Quarta, 08 Fev 2012

Poesia — Quarta-feira, 19 Maio 2010 — 0 Comentários

Alma moribunda

Alma minha que abraçaste

Meu corpo quando nasci

Não sei por onde andaste

Se existo dependo de ti.

.

Se do Oriente vieste

Ou desta minha região

No teu regresso soubeste

Parar nesta Nação.

.

Escondida reencarnaste

Num humilde cidadão

Ninguém sabe onde andaste

Se até sou teu irmão.

.

Sei que andavas à deriva

Até me veres chegar

Serás dona da minha vida

Até o meu mundo acabar.

.

E quando me vires estendido

Não terás sentimento

Deixas-me sem estares comigo

Pra subires ao firmamento.

.

Darás contas da eternidade

A quem te for julgar

A muitos deixas saudades

Até noutro ser encarnar.

.

Aposto que me estás guiando

Aposto que tens o meu fim

Quando vires minha morte chegando

Tu vais-te separar de mim.

.

Alma minha moribunda

Que me guias nalgum tempo

Sem uma vida profunda

Vais para outro de momento.

.

Vives de terra em terra

Encarnas sem escolher

E estás sempre fraterna

Vais para onde tens poder.

.

Por vezes vais surgindo

Sem te dares a demonstrar

E a muitos até vais pedindo

Rezem para se salvar.

Barreiro, 18-05-2010, Adelino Borges

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