Quarta, 08 Fev 2012

Opinião — Domingo, 29 Junho 2008 — 0 Comentários

A Cantora com nome de “Tasca”

Na última edição do festival musical Rock in Rio, realizado uma vez mais este ano em Lisboa, dos inúmeros cantores e grupos musicais que nele se exibiram, para delírio dos milhares de jovens, e menos jovens, que a ele quiseram assistir durante dois fins-de-semana consecutivos, no Parque da Bela Vista, na zona de Chelas – que futuramente querem transformar em Cidade do Rock – uma cantora britânica, de sugestivo nome artístico Amy Winehouse (diria mais, digestivo, pois feita a tradução para esta língua de Camões e com uma pequenina incisão no apelido poderá ler-se Amy Casa dos Vinhos), colocou em palco, durante a sua exibição, todo um espectáculo degradante, digno de uma verdadeira estrela (de)cadente.
Exibindo umas pernas do tipo pau de virar tripas ou, para outro melhor entendimento, guiços (carcomidas pelos excessos desmedidamente cometidos), o que só por si já ofende qualquer apreciação físico/estética, esta vedeta da canção mundial apresentou-se em palco, ainda, possuída por uma bebedeira colossal, na gíria, carraspana, pelo que a sua voz nem a cana rachada se poderia comparar, tal era a desafinação e ronco.
Enfim. Degradante será a forma real de avaliar a apresentação de tal senhora neste festival, que se pretende com ele, também, contribuir para um mundo melhor. Espante-se!
A diferença entre Amy Winehouise e um qualquer sujeito encontrado a cambalear por uma estrada, enfrascado de vinho até aos ossos, está apenas no facto daquela ser principescamente paga para entreter milhares de pessoas num concerto seu, mesmo que não cante porcaria nenhuma, mas pelo qual se (des)espera e se disponibilizam importâncias chorudas e este outro ser, apenas, ignorado e muitas vezes excluído do convívio de todos.
Pelos vistos, uma pessoa que bebe em excesso, se for famosa, é excêntrica e aplaudida, se não o for, é borrachão e tratado como pobre diabo. É isso mesmo!
Convidar uma cantora que todos sabem que o seu comportamento em palco é quase sempre assim degradante, para um evento ao qual acorrem milhares de pessoas, muitas delas ainda em formação cívico/comportamental (tipo crianças e adolescentes) e aindaOpinião - Lopes Almeida - Farol.jpg mais com a intenção de, com esse evento, contribuir para a melhoria do mundo (não sei em que sentido, mas querem!), é, de todo, um contra-senso, para não dizer disparate, ou treta para enganar papalvos.

António Lopes de Almeida

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