Artur Fontes, Opinião — Terça-feira, 22 Junho 2010 — 1 Comentário
A Morte Saiu à Rua…
ARTUR FONTES
…e apareceu nos olhos das gentes de quem tanto gostavas: Este Povo, que tem como Pátria, a tua própria Língua. Falada pela comoção, expressamente para este teu dia – o da Despedida – que só agora o foi, de vez. Não o daquela, o da partida para a tua Ilha, como muitos o desejara e supuseram. Ilha no meio de um mar imenso: O Atlântico. Aquele mesmo, o das ondas repetidas ao longo dos tempos. O das saudades que ficavam agarradas às areias das praias ou aos cais de embarque. Aquele mesmo, que nos deu saídas para destinos desconhecidos. Naquele, onde navegámos. Que nos levaria à Fama e nos tornaria dignos de sermos Portugueses: Cidadãos do Mundo. Mesmo longe, fomos sempre nós. Tal como tu. Sempre nosso. Foi, apenas, um afastamento do local onde fizeste o teu caminho. A subir e a pulso. Cavando letra a letra. Página a página. Combatendo preconceitos e medos. Lendo e desfazendo dogmas e mitos. Fazendo a tua própria leitura. Sendo livre, desta liberdade à imaginação. Controvérsia?!? E, porque não?!? Foste contra a corrente estabelecida, contra as regras, mas de um jeito que te elevou e mostrou ao mundo que também somos capazes, tal como os nossos avós navegadores o foram. Aumentaste-nos com a tua escrita. Com aquele falar com a história e das histórias que em ti entravam e se derramavam pela pena da tua caneta. Foste glória e convidado pelos palcos académicos, daqueles que te ouviam e sabiam fazê-lo. Não daqueles baixos e mesquinhos, dos que te quiseram “guilhotinar”. Há-os sempre. Tiveste a força dos velhos anciãos das aldeias que são a nossa memória. Não renegaste a tua origem. Aquela, a da cama dos teus avós, onde se deitavam e acariciavam os bacorinhos, por causa do frio dos invernos daqueles tempos, molhados e frios, que se colavam às roupas do corpo.
O teu maior esplendor, é a latitude dos teus livros. Ultrapassam as mentes dos que te denegriram e as daqueles que ainda te querem e pensam seres pertença apenas… e só deles. A ambos, combatem os teus livros. Porque ambos te querem amarrado.
Como ser inteligente, ousaste pensar sobre as coisas da vida. Se estaremos todos de acordo com os teus ditos, será outro assunto. Mas, ousaste pensar, ao contrário de muitos que nada ousam, apenas sabem colher migalhas sem honra e cuspir venenos.
A Morte apareceu-te e com ela foste. Ficaram as tuas oliveiras, símbolo do mediterrâneo, bíblico e de paz. Ficaram as cinzas como fertilizante e nós todos como herdeiros directos das tuas escritas e continuadores dos teus textos sem pontos e nem vírgulas, como eterna a memória que quisermos preservar.
Bem-Haja José Saramago!
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Fazendo transpor as palavras do autor para não só Portugal(sua Pátria),mas tambem para o Mundo contemporânio,Portugal perdeu o único que nos deu a honrra do prémio :Nóbel da Literatura:
Mas não foi favôr: mas sim pelo seu talento ,muito enbora contra a vontade do então Santo Padre.
Penso ,e tenho mesmo a certeza de que Seramago cantou
e encomudou,mas ,a sua obra cotinúa nas nossas mentes,
daí a que fiz reparo (a morte saiu da rua),e daqui envio os parabens ao autor,bem como me curvo pela alma de quem partiu.
Obrigado SERAMAGO-E,um abraço ao Amigo Fontes.