PLANO MUNICIPAL PARA A JUVENTUDE

JOSÉ PEDRO GOMES *

 

Herança para o futuro

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No contexto actual, porventura em mudança disruptiva, os jovens enfrentam muitas ameaças, mas também muitos desafios, num futuro incerto que os atinge particularmente. Neste quadro, importa que o poder central e o local potenciem as condições que permitam a afirmação dos jovens na escola, no mercado de trabalho e na sociedade. É cada vez mais premente a exigência de políticas de juventude, também no domínio municipal.

O programa “Viseu Primeiro” para o quadriénio 2017-2021 é muito curto a esse nível. Temos pena de o dizer e até esperamos que tenha havido contributos válidos a esse nível, durante o período de consulta pública. Podemos dizer que é um programa com respostas para alguns problemas do presente. Mas, no que diz respeito à juventude viseense, não cria as bases para um município de futuro. Um município que olha para os seus jovens, quer entendê-los, quer estar próximo, quer criar oportunidades.

Por curiosidade, apreciámos o programa “Viseu Primeiro” e concluímos que a palavra ”futuro” surge apenas 1 vez e a palavra “juventude”, 0.

É evidente que existem políticas transversais com impacto nas condições da juventude. No entanto, nós consideramos que o tema da juventude merece estar isolado dos outros, no sentido de se vincarem alguns princípios e ideias fundamentais: participação na vida local, empoderamento da juventude, emancipação, coesão social e mobilidade. Estes princípios e ideias têm que ser estimulados e isso só se consegue com um investimento claro, providenciando condições, competências, capacitação em termos de infraestruturas e equipamentos e actividades.

Com base nestes pressupostos, sugerimos ao executivo camarário que reflicta sobre a preparação do que considerámos chamar de “Plano Municipal para a Juventude”. Um plano que nos guie para o futuro com objectivos definidos, e que seja o culminar de um processo de debate com a sociedade, com as escolas, com as associações, com as empresas. Esse processo pode acontecer com a criação de um Fórum da Juventude e de um Observatório para as políticas de juventude, chamando todos para esta ideia.

Portanto, antes de uma intervenção dirigida a alguns focos e alguns problemas, consideramos prioritário lançar uma estratégia global, coerente e de longo prazo. No fundo, uma estratégia para funcionar a sério e que cumpra 2 coisas fundamentais: que nos permita fazer o levantamento sério dos problemas e das necessidades dos jovens e que represente verdadeiramente o reconhecimento do valor da juventude na construção e transformação do concelho.

Os Vereadores do PS estão disponíveis para este trabalho e para este desígnio. Se o executivo camarário acolher esta ideia, cá estaremos para auxiliar no que for necessário.

A política, tal como a vida pública, vive muitas vezes de sinais. De estímulos. De incentivos.

Este era um sinal que podíamos dar em conjunto pelo futuro dos jovens viseenses. Para daqui a 10 anos, mais do que sinais, podermos dar as oportunidades que eles não têm encontrado por cá. Essa seria uma grande herança que deixaríamos para o futuro.

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* Vereador do PS na CMV

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