Sociedade — Segunda-feira, 13 Fevereiro 2012 — 1 Comentário
Apresentação do projecto de criação da Confraria Gastronómica e Enófila de Carregal do Sal
Em encontro promovido pelo grupo fundador e dirigido por Eduardo Martins Abrantes,
economista, de Oliveirinha, foi apresentado na passada sexta-feira, 10 de Fevereiro, ao final da tarde, com lugar nas instalações da Junta de Freguesia de Oliveira do Conde, o projecto para criação e constituição de uma Confraria Gastronómica e Enófila em Carregal do Sal, contando com a presença de 14 pessoas convidadas a integrar os respectivos órgãos sociais.
A apresentação foi efectuada com recurso a projecção powerpoint, incidindo principalmente sobre os fins, objectivos, estrutura e funcionamento desta futura Confraria. Nessa apresentação, Eduardo M. Abrantes esclareceu que a Confraria será uma associação sem fins lucrativos, em que os seus membros estão unidos por laços de irmandade, fraternidade, amizade, companheirismo e camaradagem, tendo como objectivos a promoção, divulgação e visibilidade do património gastronómico da região (produtos, tradições e hábitos culinários, técnicas, receitas…), assim como a promoção do património cultural, natural, histórico, etnográfico e turístico do concelho de Carregal do Sal.
A estrutura da Confraria será idêntica à de qualquer outra associação, em constituição, registo, estatutos e princípios éticos, de consonância com a Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas (FPGP) e o Conseil Européen des Confréries Oenogastronomiques (CEUCO). Os seus membros serão designados por confrades (masculinos) e confreiras (femininos).
Os órgãos sociais são constituídos por uma Assembleia Geral (Grande Banquete), de que fazem parte o juiz (presidente) e os juízes relatores; uma Direcção (Mordomia), com o mordomo-mor (presidente) e os mordomos; um Conselho Fiscal (Ecónomos), com o presidente e os vogais; e um Conselho Técnico (Conselheiros), com elementos dos ramos empresarial, enológico, gastronómico e de produtos endógenos a promover.
Podem fazer parte da Confraria todas as pessoas ligadas a Carregal do Sal, residentes ou não, bem-intencionadas, desinteressadas, empreendedoras e que queiram contribuir para uma vivência saudável e para o desenvolvimento social e cultural da própria terra. “Não serão bem-vindos todos os que adoptem uma postura negativista, de crítica sistemática e destrutiva que procurem apenas protagonismo e benefícios pessoais e que não queiram pautar-se pelo respeito de ideais e valores nobres” – frisou Eduardo Abrantes.
Perguntando “o que podemos ganhar sendo membros da Confraria?”, o próprio respondeu que, individualmente, se ganha “satisfação, desenvolvimento do ego… e incómodos, trabalho e algumas despesas, mas em que o saldo final é extremamente positivo e gratificante”. Colectivamente, como disse, “dá-se um valioso contributo para o desenvolvimento e maior visibilidade nacional e internacional da nossa terra, das pessoas, das instituições e das empresas”.
Ao justificar aqueles ganhos, Eduardo Abrantes realçou que o concelho de Carregal do Sal tem pessoas de bem, com motivação e desejo de evoluir; tem potencial territorial, tratando-se de uma região aprazível, onde se gosta de estar, servida por importantes vias de comunicação; tem gastronomia de referência com produtos endógenos de reputação nacional e internacional, como os vinhos do Dão, os enchidos e o queijo da serra; tem um riquíssimo património histórico que vai desde a pré-história, idade média, o período romano, à idade moderna; e é detentor de um rico património gastronómico e enófilo e de um vasto património natural, arquitectónico e arqueológico, que o tornam num dos municípios com mais testemunhos do passado de crucial interesse para a história local, regional e nacional. Considerou, por isso, que é “uma imensa lacuna a inexistência no concelho de uma confraria gastronómica, ou cultural ou outra”.
O trabalho desenvolvido pela comissão instaladora até esta apresentação do projecto da Confraria, segundo foi dado a conhecer na reunião, passou, sucessivamente, por encontro dos membros do grupo fundador pró-confraria para apresentação e esclarecimentos sobre o movimento confrádico; contacto com membros da direcção de outras confrarias para recolha dos seus saberes, normas, regras, ideias, sugestões relativos à constituição e funcionamento de uma confraria gastronómica; participação em capítulos de outras confrarias para se tomar contacto com procedimentos e rituais; encontro dos membros do grupo pró-confraria para a tomada de decisão definitiva com vista à constituição da confraria e sobre quem poderá fazer parte dos corpos sociais e respectivas missões/tarefas; abordagem a entidades públicas, privadas, pessoas individuais e colectivas para apresentação do projecto, sua adesão e angariação de apoios, patrocínios, etc.; e início das tarefas de formalização/constituição da confraria.
Acredita-se, pois, com base nos fins e objectivos enumerados, que a criação de uma Confraria poderá trazer, de facto, diversos benefícios ao concelho, nos mais diversos campos de acção. Que seja uma realidade!
Lino Dias
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Quase que não acredito.
Como é possível pensar em confrarias numa altura destas, com uma crise enorme, em que aumenta a miséria, o desemprego, as dificuldade e quando as pessoas não têm dinheiro para comer? Sabem quanto gasta um confrade por ano?
Quanto gasta no traje? Nas deslocações? Por amor de Deus…
Não seria melhor apoiarem instituições de solidariedade social?
Não seria mais útil e mais decente apoiarem as pessoas que passam privações?
Haja o mínimo de decoro e de respeito pelo sofrimento alheio.