Escolas — Segunda-feira, 21 Junho 2010 — 2 Comentários
CABANAS DE VIRIATO – Festival da Sopa e do Pão colheu novo sucesso mas tem o futuro em risco
No âmbito das actividades culturais de encerramento deste ano lectivo, o Agrupamento de Escolas de Cabanas de Viriato realizou na sexta-feira, 18 de Junho, a oitava edição do Festival da Sopa e do Pão, dando assim continuidade a uma iniciativa que, ano a ano, se tem revelado um autêntico sucesso.
O número crescente de sopas e o aumento da participação de toda a comunidade têm demonstrado que, além da sua componente cultural, a iniciativa se constitui como um marco importante em termos de convívio e socialização, ultrapassando, até, os limites do próprio concelho de Carregal do Sal. Neste aspecto, isso foi novamente constatado, tanto em termos de adesão de restaurantes e padarias como de participação de populares.
Realizado, como das outras vezes, no pátio fronteiro da Escola Básica Integrada (EBI) Aristides de Sousa Mendes, o festival voltou a revelar a sua popularidade na quantidade de tigelas vendidas, dentro do milhar de unidades, e de entradas contabilizadas, superando o milhar e meio de visitantes do ano passado. Não admira, portanto, que seja considerado por muitos como o maior evento social e cultural do meio escolar do concelho.
O habitual pavilhão com a sopa e o pão, postos à descrição pelos restaurantes e padarias, logo na abertura do festival, às 19h00, se viu rodeado de tantas filas de gente quantos os panelões identificados com o género de sopa e o nome do respectivo restaurante. Aderiram à iniciativa os mesmos restaurantes da edição anterior: Villa’s (sopa de peixe) e Casa Piano (sopa de cação), de Cabanas de Viriato; Petz Bar (canja de galinha velha), de Laceiras; Salinas (sopa de peixe) e Play Bar (sopa de peixe), de Carregal do Sal; Tendinha (caldo verde), de Oliveirinha; e Zé Pataco (sopa de rabo de boi), de Canas de Senhorim. O mesmo sucedeu com a cozinha da própria EBI (sopa de peixe), o Centro Social Profª Elisa Barros Silva (sopa de pedra) e a Cáritas Paroquial de Beijós (sopa de feijão).
Como novidade, juntaram-se-lhes este ano os restaurantes Pelourinho (caldo verde), de Canas de Senhorim, e O Beijós (sopa de feijão), de Beijós. Ainda comparativamente ao ano passado, foi verificada a ausência do restaurante Morgado, por inesperado falecimento do seu proprietário.
Também as mesmas padarias fizeram a oferta de pão, nomeadamente: Padaria da Soila e Pastelaria Flor de Cabanas, ambas de Cabanas de Viriato; Padaria/pastelaria/pizzaria Salinas, de Carregal do Sal; e Padaria A Seara da Vila, de Póvoa de Midões. Como novidade, aderiram ainda as padarias Monteiro, de Canas de Senhorim, e Qualidade Invejável, de Guarita (Santa Comba Dão). Depois da primeira experiência há dois anos e da ausência no ano passado, também desta vez o pão cozido ao vivo, num forno artesanal ali montado pela Casa Piano, fez surpresa. Dado a comer com molho de manteiga e alho, este pão teve grande procura, até esgotar a farinha levada para o efeito.
Como sempre, toda a gente teve liberdade para comer de todas as sopas ou repetir quantas vezes quisesse a que mais apreciava, sendo, por isso, impossível calcular quantas doses de sopa foram consumidas, mas terão ultrapassado as cinco mil doses (tigelas). Estas tigelas eram vendidas à entrada do recinto a dois euros e meio por unidade, com direito a copo, colher e guardanapo.
Além disso, também nas barracas das treze turmas de alunos a escolha de sopas era muito diversificada, havendo sopas para todos os gostos (pré-escolar – sopa de ervilhas com presunto; 1.º ciclo – sopa juliana; 5.º A – creme de abóbora e mexilhões; 5.º B – sopa de grão com espinafres; 6.º A -canja de galinha; 6.º B – sopa de cenoura; 7.º A – sopa de peixe; 7.ª B – sopa de pedra; 8.º A – caldo verde; 9.º A – sopa de cebola; 9.º B – sopa de legumes; CAD – sopa de feijão; EFA – creme de marisco), o que tornou ainda mais difícil quantificar, em termos gerais, as doses consumidas. Nessas barracas, com tem sido hábito, havia ainda grande diversidade de aperitivos, tais como frango assado, enchidos, presunto, pastéis, rissóis, sardinha frita, queijo, bolos, amendoins e muitas outras iguarias regionais, que alunos, professores, pais e familiares dos alunos davam a degustar gratuitamente.
