Quinta, 09 Fev 2012

Carnaval — Quinta-feira, 18 Fevereiro 2010 — 12 Comentários

Carnaval de Cabanas de Viriato – Dança dos Cus cumpriu a tradição apesar da chuva não ter dado tréguas

Imagem 001.jpgDepois de se ter apresentado soalheiro no domingo, favorecendo o desfile das crianças, o tempo pregou a partida na segunda e na terça-feira ao desfile da Dança dos Cus, atracção principal do genuíno Carnaval de Cabanas de Viriato.

À maior intensidade de chuva na segunda-feira correspondeu, obviamente, uma menor adesão de foliões, mas mesmo assim uma boa quantidade de resistentes levou até ao fim a volta que a Dança Grande, mais conhecida por Dança dos Cus, outrora chamada de Contradança e Dança do Bombo, fez pela parte norte da vila, ganhando a admiração dos populares que rumaram até Cabanas de Viriato na expectativa de não saírem defraudados com a adversidade do tempo, incluindo excursionistas ali deslocados em autocarros.

Também chuvoso, mas menos penalizante, o tempo na terça-feira permitiu que a adesão de foliões aumentasse e com isso a Dança dos Cus se aproximasse um pouco das habituais multidões, dessa vez percorrendo a parte sul da vila. Tal como no dia anterior, a tradição cumpriu-se e, apesar de ter ficado aquém das multidões nos dias de bom tempo, a adesão saldou-se em número de alguns milhares de foliões.

A espontaneidade e a improvisação, características genuínas que fazem o sucesso do Carnaval de Cabanas de Viriato e marcam a sua diferença, estiveram bem patentes na persistência com que jovens e adultos, excedendo as três centenas de pares, faziam tocar os “traseiros” uns nos outros ao ritmo da velhinha Valsa do Carnaval, executada por antigos e actuais executantes da Banda Filarmónica da própria vila. A juntar a isso, o colorido e a beleza dos trajes causavam admiração acrescida e surpreendiam todos quantos se apinhavam ao longo do percurso a apreciar o desfile, deixando perceber que não ia ser tarefa fácil para o júri do concurso seleccionar os melhores trajes.

Terminado o desfile, seguiu-se de imediato o processo final da votação para atribuição dos prémios aos trajes seleccionados (15 individuais e 12 grupos), novamente com lugar no salão da Sociedade Filarmónica. Desta vez houve novidade na constituição do júri, substituindo-se a habitual representação de seis instituições da própria vila pelos sete presidentes de Junta de Freguesia do concelho de Carregal do Sal. Outra novidade no júri foi a de que no concurso dos grupos se juntou aos presidentes de Junta representação de cada grupo seleccionado.

No concurso individual, o 1.º prémio coube ao disfarce Nobreza, contemplado com um mini forno eléctrico, enquanto que o 2.º prémio (Pilipilé) e o 3.º prémio (Padre) receberam um robot de cozinha e uma máquina de café, respectivamente. Foram ainda entregues prémios até ao 10.º lugar (4.º – microondas, 5.º – máquina de pão, 6.º – fritadeira, 7.º – mini aspirador, 8.º – batedeira, 9.º – secador, 10.º – balança WC). Em grupos, os três primeiros lugares foram premiados com dinheiro: 1.º – Pierrots (cheque de 175 euros); 2.º – Coelhos (cheque de 125 euros); 3.º – Tribo D’Alegria (cheque de 75 euros). Houve também prémios até ao 10.º lugar, cabendo um presunto e uma garrafa de vinho aos 4.º, 5.º, 6.º e 7.º classificados e um presunto aos outros três grupos.

A feira anual, onde se vendia de tudo e que a Associação do Carnaval promove há meia dúzia de anos, e as barracas de farturas e de comidas e bebidas estiveram concorridas, mas não tanto como em edições anteriores, devido principalmente à chuva, ainda que a famigerada “crise” também possa ter surtido os seus efeitos.

Repartidos pelos três dias, o grupo de bombos “Os Viriatos”, da Associação do Carnaval, e o grupo “Zés Pereiras” de Oliveira do Conde também contribuíram para a animação deste Carnaval, o qual se saldou pela positiva, apesar de a chuva não lhe ter dado tréguas, o que louva ainda mais o querer e a competência dos seus organizadores.

