ÓSCAR PAIVA
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No tempo pandémico em que vivemos algo de estranho nos está a acontecer. Andamos desconfiados e taciturnos, quase não falamos e o distanciamento marca o nosso quotidiano. Os mais sensatos têm medo de infetar e ser infetados e, por isso, a distância recomendada, o gel para as mãos e a máscara colaram-se aos nossos hábitos com uma rapidez impressionante. Parecem um invólucro através do qual estabelecemos o relacionamento possível com os outros também fechados na sua redoma.
O jornal das 20 atualiza os dados do país e do mundo, racionaliza esta “vertigem” com narrativas para todos os gostos e, de tanto martelar o assunto, com muito “teatro” pelo meio, parece gerar um sentimento de impotência e medo. Por este andar qualquer dia nem os familiares se conhecem! E dizem-nos que os confinamentos forçados (necessários para travar a propagação) estão a gerar mais desavenças familiares e mais divórcios. Se assim é a ideia de “solidários na desgraça” não parece fazer grande sentido; será mais uma força de expressão para calar a raiva surda que não grita, por vergonha, antes se enleia em falsas aproximações para tentar superar o receio e o tédio que nos invadem por nos sentirmos marionetes guiadas por fios invisíveis.
Para a nossa consciência projetiva, com um horizonte aberto aos sonhos a realizar, é desesperante o abrupto e inesperado fechamento desse horizonte com marcas muito concretas na alteração dos nossos hábitos e na fruição de uma normalidade que nos foi “roubada”. De repente confrontamo-nos com uma espécie de “novo” código de conduta, muitos sinais para definir distâncias e trajetos e, mascarados, olhamo-nos e olhamos à nossa volta com a sensação esquisita que somos outros numa representação imposta por um “personagem” que invadiu e tolheu a nossa gostosa forma de viver. Sim, porque, nesta democracia tão maltratada pelos aduladores da filosofia do umbigo, ainda tem havido lugar para a liberdade e afirmação paulatina de sinais evidentes de progresso material que têm ajudado a encarar com mais otimismo as desgraças imprevistas. Por isso, nós, na nossa indígena tolerância e hospitalidade, tão apreciadas por quem nos visita ou escolhe este país para viver, temos vivido ao sabor da aventura e somos um povo naturalmente alegre, descontraído, desorganizado, mas capaz de gestos inauditos de heroicidade. Temos uma idiossincrasia muito especial e é isso que ajudará, provavelmente, a compreender a nossa existência como nação independente, com mais de oito séculos, que “deu novos mundos ao mundo”, mas que, na gestão do deve e haver, quase sempre foi perdulária, o nosso incontinente “calcanhar de Aquiles”.
Este imprevisto, marcado pela Covid-19, que está a assustar o mundo, irá ser superado. Nós, mais uma vez, saberemos adaptar-nos às inevitáveis consequências. Descoberta a solução, raiará, de imediato, um novo dia prenhe de oportunidades. Marcas da dolorosa experiência ficarão, principalmente nos que mais atingidos estão a ser na profissão, nas ambições, no que de muito bom tinham e se esfumou. A vida, a nossa vida, afinal é feita de alegrias e tristezas; de atos generosos, de muitos egoísmos e cobardias, do aleatório. Temos a certeza de que as desgraças e os medos, que nos tolhem, podem ser pérolas de sabedoria a usar em situações futuras. Ninguém se convença que muito vai mudar para melhor. Voltaremos de imediato aos velhos hábitos, muitos aos mesmos erros; e a vida, mais rica ou mais pobre, seguirá o seu curso.
É esta a nossa desesperante condição de humanos!


É mais uma doença mortal. Já houve a tuberculose, a febre amarela, a fome e o povo foi resistindo … morreram muitos familiares, alteraram-se rotinas, houve racionamentos e o povo sobreviveu … creio que se estará a martirizar toda uma sociedade, que irá passar a ficar demente com tantas regras impostas.
Sim é preciso dar luta ao vírus, mas fundamentalmente é necessário viver e deixar viver. Os idosos irão continuar a morrer, os lares irão continuar à pinha e o desleixo irá voltar. Observe-se a quantidade de máscaras e luvas que diariamente aparecem abandonadas no solo que todos pisamos!
Baixar os braços seria fácil e conviria, mas não é a solução e assim para que o barco atraque em segurança é imprescindível que todos remem para o mesmo lado!
Se durante um ano fôr eficaz separar famílias em nome de uma irradicação definitiva da doença, pois que se faça e tenho a certeza que os sobreviventes irão agradecer para sempre a tomada de decisões duras. Deixem trabalhar quem pode e precisa e proíbam-se as saídas à beira-rio, aos shoppings, aos espetáculos desportivos! As mercearias da esquina conseguem abastecer os produtos de primeira necessidade e os supermercados podem e deviam praticar um horário bem mais reduzido!
Pronto opinei e criei alguma discussão!
Fiquem todos bem para que eu também possa vir a ficar bem!
A consciência humana anda arredia destes graves problemas!