Poesia — Quarta-feira, 19 Maio 2010 — 0 Comentários
Alma moribunda
Alma minha que abraçaste
Meu corpo quando nasci
Não sei por onde andaste
Se existo dependo de ti.
.
Se do Oriente vieste
Ou desta minha região
No teu regresso soubeste
Parar nesta Nação.
.
Escondida reencarnaste
Num humilde cidadão
Ninguém sabe onde andaste
Se até sou teu irmão.
.
Sei que andavas à deriva
Até me veres chegar
Serás dona da minha vida
Até o meu mundo acabar.
.
E quando me vires estendido
Não terás sentimento
Deixas-me sem estares comigo
Pra subires ao firmamento.
.
Darás contas da eternidade
A quem te for julgar
A muitos deixas saudades
Até noutro ser encarnar.
.
Aposto que me estás guiando
Aposto que tens o meu fim
Quando vires minha morte chegando
Tu vais-te separar de mim.
.
Alma minha moribunda
Que me guias nalgum tempo
Sem uma vida profunda
Vais para outro de momento.
.
Vives de terra em terra
Encarnas sem escolher
E estás sempre fraterna
Vais para onde tens poder.
.
Por vezes vais surgindo
Sem te dares a demonstrar
E a muitos até vais pedindo
Rezem para se salvar.
Barreiro, 18-05-2010, Adelino Borges
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