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Presidente da Associação do Carnaval
critica a Autarquia e a Região de Turismo nos apoios

Para o presidente da direcção da Associação do Carnaval, Fernando Campos, “o Carnaval de Cabanas de Viriato deste ano, apesar das condições climatéricas não terem sido as melhores, quer pela chuva ou pelo frio, foi mais uma vez um êxito”. No Carnaval da Criança, de domingo, destacou o favorecimento do desfile com a não inclusão dos pais, saindo assim a participação das crianças e os seus trajes mais evidenciados. “Foi muito bom”, frisou em opinião prestada ao «Farol da Nossa Terra». Mesmo em relação à segunda e à terça-feira, mostrou-se optimista: “Apesar da chuva, foram também uns dias agradáveis”.

O optimismo de Fernando Campos só esmoreceu em relação aos apoios: “Este genuíno Carnaval deveria ter um apoio mais consistente por parte da nossa autarquia”. O seu desagrado, nesse aspecto, virou-se também para a Região de Turismo do Centro: “Depois do desaparecimento do anterior presidente, Dr. José Manuel Alves, a Região nem uma simples resposta deu até agora a qualquer pedido de apoio”. Recordou então que o falecido ex-presidente da Região de Turismo do Centro sempre apoiou o Carnaval de Cabanas de Viriato, e sublinhou: “Chegava mesmo a dizer, quando solicitávamos uma reunião, que ele é que se deslocava à nossa terra, não seríamos nós a fazê-lo. Agora, uma certeza nós temos, todos os anos somos abordados pelos vários sectores da Região a saber se há Carnaval e se o programa já está feito. Esta realidade faz-nos lembrar quando estávamos na Região de Turismo Dão Lafões”.

Não será a falta desses apoios que a Associação do Carnaval de Cabanas de Viriato deixará cair a tradição. Garantiu-o Fernando Campos dizendo: “A equipa desta Associação de Carnaval tentará com todas as suas forças levar por diante esta tradição, o nome de Cabanas de Viriato e do Concelho de Carregal do Sal, ombreando com Carnavais de renome que têm apoios fabulosos”.

A propósito, apetece transcrever um excerto de uma resposta da entrevista que Gaspar da Costa, ex-presidente da Região Turismo Dão Lafões, deu ao Jornal do Centro, publicada no passado dia 12 de Fevereiro: «Ficou lá um espinho e o que mais me doeu foi saber que Carregal saiu porque não lhe dei uma verba para a dança do Carnaval». A resposta referia-se à saída de Carregal do Sal da Região de Turismo Dão Lafões para a Região de Turismo do Centro, considerando-a Gaspar da Costa como o momento mais triste que teve à frente da Região de Turismo Dão Lafões.

Uma coisa é certa, algo há a fazer por quem de direito!…

12 Comentários

  1. Filipa Rodrigues diz:

    Parabéns Capital do Carnaval, nem a chuva e nem o frio param a tradição.
    Excelente organização!!!

  2. mystic diz:

    para muitos O Carnaval de Cabanas , não é “cultura”,é triste.Quero dar os parabéns a todos os que trabalharam para o realizar mais uma vez,é uma demonstração da grandiosidade deste evento,que tanto nos enche de orgulho..Parabéns

  3. João Tó diz:

    Olá, mystic. Parabéns por reconhecer que para muitos (e não só para alguns) o carnaval não é cultura. Como a sua origem o comprova, o carnaval é uma brincadeira , uma festa carnavalesca que se tornou tradição.
    Confundir brincadeira carnavalesca com cultura pura,isso é que é triste.

  4. mystic diz:

    Caro João Tó, pois é dificil saber o que é Cultura , alguns acham que sabem o que é!!Mas se fizer uma investigação sobre a origem centenária deste CARNAVAL e aí pode aprender alguma coisa sobre cultura genuina e popular.Mas até o compreendo num País que quem ler um Livro é cultura (iva5%) quem quer ouvir um CD (iva20%) é um Luxo… , ter um concelho que gasta rio de dinheiro em festa do concelho,(é cultura), colocar piso sintético no campo de futebol sem ser camarário para uma equipa que anda nos distritais , é cultura… “brincadeiras Carnavalescas” que animam milhares de pessoas de uma forma gratuita …Eu sei que muita gente do nosso Concelho não aceita muito a grandiosidade deste Carnaval , mas a mistica dele é tão grande que por mais criticas que façam só o fazem crescer mais…

  5. João Tó diz:

    caro ou cara, mystic
    louvo-o/a por defender o que é da nossa terra, que é o mesmo que dizer a nossa “prata da casa”, como se diz na gíria. contudo, não queira com isso ajudar a branquear as verdadeiras e gritantes carências culturais (menos sentidas em Cabanas, é certo) que se sentem neste cada vez mais empobrecido concelho. se não consegue entender isso dessa maneira, admita ao menos que estará a falar sozinho/a. A descrição que faz no seu último comentário é uma “dor de cotovelo”, que por isso fica sem resposta da minha parte. não imagine que sou contra o carnaval da nossa terra, pelo contrário, sou seu apoiante e colaborador, mas isso não altera em nada a visão que tenho de determinadas carências culturais no concelho. por minha vontade, será a última resposta que lhe dou a comentários sobre este assunto, se teimar em demonstrar que bastam as folias do carnaval para preenchimento da sua satisfação cultural.

