Digressão do projecto “Contos do Baco” juntou oito dezenas de pessoas no Centro Cultural de Carregal do Sal

Depois de ter passado por Aguiar da Beira, Nelas, Mangualde, Castro Daire, Vila Nova de Paiva, São Pedro do Sul, Santa Comba Dão e Vouzela, a peça de teatro “À frente de Baco ou atrás de todos os deuses”, do projecto “Contos do Baco” do Teatro Regional da Serra do Montemuro, chegou a Carregal do Sal no último domingo, 04 de Fevereiro, no âmbito da programação da Rede Cultural Viseu Dão Lafões.

A peça esteve anunciada para 14 de Janeiro em Carregal do Sal, dia seguinte à sua apresentação na Casa da Cultura de Santa Comba Dão, mas acabou por ser adiada “por motivos de força maior”, conforme na altura foi justificado.

Oito dezenas de pessoas deram boa moldura à assistência acolhida na sala 2 do Centro Cultural, ocupando lugar à volta de mesas redondas, num cenário intimista, desenhado de acordo com o espírito de “baco” e a condizer com o enredo da peça, que incluiu a degustação de uma boa “pinga”, neste caso da Quinta do Cabriz, do próprio concelho, e brindes ao vinho, figura central do discurso filosófico com que os actores Eduardo Correia, Sandra Barreto e Rui Souza proporcionaram diálogos dinâmicos e espirituosos, acompanhados por um copo de vinho.

Eduardo Correia interpretou o papel de Afonso, “pensador de metafísicas e dialécticas”, mas falando como “inesperado vinhateiro”. Afonso, cerca de 50 anos de idade, professor de filosofia, mas oriundo do ambiente rural, em tempos, ainda pouco mais que miúdo, “arrastara a asa” à mãe da sua interlocutora da peça, com a qual manteve um tique doutoral, “sugerindo qualquer estratégia de sedução”.

Sandra Barreto foi a Sara da peça, com pouco menos de 30 anos, empresária do vinho e da vinha, que ali se transforma também em “improvável filósofa”. Herdeira de uma empresa familiar, transformara as vinhas dos avós em rentável exploração vinícola. Com o desenrolar da acção, e não apenas pelo efeito do vinho que vai bebendo, acaba por revelar outras características para além da sua personalidade pragmática e da ânsia de eficácia nos resultados do seu precoce envolvimento na vida “real”.

Rui Souza tem o papel de crítico de teatro. Tirando umas notas do seu acordeão, é ele que no início, prazenteiramente, apresenta a peça e introduz o tema. É também ele que trava a concretização da sedução que o filósofo Afonso exerce ante a vitivinicultora Sara, momento com que a peça chega ao fim.

O público manifestou o seu agrado com merecida ovação e os actores, pela voz de Eduardo Correia, agradeceram a sua presença e os aplausos e elogiaram a qualidade do vinho ali servido.

Cabe acrescentar que o projecto “Rede Cultural Viseu Dão Lafões” destina-se à consolidação de uma programação cultural em rede dos 14 municípios parceiros da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões: Aguiar da Beira, Carregal do Sal, Castro Daire, Mangualde, Nelas, Oliveira de Frades, Penalva do Castelo, São Pedro do Sul, Satão, Santa Comba Dão, Tondela, Vila Nova de Paiva, Viseu e Vouzela. Através das propostas artísticas que constituem a Rede Cultural Viseu Dão Lafões, pretende-se valorizar os recursos patrimoniais da região e o envolvimento das suas comunidades locais, garantindo paralelamente a complementaridade e diversidade de programação, em termos de disciplinas artísticas e respectivas áreas geográficas de origem.

Lino Dias

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*