Cada barraca estava ornamentada de acordo com a temática desta edição do festival – “Histórias com Sopa” – e identificada com o título de uma história infantil, designadamente: pré-escolar – “Branca de Neve e os Sete Anões”; 1.º ciclo – “Três Ursinhos e Caracolinhos de Ouro”; 5.º A – “Os Três Porquinhos”; 5.º B – “A Carochinha e o João Ratão”; 6.º A – “A Galinha dos Ovos de Ouro”; 6.º B – “A Lebre a Tartaruga”; 7.º A – “O Velho, o Rapaz e o Burro”; 7.º B – “A Sopa de Pedra”; 8.º A – “O Coelhinho Branco”; 9.º A – “O Capuchinho Vermelho”; 9.º B – “Sopa Verde”; CAD – “João e o Pé de Feijão”; EFA – “Os 10 Anõezinhos da Tia Verde Água”. A juntar a essas, funcionou também, como habitualmente, uma barraca da Associação de Pais e Encarregados de Educação, mas com venda dos seus produtos para angariação de fundos, na qual a cerveja a copo teve grande procura.
Tornando ainda mais animados os grandes momentos de convívio social, uma marcha popular com alunos da própria EBI, denominada “Marcha do Aristides”, exibiu-se com muita graça e alegria genuína. Surpreendeu com os seus trajes, coreografias e cantares, merecendo que possa ter outras oportunidades de se exibir em público. A animação musical do festival contou com nova actuação do Grupo de Danças e Cantares da Sociedade Filarmónica da própria vila, fazendo prolongar este raro convívio social para além das 22 horas.
“Correu bem, teve mais gente que no ano passado, foi muito bom, ultrapassou as nossas expectativas, apesar da ameaça da chuva”, afirmou José Manuel Figueiredo, director do Agrupamento de Escolas de Cabanas de Viriato, ao «Farol da Nossa Terra». Dito isto, foi com evidente amargura que o mesmo se referiu a esta edição do Festival da Sopa e do Pão como sendo a última actividade do Agrupamento de Escolas de Cabanas de Viriato, considerando que, “em princípio, será extinto daqui a um mês”, segundo disse. Acrescentou: “Espero, sinceramente, que esta actividade não morra, porque acho que é uma coisa fantástica ter estas pessoas todas na escola e a verem as actividades que nós conseguimos desenvolver, assim como também é fantástica toda esta união que se forma na comunidade escolar para oferecermos isto às pessoas; cada turma tem a sua barraquinha, as barraquinhas estão cheias de coisas boas, entregues gratuitamente pelos pais; além das sopas, são as sobremesas, os salgados e tudo o mais. É uma festa que surge como um culminar do ano lectivo, tendo os pais um papel fundamental neste Festival da Sopa e do Pão, que é uma coisa que me orgulha muito, a mim, aos meus colegas de direcção e a toda a gente, porque é uma festa bonita, e espero que ela não morra com a extinção do agrupamento”.
Cabe recordar que o Festival da Sopa e do Pão teve o seu embrião numa actividade do Clube de Saúde da EBI, há oito anos atrás, evoluindo para uma actividade multidisciplinar de convívio e confraternização entre a comunidade escolar e toda a população, pretendendo, ao mesmo tempo, passar uma mensagem pedagógica acerca da importância da sopa e do pão na nossa alimentação, principalmente em relação à sopa, por se ter vindo a desprezar nos hábitos alimentares. “Os bons hábitos alimentares começam no pão e na sopa, e daí termos pensado em fazer este festival com a participação de todas as turmas do Agrupamento”, sublinhou José Manuel Figueiredo, referindo ainda que, desde a primeira edição, o festival foi aberto à participação dos restaurantes em virtude das sopas confeccionadas pelos alunos não serem suficientes para o elevado número de visitantes.
Apesar da amargura que agora o assola, o director do Agrupamento mostrava-se, como em todas as anteriores edições do festival, um homem feliz, e bastava a boa imagem que a EBI e o Agrupamento passaram à comunidade com mais esta grandiosa actividade para ter razões de assim se sentir. Os parabéns são-lhe de todo merecidos, bem como à sua equipa de trabalho e a todos quantos contribuiriam para algo que dificilmente virá a ser melhor.
.
A anunciada extinção do Agrupamento
.
Provavelmente, a partir do dia 1 de Agosto, o Agrupamento de Escolas de Cabanas de Viriato, incluindo a Escola Básica Integrada Aristides de Sousa Mendes, sede do mesmo, deixa de ter autonomia administrativa e financeira, o mesmo sucedendo com o Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal e a Escola Secundária, passando a constituir um único agrupamento, que será gerido, durante um ano, por uma comissão administrativa provisória.
