banda desfilar. Foi muito bom!”. (Pedro Carvalho, maestro)

– “É bastante importante a nossa vinda aqui. Primeiro é um objectivo e depois é um convite que nem todas as bandas recebem. Quando nos contactaram da RTP para fazerem o alinhamento de reportagem, falámos também do intercâmbio que fizemos nos Açores, da presença da Marta aqui connosco, de todas as nossas saídas, da ida aos EUA e a França, daquilo que temos feito, da apresentação do livro dos 140 anos, do nosso monumento e do grupo de fãs. Acharam interessantíssimo termos um grupo de fãs que nos acompanha para todo o lado e que nos ajuda. Nós achámos que, apesar dos encargos da nossa vinda cá, era um orgulho voltarmos aqui e, ainda por cima, fechar o desfile, o que nos deu outra responsabilidade, por estar toda a gente à nossa espera. Estar aqui é muito importante para nós, tivemos aí muitas pessoas da nossa terra que vivem em Lisboa e que nos vieram acarinhar e assim mostrar também orgulho de aqui termos desfilado. Tudo isso foi muito importante para nós estarmos aqui hoje!”. (Sérgio Tavares, tesoureiro da Filarmónica)

– “Foi giro, nunca imaginei desfilar aqui. Estarmos longe de casa é um bocado difícil e então receber o carinho de outras pessoas é bom. Foi assim que me senti neste reencontro com a banda de São João de Areias e agradeço o convite para aqui estar”. (Marta Fagundes, executante da Filarmónica Recreio de Santa Bárbara)

Lino Dias

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