PARA QUANDO O DOCUMENTÁRIO?

HÉLIO BERNARDO LOPES *

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A uma primeira vista, parece que o pico ao redor das adoções por parte de gente da IURD terá já passado. Ao menos este pico que se pôde ver. Embora – há que reconhecê-lo – possam vir a ter lugar novos picos.

Pela natureza das coisas, o decurso da História não para. Precisamente o que pôde agora voltar a ver-se com as mais recentes notícias oriundas do Chile, com a respetiva Igreja Católica Romana a lamentar os alegados abusos sexuais sobre cerca de trinta estudantes de certa congregação, registados nas últimas quatro décadas.

Estes casos estão a ser analisados pelo Ministério Público do Chile, apoiados pela liderança da respetiva congregação, surgindo dias antes de uma visita do Papa Francisco ao Chile, onde viveu durante cerca de dois anos, pelo final da década de 50 do passado século. E convém notar que os responsáveis da referida congregação admitiram ter omitido casos de abuso sexual de menores dentro das escolas que administram no Chile.

Depois do que se tem visto por todo o mundo, numa situação incomensuravelmente mais grave que a relatada pela TVI sobre a IURD, custa acreditar que venha a ser feita justiça, tal como se dá com criminosos do tipo, mas fora de grupos religiosos. Um tema sobre que se justifica aqui voltar a perguntar: em que pé está o caso do jovem padre que foi vice-reitor do seminário Menor do Fundão?

A queixa sobre todos estes crimes só foi materializada em agosto de 2017, facto explicado por via da dita falta de protocolos e da pouca experiência no tema!! Sem estranheza para mim, nenhum dos nossos canais televisivos se determina a pôr de pé um documentário sobre tal tipo de crimes praticados por todo o mundo por mil e um elementos de todos os níveis da Igreja Católica Romana. Uma terrível falta de vergonha jornalística.

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 * Antigo professor e membro do Conselho Científico da Escola Superior da Polícia

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