Quarta, 08 Fev 2012

Hélio Bernardo Lopes, Opinião — Sexta-feira, 23 Abril 2010 — 0 Comentários

A TENTAÇÃO PARA O IRRACIONAL

HÉLIO BERNARDO LOPES *

HÉLIO BERNARDO LOPES.jpg.

A tentação das pessoas para o irracional é algo de muito omnipresente na vida em sociedade. Até mesmo a necessidade de recorrer ao irracional, e por motivos muito ligados à própria natureza humana. Não faltam exemplos conhecidos de todos.

Ora, muito recentemente, teve lugar a tragédia que se materializou na morte de um nosso concidadão em Lloret de Mar, nos termos do que foi descrito pela grande comunicação social até ao presente momento.

Certamente como consequência do tempo que hoje passa por nós, tenho de confessar que se criou em mim, em torno deste caso, uma desconfiança que só muito dificilmente se conseguirá dissipar. A menos que uma nova explicação consistente chegue ao conhecimento público.

Porém, para lá desta minha apreensão sobre a realidade que possa ter tido lugar, não deixa de causar-me estranheza que os pais, os professores e mesmo a generalidade dos alunos mais velhos, não consiga convencer os estudantes finalistas de cursos diversos sobre os riscos que hoje se correm por partes diversas do Mundo.

Ora, um desses lugares de grande risco para a atual juventude, e mesmo para gente já bem adulta, é a Catalunha, mormente Barcelona e todos os seus arredores, e por razões diversas. E quem diz Bercelona, diz Logroño, entre tantos outros lugares, de Espanha, como de Portugal ou de outros países.

Qual é a dificuldade em perceber que num lugar onde se concentram alguns milhares de jovens com idades entre os dezasseis e os vinte e cinco anos, provenientes de países diversos, as drogas e o álcool sejam realidades tentadoras omnipresente?!

E não é verdade que se vem erigindo a prática de excessos pontuais como uma verdadeira exigência (quase) litúrgica ao nível da nossa juventude? Então se assim é, o que têm os pais, os professores e os mais velhos e amigos a fazer? Nada, como nos deu a entender o diretor do colégio, sob o argumento de que quem é jovem não aceita limitações de quem quer que seja? Bom, é, ao menos para mim, um argumento que não colhe.

De resto, esta inacreditável tentação pelo irracional está também presente na inacreditável procura por ambientes de diversão noturna, apesar dos mil e um casos que têm terminado em tragédia. E isto quando a nossa grande comunicação social sucessivamente nos vai informando do que, com elevadíssima probabilidade, vai tendo lugar em tais ambientes e suas envolventes.

Ainda recentemente, comigo em Almeida, foi noticiado o surgimento de uma nova droga muito perigosa, conhecida por miau-miau, mas sobre a qual nada mais foi dito. E então? Fica tudo por aqui? Não há um qualquer programa televisivo que nos mostre, em horário nobre, que história é essa do miau-miau? E que é feito das nossas autoridades? Que nos têm a dizer as entidades ligadas à juventude e à dependência de drogas?

Por todas estas razões, e à medida que se aproxima o fim dos cursos superiores de novas levas de jovens, ou a entrada nas universidades de mil e um outros, eu pergunto: que nos têm a dizer as autoridades? Vai tudo ficar no silêncio habitual, até que novos desastres humanos nos venham a atingir? A ver vamos.

*Antigo professor

e membro do Conselho Científico da Escola Superior de Polícia

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