Livro «Aristides de Sousa Mendes – Memórias de um neto» apresentado na casa do cônsul de Cabanas de Viriato

Num misto de evocação da áurea de outros tempos e da decadência que chegou aos nossos dias, a Casa do Passal, antiga residência de Aristides de Sousa Mendes em Cabanas de Viriato, foi o cenário perfeito para a apresentação da obra «Aristides de Sousa Mendes – Memórias de um neto», de António Moncada Sousa Mendes, um dos 39 netos do cônsul que ficou conhecido para a história como o diplomata que desobedeceu a ordens de Salazar para salvar a vida de dezenas de milhares de refugiados das perseguições da II Guerra Mundial.

Depois de ter autografado os livros que dezenas de pessoas ali adquiriram na tarde do último sábado, 23 de Dezembro, o autor brindou-as com um interessante depoimento acerca da obra onde desvenda o lado pessoal do avô e da família e faz luz de aspectos pouco conhecidos do acto corajoso do diplomata que salvou milhares de inocentes, movido pela inspiração e nobreza dos seu sentimentos. Foi também com orgulho que ali exibiu o reconhecimento que a Unesco atribuiu ao seu livro ao inscrevê-lo na Memória do Mundo, programa que protege e promove o património documental mundial através da conservação e do acesso de documentos detentores de um valor que transcende as fronteiras, as épocas e as culturas.

Fizeram-lhe companhia na mesa de honra Angela Sousa Mendes, filha mais nova, Rogério Abrantes, presidente da Câmara Municipal de Carregal do Sal, e Luís Fidalgo, membro do Conselho de Administração da Fundação Aristides de Sousa Mendes. Entre a assistência encontravam-se Jorge Gomes, presidente da Assembleia Municipal, José Batista, vice-presidente da Câmara, Elisa Flores, juíza do Julgado de Paz, Frederica Jordão, membro do Conselho Geral da Fundação Aristides de Sousa Mendes, e as professoras Dores do Carmo e Josefa Reis, da equipa do projecto Unesco do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal, colaboradoras na organização da cerimónia desta apresentação do livro.

No uso da palavra, António Moncada disse que nunca pensou em escrever este livro, embora reagisse a vários artigos de jornais e a comentários, preferindo deixar para os outros esse trabalho, mas há dois anos, “quase desesperadamente”, como disse, uma escritora brasileira e a sua editora propuseram-lhe que o escrevesse, garantindo a editora que o publicaria. Como explicou, verteu ali muitas das suas recordações do avô e da família. Foi com natural emoção que também descreveu como, em criança, era a casa do avô e o que dela conheceu.

Na sua intervenção, o presidente da Câmara deu conhecimento da situação do processo da segunda fase da requalificação da Casa do Passal, referindo que surgiu a reclamação do concorrente eliminado do concurso de ideias, mas que isso não fez com que o processo parasse, uma vez que a Câmara decidiu avançar e deixar que esse concorrente seguisse para tribunal, até porque, segundo deu a saber, o prazo de reclamação já foi ultrapassado. Descreveu os trâmites seguintes e apontou que em Março ou Abril do próximo ano, se tudo correr bem, o projecto estará concluído e será lançado o concurso internacional, contando assim que a obra seja iniciada em Novembro de 2018 e inaugurada em finais de 2019. Rogério Abrantes acrescentou: «Espero que não haja mais entraves pelo caminho, pois o nosso interesse é construir o mais rapidamente possível, tratando-se de uma obra que tem interesse para Cabanas de Viriato, tem interesse para o concelho, e, portanto, é daquelas obras em que a Câmara Municipal está de alma e coração».

Na sua intervenção, Luís Fidalgo fez também referência ao livro de vistos passados por Aristides de Sousa Mendes no Consulado de Bordéus, que se encontra no Ministério dos Negócios Estrangeiros e foi  recentemente inscrito e classificado pela UNESCO como sendo um dos valores da Humanidade e das “Memórias do Mundo”,  considerando-o um orgulho para todos os que estão ligados à terra de Aristides de Sousa Mendes. Ao terminar, agradeceu as presenças e a compra de todos os livros que ali foram colocados à venda.

Diz António Moncada na contracapa do livro que “por trás da figura heróica esconde-se um homem complexo, profundamente íntegro e religioso, devoto à família e ao país, e que foi forçado a fazer uma escolha terrível entre a sua consciência e o dever profissional, sabendo que as consequências para si seriam implacáveis”. Com recurso a um extenso arquivo fotográfico e documental, o livro conta o contexto familiar, ético e moral de uma família que sobrepôs os valores humanistas aos interesses pessoais.

Um livro que rebate falsidades sobre o seu avô, convence e emociona quem o lê! Recomenda-se a sua leitura, cujo conteúdo é, em grande parte, algo inédito!

Lino Dias

2 Comments

  1. Sr. Lino Dias,
    O “livro” de que falou o Dr. António Pedro Sousa Mendes e a que também me referi na minha intervenção, como tendo sido recentemente inscrito e classificado pela UNESCO como sendo um dos valores da Humanidade e das “Memórias do Mundo”, não é o livro escrito e apresentado pelo Dr. António Pedro, como parece intuir-se da sua noticia. Na verdade, o “Livro” classificado como “Memória do Mundo” pela UNESCO, é o Livro de Vistos passados por Aristides de Sousa Mendes no Consulado de Bordéus e que se encontra no Ministério dos Negócios Estrangeiros.
    (Luís Fidalgo)

  2. Obrigado, Sr. Dr. Luís Fidalgo!
    Percebi mal ou não tomei a devida atenção, talvez por estar a fotografar.
    Já corrigi no texto da notícia.
    Peço desculpa.
    Lino Dias

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