Sexta, 18 Mai 2012

Hélio Bernardo Lopes — Sexta-feira, 27 Janeiro 2012 — 0 Comentários

COM COMUNHÃO DE BENS E DE MALES

HÉLIO BERNARDO LOPES *
HÉLIO BERNARDO LOPES.jpg.

Como deve ser usual por toda a parte do Mundo, também em França terá lugar a envolvência de boa parte da comunicação social na vida pessoal e íntima das pessoas, até mesmo das famílias, procurando tratar estas por via do pensamento único que tem vindo a fazer escola, em boa medida por via do poder das modas e de uma forma acéfala.
Terá sido a esta realidade que Anne Sinclair, casada com Dominique Strauss-Kahn, se referiu há dias, numa sua entrevista recente. A uma primeira vista, e sem ter lido a mesma, Anne Sinclair terá sido confrontada com um noticiado divórcio do marido, ao que respondeu com as armas próprias de quem se recusa a seguir o que alguns acham que deveria fazer.
Devo dizer que fiquei deveras admirado, porque este tipo de pensamento próprio, livre e independente do que se vai noticiando sobre a vida de cada um de nós, lamentavelmente, começa a ser por estes dias coisa já um pouco rara.
Com essa referida admiração, foi como ouvi de Anne Sinclair a afirmação forte de que é uma mulher livre, que não é santa nem vítima, e, sobretudo, não admitindo ser julgada. Bom, digo agora eu, simplesmente fantástico e já de grande raridade nos dias que passam. Não esteve Anne Sinclair com meias medidas, deitando o politicamente correto e a má-língua para o lugar mais apropriado.
Mas disse mais, repisando estas anteriores considerações: é livre de tomar as suas decisões e de decidir a sua vida. Como pode ver, caro leitor, uma mulher determinada, que sabe decidir por si, mesmo nas situações da sua vida familiar que possam envolver um juízo moral sobre a pessoa que ama.
O que Anne Sinclair mostrou para já é que ama o seu marido e que interpreta o seu casamento com comunhão de bens e de males, digamos assim. De resto, é minha convicção de que Anne de há muito deveria saber das caraterísticas do marido, mas nem por isso deixando de o amar e de o tentar emendar. E, no caso mais recente, ela saberá ainda bem mais do que o que eu logo percebi ao início da armadilha que foi montada a Dominique Strauss-Kahn. Uma MULHER DE ARMAS!

* Antigo professor e membro do Conselho Científico da Escola Superior da Polícia

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