Sexta, 18 Mai 2012

Tradição — Sábado, 18 Fevereiro 2012 — 3 Comentários

Alvarelhos engrandeceu-se no reviver da tradição da Queima da Comadre e do Compadre

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Tradição centenária que as sucessivas direcções da Associação Recreativa e Cultural de Alvarelhos (ARCA) teimam em manter viva, a “Queima da Comadre e do Compadre”, única na região e com alguma parecença em poucos locais do nosso país, foi revivida ontem, 17 de Fevereiro, com grande êxito naquela povoação do concelho de Carregal do Sal.

Constituindo um cartaz inédito que atrai muitos forasteiros, a iniciativa voltou a registar numerosa adesão de populares, ultrapassando o milhar e meio de presenças, e isso sem necessidade de grande aposta em publicidade, provando que esta tradição é uma referência habitual de grande apreço nos festejos carnavalescos da região.

Ainda antes do começo do tradicional julgamento e do cantar das deixas, o ambiente foi ganhando expressão festiva com Oliveira do Conde, e com a parte inicial do Baile da Comadre, animado pelo popular organista Nuno Filipe, como tem sucedido em anos anteriores.

Nem toda a gente encontrou lugar no salão de festas da ARCA, ficando muitos à entrada enquanto os actores do grupo de teatro “Mãos à Obra!”, do Núcleo de Animação Cultural de Oliveirinha (NACO), desempenhavam o julgamento da comadre e do compadre, representação que fizeram pelo quarto ano consecutivo, primando cada vez mais na interpretação daquela paródia.

Nessa paródia, a comadre “Maria Socorro dos Anjos”, encontrando uma mala com ceroulas usadas do marido (compadre), descobriu que ele andava a traí-la. No desenrolar da paródia, o compadre veio a saber que também a mulher o andava a trair. A polícia entrou em cena e multou-os, decidindo que deviam pagar por esse mau comportamento, cuja sentença resultou na queima de ambos em acto público, no Largo das Cruzes.

Dando mais animação à paródia, desta vez, como novidade, registou-se a participação dos “Camaradas da Luta”, recriando os dois músicos/comediantes “Homens da Luta”, bem conhecidos nas intervenções televisivas sobre temas de protesto revolucionário.

Antes do cumprimento da condenação, houve lugar à atribuição dos bens deixados pela comadre e pelo compadre, através do “cantar das deixas”, elaboradas em 24 quadras por rapazes e outras tantas por raparigas da povoação. A herança foi repartida, dessa forma, por solteiros a partir dos 15 anos de idade, contemplando 22 raparigas e 22 rapazes. A paródia resultou perfeitamente, quer na parte teatral (julgamento) quer na parte cantada (deixas), gerando grande entusiasmo entre a assistência e colhendo dela  muitas gargalhadas e merecidos aplausos.

“O julgamento e o cantar das deixas este ano estiveram perfeitos e até os objectos das deixas estavam adequados à pessoa visada” – disse Augusto Albuquerque, vice-presidente da direcção da ARCA, a esta reportagem, manifestando ao mesmo tempo plena satisfação pelo modo como tudo decorreu e pela expressiva adesão de populares, contentamento de que o presidente da direcção, António Borges, comungou e também manifestou.

Seguiu-se o transporte dos andores com os bonecos que simbolizavam a comadre e o compadre, em cortejo por algumas ruas da povoação, acompanhado pelo grupo de bombos. Chegados ao habitual local da queima, os bonecos foram colocados em mastros individuais, armadilhados de rastilhos e bombas. Uma descarga de fogo-de-artifício preso, em redor dos mastros, realçou ainda mais o efeito pirotécnico deste ritual. Ateados os rastilhos, os bonecos descreveram, finalmente, um rodopio alternado até serem destruídos estrondosamente pelas bombas e consumidos pelo fogo. Como novidade, cabe registar o facto de todos estes efeitos pirotécnicos terem sido comandados através de computador e comando à distância.

Consumada a queima, deu-se continuidade à festa no salão da ARCA, prolongando-se o “baile da comadre” pela noite dentro. O reviver desta tradição resultou em sucesso absoluto, estando mais uma vez de parabéns a direcção da ARCA e todo o seu dinâmico grupo de colaboradores.

Lino Dias

 

3 Comentários

  1. teresa diz:

    este ano não sao anexadas as deixas?:(

  2. lino diz:

    Há promessa de que serão fornecidas segunda-feira.

  3. teresa diz:

    obrigada.agradeço atençao!

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