Tradição — Segunda-feira, 12 Abril 2010 — 0 Comentários
Beijar da Cruz na Ponte – Revivida a tradição que une povos dos concelhos de Carregal do Sal e Tábua
A Ponte Rui Sanches, que sobre o Rio Mondego liga os concelhos de Carregal do Sal e Tábua, voltou a ser local de reunião de grande quantidade de fiéis e romeiros em Domingo de Pascoela, 11 de Abril, revivendo a tradição da união e troca das cruzes pascais das paróquias de Currelos e Póvoa de Midões.
Seguindo o exemplo que a autarquia da margem esquerda do rio tem mantido há alguns anos, também a Junta de Freguesia de Currelos, com a colaboração da Câmara Municipal de Carregal do Sal, disponibilizou transporte de autocarro para deslocações desde a sede do concelho até à ponte, e vice-versa, contribuindo assim, em segundo ano consecutivo, para o engrandecimento desta tradição sui generis, iniciada há cerca de quarenta anos pelo saudoso Pe. José Afonso de Paiva, antigo pároco de Currelos-Carregal do Sal.
Além disso, a Junta de Freguesia de Currelos retomou a alternância com a sua congénere de Póvoa Midões na organização desta tradição, garantindo este ano a animação com a Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Carregal do Sal e a presença de viaturas da mesma corporação em serviço de prevenção, ficando a Junta de Freguesia de Póvoa de Midões incumbida de o fazer no próximo ano com fanfarra e viaturas dos Bombeiros do concelho de Tábua.
Este ano, pela primeira vez, foi celebrada missa campal, às 16h00, antes do ritual daquela tradição, num espaço de lazer que a Junta de Freguesia de Currelos inaugurou há um ano atrás, próximo da ponte, seguindo-se então, por volta das 18h00, o encontro das cruzes no meio do tabuleiro da ponte.
Avançou primeiro para aquele local a representação da paróquia de Póvoa de Midões, liderada pelo respectivo pároco, Pe. João Fernando Dias. Depois de um compasso de espera, avançou ao seu encontro a representação da paróquia de Currelos, liderada pelo seu pároco, P.e José António Almeida. Após as saudações de cortesia, os sacerdotes procederam à troca das Cruzes, rumando depois, à frente de grandioso cortejo de fiéis, abrilhantado pela Fanfarra dos Bombeiros, até à Capela de N.ª Sr.ª da Conceição, também designada de «Capela Jubileu 2000». Seguiram-se ali os habituais actos solenes, incluindo a Celebração da Palavra, presididos pelo pároco de Póvoa de Midões e animados pelo coro da Igreja Matriz da paróquia de Currelos.
Terminada a celebração, Hermínio Cunha Marques, como anualmente tem feito, leu um poema de sua autoria, desta vez intitulado “Beijando a Cruz sobre o Mondego”, lembrando a alegria da inauguração daquela ponte e a tradição que daí nasceu. Por fim, foram as Cruzes dadas a beijar aos muitos fiéis que se apinharam na capela e em redor dela.
Como em anos anteriores, esta tradição voltou a estar rodeada de grande ambiente de romaria. Por todo o lado havia carros estacionados e o movimento junto às barracas de comidas e bebidas era constante. A vigilância policial e o controlo do trânsito foram assegurados pelo posto da GNR de Tábua, mas com acção limitada à zona do lado daquele concelho.
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CONVÍVIO FRATERNAL NA PONTE ENG. RUI SANCHES
Beijando a Cruz sobre o Mondego
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Quando há trinta e nove anos se gritou
“Vamos à Ponte Nova do Mondego”,
Uma imensa alegria extravasou
E os povos acorreram com apego!…
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Pois passada que foi tão longa espera
E o sonho se tornou realidade,
Nasce o Sol duma nova Primavera
P’ràs duas margens, luz, fraternidade!…
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Como prova da sua gratidão,
Surgiu este Convívio em tal local,
Com um gesto de muita devoção,
Trazendo a Cruz em Festa que é Pascal!…
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E a tradição que é hoje tão vivida,
Envolta em seu carinho ela é também
D’evocação simbólica devida
A quem nos deu um tão notável bem!…
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Ao Professor Firmino, um lutador,
Que “Nicolau da Ponte” foi chamado,
E o Padre Afonso quem, com seu fervor,
Aqui primeiro a Cruz terá levado!…
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Mas há mais, irmanados nesse ideal,
Que também já partiram desta vida,
E devem ser saudados em sinal
Da luta que levaram de vencida!…
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E o Ministro que bem nos foi servindo,
Cujo nome na Ponte tem gravado,
Um Beirão que morreu em Junho findo,
E, pois, justo, ser hoje aqui lembrado!…
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Se já então se abria uma cancela
À via da Estrela ao Caramulo,
Hoje, c’oa Nova Estrada p’ra Tondela
Parece lá chegar-se só dum pulo!…
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E só me resta aqui enaltecer
Quem, de ano a ano, com tanta ternura,
Tudo faz para não mais se perder
Tão bela tradição que assim perdura!…
11-04-10
Hermínio Cunha Marques
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