  6. mystic diz:

    Em relação há Cultura do nosso Concelho sou o primeiro a concordar consigo sobre as carências existentes,a cultura existente é nos dada só pelas associações que fazem um grande trabalho.
    Agora sou o primeiro a reclamar que neste concelho houve sempre grandes investimentos, mas a cultura nunca foi uma aposta da nossa Autarquia, nem mesmo com a construção da Casa da Cultura que concordará que além de mal situada ninguém percebe bem o que é aquilo nem porque ainda não funciona…
    Sou Cabanense e defendo sempre a minha terra , mas acredite que não sofro de “rivalidade” com a sede do nosso Concelho,defendo-o,porque tem boas gentes e com valor,e também gostava que houvesse oferta cultural com qualidade, mas infelizmente não acontece…
    Nao existe “dor do cotovelo” da minha parte , em termos desportivos o nosso Concelho também está pobre , e em vez de termos 2 equipas seniores eña mesma divisão e mais algumas infantis , não acha que se não houvesse “rivalidades”, poderiamos ter somente 1 equipa senior onde todos nos poderiamos orgulhar e uma equipa em cada freguesia das camadas infantis em vez desta situação actual que se gasta mal o dinheiro autarquico.
    um Abraço

  7. clara diz:

    Concordo perfeitamente com o vosso comentário acerca da falta de cultura no nosso concelho, mas acredito que mais do que a falta de cultura existe a falta de vontades de fazer mais melhor e diferente. Todos esperam que os outros façam alguma coisa mas ninguém toma iniciativa. E quem ainda tem vontade não o consegue levar a cabo porque o problema está também nas elites.

    Porque estamos na era do super tacho, ou melhor no tempo em que o que interessa são as chamadas cunhas e não o valor e conhecimento das pessoas.

    Em relação ao carnaval eu sou super apoiante, quanto mais não seja para as pessoas libertarem a imaginação e rirem sem medos nem restrições.

    Sou super fã deste carnaval, e apesar de não ser cabanense apoio todos os que trabalham em prol do mesmo. No entanto tenho ficado cada vez mais desiludida porque cada vez mais vejo a criatividade a baixar e assim como a vontade dos participantes.

    Há muito que ouço queixas acerca dos concursos ou porque os vencedores são sempre os mesmos ou porque os votos são manipulados, ou que têm que ganhar sempre da terra.

    Para confirmar fui assistir à atribuição de prémios e realmente foi lastimável.

    Primeiro devo dizer que os participantes poderiam ter sido mais criativos. Depois não percebo a ideia de pôr os Sr.s presidentes da junta a votar.
    E por fim o resultado foi a gota de água.

    Nem vou comentar os prémios individuais porque nem havia concorrentes espectaculares e algumas classificações foram ridículas.

    Em relação ao concurso de grupos, o grupo vencedor de original não tinha nada, e apesar de ter muitos elementos e cores, no desfile era mais um grupo e n “O Grupo”.

    Gostava de dar os parabéns ao grupo da tribo de índios, dos miúdos da escola das novas oportunidades e do grupo Alice país das maravilhas, esses sim criativos, bem executados e foram os mais falados pelo público.

    Acho que deveriam ser estes os parâmetros de avaliação e acho que se não mudarem de atitude em relação aos concursos as pessoas começam a desistir de participar e aí vai perder toda a piada.

