Sábado, 31 Jul 2010

Filarmónicas — Segunda-feira, 15 Fevereiro 2010 — 0 Comentários

Bandas em Concerto – Presença honrosa da Banda Filarmónica de São João de Areias em Mação

Imagem 029.jpgRepresentando o distrito de Viseu pelo terceiro ano consecutivo, a Banda Filarmónica de São João de Areias rubricou no sábado, 13 de Fevereiro, em Mação, vila do distrito de Santarém, situada no extremo sul da província da Beira Baixa, mais uma participação honrosa no projecto Bandas em Concerto, que a Direcção Regional de Cultura do Centro (DRCC) tem vindo a promover desde 2006.

A deslocação revestiu-se da união e do bairrismo que tem sido habitual no acompanhamento da banda sempre que a comunidade a isso é solicitada em circunstâncias especiais como esta. De São João de Areias partiram, às 10h00, dois autocarros da Câmara Municipal de Santa Comba Dão, outros tantos alugados a uma empresa de camionagem e uma carrinha da Sociedade Filarmónica, transportando os músicos, respectivos instrumentos, dirigentes, amigos e familiares.

Depois de uma paragem na área de serviço de Pombal, atingiu-se Tomar pouco depois do meio dia e meia hora, onde se procedeu de imediato à procura de lugar para almoçar, optando uns por fazê-lo num parque junto ao rio Nabão, comendo farnel levado de casa, enquanto os restantes se dirigiram a restaurante previamente marcado. A passagem por aquela cidade teve como finalidade a visita ao Museu dos Fósforos, também conhecido por Museu Aquiles de Mota Lima em homenagem a este coleccionador tomarense, que doou a sua interessante colecção de mais de 43 mil caixas de fósforos de 104 países à Câmara Municipal de Tomar, ilustradas algumas com quadros de pintores famosos, instrumentos musicais, filmes, vedetas, jóias, pedras preciosas, mitos e lendas.

Essa visita proporcionou que também fosse visitada a Oficina de Azulejaria e Olaria, igualmente instalada no Convento de São Francisco, onde o Regimento de Infantaria 15 esteve aquartelado até ser transferido para Coimbra em 1964. Foi ocasião para muitos dos visitantes comprarem recordações da cidade de Tomar.

A etapa seguinte do programa da viagem foi a visita à barragem de Castelo do Bode, a maior albufeira de Portugal antes do enchimento da barragem do Alqueva. Situada nos limites dos concelhos de Tomar e Abrantes, e pertencente ao conjunto de barragens da bacia do rio Zêzere, é esta gigantesca reserva de água que abastece a região de Lisboa. Extra programa, rumou-se, de seguida, até à barragem de Belver, um dos recantos no rio Tejo que merece ser visitado, situado na freguesia de Ortiga, concelho de Mação, local também aproveitado para se merendar, servindo-se cada um do seu farnel.

A chegada a Mação deu-se pouco depois das 18h30. Já com um pouco de atraso em relação ao horário previsto, meteu-se de imediato mãos ao transporte dos instrumentos para o palco do Cine-Teatro daquela vila e preparou-se tudo para o ensaio que a banda fez ainda antes do jantar. Oferecida pela Câmara Municipal de Mação, a refeição teve lugar num restaurante relativamente próximo, também opção de muitos dos acompanhantes da banda.

Pouca gente de Mação se interessou pelo concerto, não ultrapassando as duas dezenas de presenças, quase se podendo garantir que havia mais maçaenses no bufete do Cine-Teatro, a ver televisão, do que naquele auditório. “As pessoas aqui ainda estão pouco sensibilizadas para este tipo de espectáculos”, disse ao «Farol da Nossa Terra» um funcionário daquele espaço municipal, associando a isso também o facto de a banda filarmónica local ter passado por um período “em baixo” e estar agora a tentar “levantar-se”.

Apesar disso, não faltou calor humano numa sala que bem precisou dele, ante o desconfortante frio do seu ambiente, sem aquecimento a funcionar. Foi bonito e altamente compensador o entusiasmo dos aplausos em cada número interpretado, com “vivas”, “bravos” e outras manifestações de contentamento a ecoarem freneticamente, por parte de uma assistência esmagadoramente bem composta pelos acompanhantes da banda, incluindo o vice-presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão, António José Correia, o presidente da Junta de Freguesia de São João de Areias, António Augusto Antunes, o presidente da Assembleia de Freguesia, José Alves Ferraz, e o director do Conservatório de Música e Artes do Dão, Paulo Gomes. Era tamanho o entusiasmo ao ponto de surpreender agradavelmente Ana Botelho, responsável da Coordenação dos Territórios Artísticos da DRCC, que se virou repetidas para a assistência como que deliciada com aquele empolgamento.

Depois da Banda ter interpretado La Fiesta, Fate Of The Gods, Festa Paesana, The Best Of Phil Collins, Uma Noite Em Lisboa e Everest, o maestro Pedro Carvalho agradeceu as presenças e o carinho demonstrado, fazendo especial referência aos acompanhantes da banda. Nesse momento subiu ao palco o vereador da Cultura do município de Mação, Vasco Estrela, para os agradecimentos de circunstância e a entrega de lembranças ao maestro, ao presidente da direcção da Filarmónica de São João de Areias e à representante da DRCC. Admirado com a qualidade musical de executantes tão jovens, comentou, dirigindo-se aos mesmos em jeito de elogio: “Penso que vocês podem ter uma carreira excelente”. O presidente da direcção da Filarmónica, Vítor Borges, retribuiu o gesto com a oferta de uma lembrança por parte da Filarmónica.

A concluir o reportório, a banda executou Lassus Trombone, a que acrescentou um tema extra com Ricardo Monteiro em solo de xilofone, dedicado a quem viajou de São João de Areias. Foi um final empolgante, em que a assistência surpreendeu uma vez mais os locais e a representante da DRCC com as suas entusiásticas manifestações de regozijo. “Nunca vi um entusiasmo assim de uma população à volta da sua banda; tenho de conhecer São João de Areias; avisem-me quando fizerem lá um espectáculo”, afirmou Ana Botelho ao presidente da Filarmónica, em conversa que o «Farol da Nossa Terra» presenciou. Só por si, este elogio da responsável da Coordenação dos Territórios Artísticos da DRCC justificou, de forma honrosa, a deslocação da banda a Mação, remetendo à insignificância a fraca adesão das gentes daquele concelho.

Perante o desinteresse da população local, que aquela responsável da DRCC pôde testemunhar pessoalmente, nada se provou para que o Cine-Teatro de Mação possa ser tido como uma sala de referência da região da DRCC, pois o objectivo central do projecto Bandas em Concerto não encontrou ali resposta na conquista de novos públicos, nem na intenção de dar a conhecer a um público mais abrangente a grande qualidade que actualmente as bandas filarmónicas oferecem. Nesse aspecto, há ali muito por dinamizar.

Apesar de, no regresso, a chegada a São João de Areias se ter dado próximo das três horas da noite, reinava o sentimento do dever ter sido cumprido dignamente e a satisfação de ver a banda sair prestigiada em mais uma honrosa representação do distrito de Viseu. Parabéns a quantos foram peça desta agradável e saudável jornada de união e bairrismo!

Deixe um Comentário

Pesquisar