Espectáculos — Segunda-feira, 19 Dezembro 2011 — 2 Comentários
Ciclo de “tradicionalidades do canto, da dança e da música” conheceu novo êxito com um concerto monográfico de cavaquinho
Num ambiente contagiante e pedagógico, o Auditório Maria José Cunha, da Fundação Lapa do Lobo, acolheu na noite de sábado, 17 de Dezembro, um invulgar concerto monográfico de cavaquinho, precisamente o quarto evento cultural do ciclo «Tradicionalidades do Canto, da Dança e da Música» que a própria Fundação tem vindo a dinamizar em parceria com o lapense Pedro Fonseca, um entusiasta desta temática cultural.
Cumprindo a promessa feita um mês atrás, ante o entusiasmo do público que assistiu ao excelente concerto acústico do grupo de cordas da secção de fado da Associação Académica de Coimbra (AAC), Pedro Fonseca trouxe agora ao mesmo palco o responsável musical daquele grupo, Amadeu Magalhães, professor de instrumentos tradicionais (cavaquinho, bandolim, guitarra, concertina, flauta e gaita de foles).
Acompanhado à guitarra por Miguel Veras, o especialista convidado, conhecido por trabalhar com os Realejo, grupo de que é responsável desde 1990, Fausto, Dulce Pontes, José Cid, Roberto Leal, Né Ladeiras, Brigada Vítor Jara, Anabela, Paulo Bragança, Paulo de Carvalho, Luís Represas, entre outros, entusiasmou uma assistência de 70 presenças e a todos impressionou na sua forma diferente de tocar cavaquinho, explicando ao mesmo tempo as técnicas de execução e os pormenores rítmicos, harmónicos e melódicos daquele instrumento.
Num ambiente que acabou por se tornar informal, pela dinâmica que foi sendo criada entre a plateia e o palco, viveu-se uma noite especial, de duas horas e meia de espectáculo, que deu ocasião à interpretação de Laurindinha, Rosinha do meio, Corridinho, Alecrim, Music for a found harmonium, Quadrilha menor, O anel que tu me deste, Não vás ao mar Toino!, Vai-te lavar morena, Polkas, Palaciana, Ó meu menino Jesus, Laranjinha, São Gonçalo de Amarante, e Vira Minhoto, sempre com algumas notas explicativas entre cada uma destas músicas. A constituição do instrumento, a amplificação de som, a comparação de escalas entre o cavaquinho e a guitarra, a diferença de sonoridade do trémulo do cavaquinho e da guitarra, a diferença entre o cavaquinho brasileiro e o cavaquinho português, as técnicas da guitarra clássica para fazer melodias, o tipo e a espessura de cordas, as afinações, etc., foram aspectos que ia abordando, umas vezes por iniciativa sua, outras vezes para satisfazer questões que eram colocadas por Pedro Fonseca e até por outras pessoas da plateia ligadas à música.
Em depoimento ao Farol da Nossa Terra , Pedro Fonseca disse que este concerto enquadrou-se numa lógica que o ciclo Tradicionalidades do canto, da dança e da música está a trabalhar, dedicando alguma atenção aos instrumentos de forma individual, com o objectivo de perceber o potencial de cada um deles. Na continuidade desse propósito, brevemente irão ser tratados a viola braguesa, o bandolim, a gaita de foles, a flauta, a concertina, etc., tendo por público-alvo os grupos e tocadores da região que trabalham ou se interessam pelos instrumentos tradicionais.
O ciclo foi iniciado com uma exposição de 42 instrumentos tradicionais portugueses, pertença de Pedro Fonseca, e de trajes típicos de três regiões do país, pertencentes ao grupo de danças e cantares do Centro de Desporto, Cultura e Receio do Pessoal (CDCR) dos CTT de Coimbra, a qual decorreu na galeria da Fundação Lapa do Lobo desde 30 de Julho até 30 de Novembro. Seguiu-se um espectáculo de etnografia e folclore, em 22 de Outubro, no salão da Associação Desportiva e Cultural Lapense, com a actuação daquele grupo de danças e cantares, e o concerto acústico do grupo de cordas da Associação Académica de Coimbra (AAC), dia 12 de Novembro, no auditório Maria José Cunha.
Com este concerto monográfico são já quatro os momentos que o ciclo Tradicionalidades do canto, da dança e da música produziu. “Começa já a notar-se uma certa fidelização de determinado público, o que muito nos agrada”, realçou Pedro Fonseca. Segundo adiantou, a breve prazo, será dado início a um conjunto de sessões de formação, mas continuando a haver, dentro da lógica daquele ciclo, momentos mais direccionados a um público específico e outros mais direccionados para o público em geral, sob a forma de espectáculos.
As opiniões recolhidas no final do espectáculo de algum tipo de público que ali esteve pelo espectáculo, e não por tocar algum instrumento, “foram muito positivas e encorajadoras” para Pedro Fonseca, conforme frisou, mostrando-se, por isso, convicto que a médio prazo “estes eventos acabarão por dar os seus frutos”.
Lino Dias
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Com quatro cordas apenas…
Olha o som que aquilo tem
Pois…
Já vi instrumentos com mais cordas a tocarem menos música.
Fiquei com a sensação que a questão está nos dedos e não no número de cordas.