Convívios — Terça-feira, 30 Junho 2009 — 1 Comentário
Comemoração do 70.º aniversário da fundação do extinto colégio Nun’ Álvares de Carregal do Sal
Antigos alunos e professores do extinto Colégio Nun’ Álvares de Carregal do Sal voltaram a reunir-se no sábado, 27 de Junho, em mais um encontro anual de confraternização, desta vez acrescido do especial significado da comemoração do 70.º aniversário da fundação daquele estabelecimento escolar.
O reencontro dos 170 participantes neste novo convívio começou no salão nobre dos Paços do Concelho, onde foram recebidos, cerca das 11 horas, pelo presidente da Câmara Municipal de Carregal do Sal, Atílio dos Santos Nunes.
Coube a Maria Arminda Pires, professora aposentada e uma das mais antigas figuras ligadas à fundação do Colégio, agradecer a recepção naquelas instalações, que lhe mereceram rasgados elogios, e saudar todos quantos se associaram à comemoração de tão importante data do majestoso e saudoso Colégio Nun’ Álvares. Realçou, então, a importância que o Colégio teve na vida dos seus alunos, seguindo a maioria carreiras brilhantes em todos os sectores da sociedade, tanto no nosso país como no estrangeiro.
Na sua brilhante alocução, a D. Arminda, como é por todos carinhosamente tratada, salientou a coincidência do 70.º aniversário do Colégio com o ano de santificação de D. Nuno, seu patrono. Além disso, referiu que a melhor notícia que acabara de saber foi a de que o edifício do Colégio vai entrar em obras e acolher o Centro Educativo de Carregal do Sal. Dito isto, pediu ao presidente da Câmara que mantenha nas novas instalações a lápide em memória de D. Maria Rita, antiga directora do Colégio. Nos seus apreços finais, também o livro de Hermínio Cunha Marques comemorativo do cinquentenário do Colégio mereceu especial referência.
Finda a sua intervenção, foi a mesma homenageada pelo autarca carregalense com uma placa da Câmara Municipal contendo uma inscrição de reconhecimento da sua prestação e do seu contributo dados ao Colégio Nun’ Álvares.
Seguidamente, Maria da Graça Ramos (“Gracinha”), professora, filha de D. Maria Rita, fez uma resenha histórica do Colégio, lembrando algumas das principais etapas da sua existência e recordando algumas vivências desses tempos. No final, ofereceu ao presidente da Câmara e a cada uma das cinco professoras que lhe fizeram companhia na mesa de honra um galhardete com os símbolos do Colégio, precisamente uma miniatura da bandeira que a mesma transportava.
Após a cerimónia de recepção nos Paços do Concelho, foi celebrada uma missa pelo pároco José António Almeida, na Igreja de São Brás, em memória de alunos e professores falecidos. Por fim, seguiu-se o habitual almoço de convívio, também desta vez servido no Restaurante da Quinta do Cabriz, em Carregal do Sal, onde alunos de diferentes gerações voltaram a matar saudades dos tempos de estudantes, fortalecendo, ao mesmo tempo, os seus laços de amizade.
Lino Dias
(Fotos do almoço cedidas por: Luís Filipe Perdigão)
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70º ANIVERSÁRIO DO COLÉGIO NUNO ÁLVARES
Acredito que continuem a gostar de mim,
Fui sempre amigo e dedicado
Estive sempre à altura e nunca assim assim
Mesmo para aqueles que saltavam o valado
Mais uma vez hoje aqui vim
Para dizer que estou bem vivo e artilhado.
Os meus guardas são excepcionais
Embora haja para aí uma pequena dissidência
Ninguém jamais estará a mais,
Porque a palavra de ordem é a sã convivência,
Que avancem os generais
Dando exemplo de pertinácia e paciência.
Já não sei de mim a vetusta idade
Vocês melhor a saberão,
De mim em vós está a verdade
Reconheço por vezes sábio, por vezes sensaborão,
Quem é que não sente vaidade
Quando fomos nessa época incandescente lampião?
Tenho saudades do passado
E daquela excelsa juventude,
Nunca está tudo terminado
Resta muito ainda da virtude,
Ficarei sempre afamado
Porque fui honesto tanto quanto pude.
Ergui bem alto a educação
Em momentos conturbados,
Inexcedível foi a minha lição
No seio dos mais acomodados,
Libertação da prisão
Das peias da ignorância os atrasados.
Soltei o grito da vanguarda
No campo da hostilidade.
Recebi sempre a nostalgia da melhor guarda,
Embora doesse, era a verdade
Hoje sem uma réstea de mansarda,
Mas comigo estarão, eternamente, os valores do HUMANISMO E DA SAUDADE.
FILIPE BELO
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O valor simbólico das Comemorações dos 70 e dos 50 anos do ex-Colégio como marco referencial quer cultural e social quer mental dos jovens que o frequentaram, ultrapassou as fronteiras do simples encontro da amizade para se localizar no patamar do SABER que a todos nós transformou em seres pensantes e responsáveis, ao tempo da inexistência de escolas, num País, de então, abafado pelo obscurantismo e isolado dos saberes da Europa Livre. Só por este facto, como prova de gratidão pelo PRIVILÉGIO em termos tido um Colégio de QUALIDADE, no nosso concelho, merecia o maior respeito por parte daqueles que se não dignaram compartilhar nesta data como luta contra a ignorância e o analfabetismo!!! Ao que me parece, não “aprenderam a lição” nem compreenderam o “esforço e empenho” dos nossos mestres, que numa dedicação quase sem limites, se empenhavam pela “construção” de gente válida, pisando já os caminhos do futuro.
Ainda, hoje, deram mostras desse sentimento de se “ser professor” ao se deslocarem a esta festa rodeados por aqueles que os souberam reconhecer!
Bem-Hajam pelo exemplo e mensagem que nos deixaram e pela humildade que transmitiram em serem ainda verdadeiros MESTRES!!!