35.º Baile do Chapéu deu o pontapé de saída aos festejos carnavalescos de Cabanas de Viriato

Com a realização da 35.ª edição do tradicional Baile do Chapéu no sábado, 03 de Fevereiro, foi dado o “pontapé de saída” aos festejos carnavalescos deste ano da Associação do Carnaval de Cabanas de Viriato.

O salão Lagarto, da Sociedade Filarmónica, registou mais uma enchente e uso numeroso de chapéus, desde logo pela oferta de um chapéu na bilheteira por cada bilhete de entrada, mas sem direito a participar no habitual concurso.

De cores diferentes, aqueles chapéus deram um colorido extra ao salão, já por si especialmente embelezado ao nível das galerias, de onde sobressaía o registo dos 35 anos deste grandioso e famoso baile, qua atrai muitos forasteiros a Cabanas de Viriato, também valorizado pela garantia de animação por um dos melhores agrupamentos musicais da região, cabendo desta à banda Soma & Segue, de Figueiró (Viseu), repetir a presença do ano passado.

Passava da uma hora depois da meia-noite quando foi anunciado o concurso e só nessa altura os concorrentes com os chapéus admitidos a concurso irromperam no salão, exibindo-os para apreciação do júri em dança ao ritmo da antiga valsa do desfile do Carnaval de Cabanas de Viriato. Estes chapéus estiveram depositados em local que a organização disponibilizou aos concorrentes, para identificação e avaliação de admissão ao concurso, ficando até sujeitos a penalização ou eliminação os já usados em concursos de outros anos.

Constituído por elementos do público e da Associação do Carnaval, o júri, depois de pontuar a originalidade e o espírito carnavalesco dos chapéus, classificou 3 grupos e 12 individuais. Só os grupos tiveram direito a prémio monetário, ficando assim atribuídos: 1.º “Frutaria Zoide” (75€), 2.º “Sobe Sobe Balão Sobe” (55€), 3.º “Balão de Fogo” (35€). Além disso, todos os concorrentes receberam prémios de participação.

Ao presidente da Associação do Carnaval, Fernando Campos, foi pedido um depoimento acerca dos 35 anos de existência deste chapéu, tendo afirmado: «Foi um trabalho que começámos há 35 anos atrás e, de ano para ano, foi ganhando raízes, é um bom baile e, ao longo dos tempos, tem sobrevivido. Neste momento, quero dizer que não sei qual vai ser a sua sobrevivência; com todas as imposições legais que nos são impostas, é complicado sobreviver. À partida, temos aqui 1.400 euros só de encargos, quer do conjunto quer do seguro e outras coisas, pelo que não é muito viável, nos tempos que correm, nós conseguirmos chegar a algum lado».

Confirmou Fernando Campos que o aumento de encargos é consequência da tragédia na associação de Vila Nova da Rainha (Tondela), exigindo seguros onerosos, principalmente os de acidentes pessoais. Acrescentou: «É claro, qualquer associação, por si, não consegue sobreviver com estes encargos, na ordem de 500 euros por cada evento». Como tal, admite que o baile do chapéu pode estar em risco, situação que irá ser analisada no final deste carnaval.

Relativamente ao baile deste ano, disse Fernando Campos: «Gostei de ver que tivemos uma adesão na ordem das 500 pessoas. Acho que é uma moldura humana muito boa. De qualquer das formas, tem as reticências de que agora falei. Trabalhámos a semana toda para conseguirmos chegar a este objectivo, para pormos, inclusivamente, a sala minimamente na lei para se poder realizar este baile, se não, não havia da parte da Câmara a licença, que só foi assinada umas horas antes do início do baile». Acredita que outras associações estejam na mesma situação e isso mais o leva a considerar que o associativismo está em risco.

O baile do chapéu foi verdadeiro aperitivo para os estonteantes folguedos do Carnaval mais popular e mais genuíno do país, de 09 a 13 de Fevereiro.

Lino Dias

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