  8. João Tó diz:

    saúdo o contributo de Clara neste episódio respeitante ao carnaval e registo com apreço a sua visão dos acontecimentos.
    mas, voltando ao trocadilho com mystic, registo também com agrado o entendimento que aproximou as nossas maneiras de ver a cultura na vertente que a temos discutido.
    puxou à baila o caso do futebol, e subscrevo quase em tudo a sua apreciação, mas é modalidade que não aprecio e faço por que ela me passe ao lado.
    outro assunto que trouxe à baila foi a “casa da cultura”, e calculo que se esteja a referir ao edifício do futuro denominando “centro cultural”, e aí já entramos num campo em que prefiro pronunciar-me.
    se dúvidas houvesse de que a visão de cultura por quem governa o nosso concelho é muito atrofiada, valendo-se do trabalho e da voluntariedade dos directores e colaboradores das associações, mesmo assim mal reconhecidas nos apoios, essa dúvidas estão tiradas com a localização e a demora da entrada em funcionamento desse edifício, atirado para uma nesga de terreno que sobrou a um canto de outras construções.
    A CULTURA NESTE CONCELHO É ATIRADA PARA UM CANTO, é a imagem que aquilo dá!
    Depois, a paisagem que se avista das suas varandas e vidraças só pode ser ao gosto de quem arquitectou aquilo: para um lado é a parede do edifício da câmara, para o outro é a parede dum edifício de habitação embargado.
    resultado: MAIS PARECE UM MONO!
    isto sem falar de coisas que já tiveram de ser alteradas interiormente.
    mais valia terem recuperado o antigo quartel dos bombeiros, ao abandono há 20 anos, outra das muitas nódoas na já estafada governação do nosso concelho.
    valha-nos isso, a nossa terra, cabanas de viriato, que pelos vistos já deixou de ser a apregoada segunda terra do presidente da câmara, continua a ter condições para se rir de tudo isso.

  9. mystic diz:

    Ao Sr João Tó é com agrado que leio este seu comentário , subscrevendo-o na integra, é muito lúcido e verdadeiro, mas infelizmente quem pode ou poderia mudar algo e que estão há muito tempo no poder nada fazem…
    Os comentários da Clara também concordo , não assisti a atribuição dos prémios mas sei + ou – do que se passou , também lhe posso garantir que apesar de todas as injustiças , sei que A Associação de Carnaval , tenta arranjar soluções para haver um juri imparcial,na minha humilde opinião a votação seria somente entre os grupos.
    Já participei diversas vezes também em grupos também já ganhei prémios actualmente participo mas nem vou à atribuição de prémios.
    E tenho uma opinião muito própria sobre quem participa, eu acho que todos os grupos de Cabanas deveriam ter o bom senso de não entrar na votação e deixarem os grupos fora da terra serem eles premiados, porque para nós é muito importante que pessoas de fora venham participar, porque isso é que faz a grandeza do nosso Carnaval…

  10. clara diz:

    Concordo plenamente com a sua crítica ao estado da cultura e ao tratamento que lhe é dado no nosso concelho.

    No entanto gostaría de mencionar uma iniciativa que considero louvável e que deveria servir de incentivo a outros grupos. É o caso do grupo de teatro NACO.

    A eles os meus parabéns pela iniciativa e pelo seu trabalho.

  11. antónio aguiar diz:

    Dizer que o Carnaval não é cultura é , no mínimo, caricato e inédito. Não vou falar das suas origens quer na Grécia quer em Roma, limito-me ao tão nosso carnaval português. Assim, no nosso concelho lembro as famosas”cegadas” que não são mais do que a continuidade do que Mestre Gil há 600 anos transformou em teatro.Elas satirizam mordazmente o quotidiano das pessoas de uma aldeia ou de uma vila e repare-se que os seus autores, salvaguardando as devidas distâncias,fazem como Gil Vicente fazia nas suas Farsas e autos,limitam-se a rimar e a ritmar a linguagem de todos os dias, fazendo do “ridendo castigat mores” o expoente máximo desta manifestação.O Carnaval de Cabanas são as “cegadas” e a “Dança Grande” ou “Contra Dança” e lá vemos de tudo, uma valsa transformada em música carnavalesca que move toda a gente desde o mais humilde ao mais rico.Discordo plenamente com o abandalhamento que lhe fizeram colocando-lhe o nome que agora lhe puseram(dança do cu), mas só, isso sim, só reflecte a falta de cultura de quem o fez.E Lazarim não é cultura? e a “Serração”, crítica reminiscente e feroz aos antigos autos Fé(Queima da Velha) não é Cultura?O abrasileiramento do que deveria ser português é que é uma cópia lamentável, pois o próprio conceito de cópia, demonstra falta de imaginação…

  12. Adelino Borges diz:

    Mas, ainda há dúvidas do quanto representam estes belos momentos de Carnaval? Então se não fossem esses dias de grande despique regional, certamente que a vida que tantos espinhos tem, ora vivam todos cada qual no se meio e não se deixem mergulhar na monotonia ,porque ,apesar da crise,a vida é bela quando se aproveitam os melhores momentos….(E vivam as organizações)

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