A comissão administrativa desse agrupamento, possivelmente denominado Agrupamento de Escolas do Concelho de Carregal do Sal, será constituída pelos actuais directores dos agrupamentos e da Escola Secundária, cabendo à directora regional de Educação nomear qual dos três presidirá a comissão. Por sua vez, esta comissão vai promover a eleição de um novo Conselho Geral, assim como de um novo Conselho Pedagógico e de um novo Conselho Administrativo. Depois, o Conselho Geral irá promover a eleição do novo director, que entrará, à partida, em funções em Agosto de 2011, portanto, no ano lectivo de 2011/2012.
Esta informação foi prestada ao «Farol da Nossa Terra» por José Manuel Figueiredo, responsável do Agrupamento de Escolas de Cabanas de Viriato, no seguimento das declarações que o mesmo concedeu acerca da edição deste ano do Festival da Sopa e do Pão, apontando-a como sendo a última actividade do Agrupamento de Escolas de Cabanas de Viriato.
“Vejo tudo isso com muito maus olhos”, disse o mesmo ao ser questionado como via essa alteração administrativa, e acrescentou: “Eu, e disse-o na reunião com a Sra. Directora Regional, sou absolutamente contra, acho que vão estragar o que de bom se construiu em Cabanas”. Entende que essa alteração não será uma mais-valia para algum dos Agrupamentos nem para a Escola Secundária, argumentando: “Não acho que esse tipo de estrutura com uma comunidade única de gestão seja benéfica para alguma escola, deixamos de ter nas escolas uma gestão de proximidade, deixamos de ter o director que resolve as situações na hora, que agiliza processos. Aqui, em Cabanas, passamos a ter um director que está a oito quilómetros e, por mais rápido que seja a internet ou o telefone, não é a mesma coisa que estar aqui, na escola. Portanto, isso vai complicar e vai prejudicar os alunos de Cabanas de Viriato, foi o que eu disse à Sra. Directora Regional.
José Manuel Figueiredo admite que também a estrutura da EBI venha a ser mudada: “A minha convicção é que este ano fica tudo na mesma, mas para o ano vai mudar. Penso que, quando o director estiver eleito, vão pedir-lhe para reestruturar o Agrupamento, e Cabanas, por certo, vai ficar a perder. Fechar a EBI, não acredito. Com o investimento que está feito aqui, seria um desperdício fechar-se uma coisa destas. Isso é muito pouco provável”.
Para quem esteve à frente da EBI desde a sua fundação, há dez anos, essa alteração administrativa é vista com muita tristeza, expressando assim o que sente: “É um sentimento de tristeza, por um lado, porque foi uma década de trabalho cumprido e levado a bom termo; acho que o trabalho desenvolvido aqui, em Cabanas, é um trabalho que não envergonha ninguém, e sinto-me muito triste por, em termos de director, ter que deixar o Agrupamento e por ver que estas conquistas todas, conseguidas em dez anos, poderão estar, de alguma maneira, hipotecadas”.
Depois de tanto sucesso de gestão e de tantas vitórias conseguidas ano a ano, é perfeitamente compreensível a tristeza do director do Agrupamento de Cabanas de Viriato, assim como o receio de que as conquistas conseguidas possam estar hipotecadas, em prejuízo dos alunos de Cabanas de Viriato.
Lino Dias
2 Comentários
Deixe um Comentário
Cronistas
Agenda
- Comemoração do Dia Internacional dos Museus
- MISTÉRIOS DO AQUÉM E DO ALÉM
- SECRET LIE
- FUTEBOL
- Forlife – Desporto, Bem-Estar
- Caminhada Nocturna
- FESTEM – Gradim à Janela da Ausência
- Vozes e Rituais no Tempo
Comentários Recentes
- Parabéns Dr. Já era tempo de termos um c...
- Fez bem António Baptista em referir o fa...
- Foi muito bom o encontro! Estivemos todo...
- Uma iniciativa muito válida, a aposta fo...
- Por vezes tenho imensa dificuldade em en...
- Bom, creio que foi realmente um momento ...
- Caro João Martins
Relativamente às even...
- gostava de saber quando abrirao as novas...







Ora, se bem entendo, a directora regional da educação (tacho do PS) vai como é obvio designar como futuro director uma pessoa ligada ao PS.
Até já se sabe quem é (também não será dificil adivinhar), mais uma vergonhosa instrumentalização Politica de um sector (educação)que devia ser completamente autónomo do poder.
É com grande tristeza que vejo o fim deste agrupamento. Trabalhei lá durante 3 anos e recordo-os com muitas saudades. O espírito de companheirismo que havia entre toda a comunidade escolar não é fácil de encontrar nos dias que correm.Resta-me o consolo de ter conhecido pessoas excepcionais quer humanas quer profissionais e, hoje, alguns fazerem parte do meu grupo de amigos. Os meus alunos também eles moram no meu coração.É pena que o poder político estrague o que está bem !!