A Paz Depende Também de Ti!

ARTUR FONTES
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«eis o que deveis fazer: dizei a verdade uns aos outros; julgai segundo a justiça que constrói a paz»

Zacarias. 8.16.

«a mentira mata, as meias verdades também, assim como o silêncio cúmplice do mal.
Não digamos paz, voltando as costas para a verdade»

D. Manuel Vieira Pinto, Bispo de Nampula, (década de 70)

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O “encolher dos ombros” ou o disfarçar que “nada é connosco” leva a uma situação de apatia, de indiferença e de meias verdades, sementes próprias do egoísmo e da hipocrisia.

A cumplicidade com estes desvios, através de um silêncio mórbido, deixa sempre um vazio que minará os alicerces de qualquer instituição democrática. Seja ela de que área for, pequena ou grande! Criará um campo propício à má-fé, à cegueira política e à imoralidade. Os valores e os princípios que nos educaram, a generosidade e o respeito serão perdidos e substituídos pela ganância, pela vaidade, pela mentira e pelos medos. Medos de tudo.

De tudo, que leva ao baixar a cabeça e ao mergulhar num servilismo que minará a dignidade da pessoa humana tornando-se, desta forma, numa qualquer coisa parecida ao ser humano, qualquer coisa como: Nem carne nem peixe!

As raízes que nos sustentam e nos agarram a terrenos férteis apodrecerão aos poucos, deixando morrer a firmeza e a honra, para dar lugar ao “lamaçal” da desonra e da falte de carácter. Sendo assim, fácil será dominar e convencer por quem tem do direito o conceito absoluto de que o próprio é a lei, sem ter que prestar contas a mais ninguém. Daí, a atitudes autoritárias e sem limites será um passo, que caminhará pelo caminho de “tudo quero, posso e mando”. Rapidamente, os pequenos ditadores disfarçados de cordeiros mansos aparecerão ao vivo. Crescerão, se os deixarem. Às vezes é tarde. Bastará olharmos para a História Contemporânea: Caso da ascensão ao poder de Adolfo Hitler, na Alemanha ou de Mussolini na Itália, nos anos 30 a 40 do século passado.

São como vírus que se reproduzem nos corpos humanos e se espalham um pouco por toda a parte, como tentáculos de um polvo rastejante.

No campo da História Europeia, há páginas em que somos confrontados com crimes humanitários e com a destruição étnica de comunidades. Ainda estaremos lembrados, e não há muitos anos, da Guerra nos Balcãs!

O Mal, quando toma conta do pulso e do coração, desumaniza as mentes transformando homens civilizados em “monstros” destruidores da Liberdade e das sociedades regidas pela Lei de todos e para todos. Enchem-se de imunidades e de impunidades. Sentem-se “grandes”. Detêm os poderes por onde passam ou para onde desejam ir. Falam de “mansinho”. Na penumbra e nas sombras dos seus passos, levam agarrados a si seguidores sempre prontos a dizer “Ámen” a tudo o que se lhes pede e se lhes “paga” com favores, desde que se curvem perante os desígnios desses “senhores”.

No entanto, nem tudo será assim. Há sempre quem não vergue e não ceda à chantagem. Chantagem, que também faz parte do catálogo das doenças malignas que destroem e corroem o espírito da honestidade e da convivência sadia entre as instituições públicas, privadas e comunidades de cidadãos.

No século XVII,” Isaac Vossius, intelectual e bibliotecário holandês (…) admirava particularmente um sistema político que permitia que os «filósofos e os amantes da filosofia» corrigissem os erros dos governantes. De facto, «quando os governantes erravam, os filósofos tinham uma liberdade para os censurar» ” (Ian Buruma, in “Domar os Deuses, Religião e Democracia em Três Continentes”2012: 70).

É este estado de espírito, o de poder corrigir os erros de uma forma livre, ordeira e dialogante, que deveria sempre prevalecer, pois, a finalidade será o bem comum das comunidades que constituem esses organismos. Jean- Jacques Rousseau, escrevia em 1762, no seu “Contrato Social” que é «Do esforço de cada indivíduo em prol do bem comum [que] dependerá o sucesso do contrato social».

Desde que se não ande de costas viradas para a verdade!

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