TREIXEDO – Foi há um ano!…

Foi há um ano!…

No calendário, sim, mas na nossa mente, foi ontem, é hoje, é em cada segundo que passa.

O terror vivido não se apaga facilmente da memória de cada um dos que viveram aquele cenário de guerra, uma guerra desigual em que os meios faltaram, as ajudas não puderam chegar e todos nós estivemos entregues, apenas e só, à nossa sorte.

Lutámos que nem uns bravos, e por isso aqui estamos agora, um ano volvido, a celebrar aquilo que pôde escapar e lembrar, de igual modo, as vidas que se perderam (na nossa freguesia não houve vitimas mortais), dando um abraço forte aos familiares e encorajar, simultaneamente, os que ficaram feridos e que têm ainda no seu corpo, as marcas da tragédia.

Seguiremos em frente, sim, sem conseguirmos secar as lágrimas que teimosamente ainda vão escorrendo pela nossa face, reforçando cada dia que passa a amizade entre todos, já que a partilha do sofrimento e perda, é comum a todos. Não podemos esquecer, de modo algum, todos os AMIGOS que estiveram ao nosso lado – E FORAM TANTOS – dando a sua ajuda material e o seu conforto, para que pudéssemos ultrapassar com menos sacrifício, o mal que sobre nós se abateu. Para eles o nosso mais profundo MUITO OBRIGADO!

No abraço muito forte àqueles que têm este nosso sentimento, gostaríamos de deixar o poema que segue, dedicando-o a todos, com o pedido para que não desfaleçamos e façamos o nosso melhor em honra da terra que todos amamos: TREIXEDO!…   

 

O FOGO EM TREIXEDO!…

Começara mais um dia.
Algo quente, talvez de mais para a época, mas aceitava-se
O clima está mudado, portanto…
Ao longe, a algumas dezenas de quilómetros, o cenário preocupava.
Caminhávamos para o fim da tarde!
O fogo, que devia ser intenso, martirizava muita gente por certo.
E nós, por cá, íamos comentando aquele cenário.
Distante daqui, pensava-se
Mas as horas não param e o dia avançava
Tanto, que nem imaginávamos a velocidade com que se caminhava para o inferno
Sim, para o inferno!
Aqui, no nosso Treixedo querido, o céu cobriu-se de negro, feio e aterrorizador.
O cheiro a fumo intenso, assustava.
Ficámos sem luz e o medo aumentou
Mas o fogo seria longe
Seria, porque estava já perto
Tão perto, que quase não deu tempo a que as pessoas se acautelassem.
Porque a luz havia faltado, muitas dormiam já, preparando-se para um novo dia de trabalho
E aquele que parecia vir a ser um sono tranquilo
Rapidamente se transformou no pesadelo indesejado.
Os gritos a fogo surgiam
As pessoas, acordadas com o barulho e algumas delas chamadas por vizinhos ou amigos,
Com o lume à cabeceira já,
Deixavam o leito e corriam para a rua
Aí, sim, percebeu-se melhor o que estava a acontecer
A luz, entretanto regressada, voltou a faltar,
A água fez-lhe companhia e o vento
Forte, muito forte, contribuía para a desgraça.
Até as comunicações desapareceram!
Corria-se de um lado para o outro sem se saber bem o que fazer
A falta de recursos aumentou o medo,
Porque o vento, descontrolado e cada vez mais forte,
Espalhava a desgraça.
Que noite, meu Deus!
Nós e só nós, lutávamos contra o “monstro”,
Sem um bombeiro por perto e entregues apenas à nossa sorte.
Envoltos ainda em chamas, recebemos a manhã ansiosos,
E com as labaredas por companhia, fazíamos balanço.
Mortes não houve, mas feridos sim.
Alguns com gravidade e a sofrer ainda.
Tantos edifícios e mata ardidos,
Tantos animais mortos,
Tantas alfaias queimadas,
Tanta da nossa história desaparecida.
Como foi isso possível? – interrogávamo-nos!
Mas a desgraça, criada pelo infortúnio, foi enriquecedora, porém
Deu-nos mais aconchego,
Mais carinho,
Mais solidariedade e mais amor até.
Conhecemos mais gente,
Arranjámos mais e bons AMIGOS.
Inseparáveis nestes momentos.
E isso, fica também retido na nossa memória.
Do fundo do coração lhes agradecemos
O nosso reconhecimento é infinito
E a nossa terra, renascerá também graças a eles.
Por isso, vamos tentar esquecer 15 de outubro de 2017… e seguir em frente!…
Porque…
…Treixedo voltará a ser lindo.
E então, a uma só voz, diremos bem alto
MUITO OBRIGADO A TODOS!…
 .

                                                           Alberto Costa 

 

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