Assistência Social — Terça-feira, 4 Novembro 2008 — 0 Comentários
Comemoração dos 50 anos da Fundação Comendador José Nunes Martins
No dia 1 de Novembro a Fundação Comendador José Nunes Martins, de Oliveira do Conde (Carregal do Sal), comemorou meio século de existência.
As cerimónias comemorativas, realizadas ao início da tarde, foram principiadas com a deposição de uma coroa de flores junto ao busto de José Nunes Martins pelo presidente do Conselho de Administração da Fundação, Atílio dos Santos Nunes, e pelo presidente da Administração Regional de Saúde do Centro, João Pedro Pimentel, perante uma guarda de honra composta por bombeiros das corporações de Carregal do Sal e de Cabanas de Viriato e por socorristas da Delegação da Cruz Vermelha Portuguesa de Oliveira do Conde. Também representações da Sociedade de Educação e Recreio e da Associação do Grupo Zés Pereiras, da própria povoação, marcaram presença, exibindo os respectivos estandartes.
Seguiu-se um minuto de silêncio em homenagem a todas as pessoas que estiveram ligadas à Fundação, o qual foi igualmente cumprido pelos populares que se associaram às comemorações, em número de cerca de sete dezena de presenças. As cerimónias prosseguiram com o descerramento, no átrio do edifício da Fundação, de placa alusiva aos 50 anos desta instituição.
Seguidamente, as individualidades tomaram lugar num palco móvel, instalado no exterior daquele edifício, dando vez aos discursos de circunstância. Na qualidade de administrador anfitrião, Atílio dos Santos Nunes foi o primeiro a usar a palavra, recordando então a sua ligação à Fundação e às pessoas que com ele têm partilhado a vivência da mesma.
Orador seguinte, João Cruz, director-adjunto do Centro Distrital de Segurança Social de Viseu, salientou o esforço e o contributo da Segurança Social a instituições do género e adiantou que as valências da Fundação passam para Lar de Idosos.
Vasco Jorge Almeida, vice-presidente da Câmara Municipal de Carregal do Sal, usando depois da palavra, recordou momentos passados na Fundação enquanto ali exerceu a sua profissão de médico. Sem esquecer a solidariedade de José Nunes Martins, o representante da Câmara Municipal reportou-se a outras pessoas que muito deram à Fundação, lembrando, em particular, António Pinto de Campos, que durante muitos anos esteve à frente do então Posto de Socorros, conhecido por Hospital Concelhio de Oliveira do Conde. Terminou a sua intervenção com a entrega de uma placa da Câmara à Fundação, alusiva aos 50 anos de existência desta instituição.
Nesse momento, também o Centro Social Professora Elisa de Barros Silva, de Cabanas de Viriato, entregou uma salva de prata à Fundação, através do seu presidente de Direcção, Luís Humberto Fidalgo, afirmando o mesmo que a instituição que preside pretendeu, assim, simbolizar o cinquentenário e, acima de tudo, perpetuar o bom relacionamento existente entre as duas instituições.
Tendo presidido as cerimónias, coube a João Pedro Pimentel encerrar os discursos. Este responsável da Administração Regional de Saúde do Centro não esqueceu os momentos vividos no concelho enquanto profissional da Saúde. Recordou, então, pessoas com quem trabalhou no concelho e salientou a ajuda que delas teve no desempenho das suas funções. A terminar, destacou as obras que dotaram o edifício da dignidade merecida e enalteceu as pessoas que se entregaram “à casa e à causa desde a primeira hora”.
Encerrados os discursos, o presidente do Conselho de Administração da Fundação agraciou as entidades presentes de forma simbólica, entregando-lhes um troféu personalizado que regista a participação nesta efeméride. Além das citadas individualidades, outras mais estiveram presentes, entre elas José Carlos Almeida, coordenador da Sub-Região de Saúde de Viseu, Liodoro Rodrigues, comandante do Posto da GNR de Carregal do Sal, Vítor Figueiredo, presidente da Junta de Freguesia de Oliveira do Conde, e Ricardo Campos, presidente da Junta de Freguesia de Cabanas de Viriato.
O programa das comemorações teve continuidade com celebração da Eucaristia, na Capela da Fundação, pelo pároco da freguesia de Oliveira do Conde, Pe. Álvaro Arede, coadjuvado por Pe. Ramiro Ribeiro, pároco de Papízios e de Parada, e por Pe. Carlos Maia, pároco de Sobral e de Ferreirós do Dão.
Um lanche/convívio, servido no salão da Sociedade de Educação e Recreio, completou o programa comemorativo. Durante o mesmo, Artur Jorge Saraiva fez uso da palavra, justificando que aquando da inauguração da Fundação “foi dada voz ao povo” e que, como tal, fazia sentido que sucedesse o mesmo agora. Fez uma retrospectiva do passado da instituição, realçando por fim o papel desempenhado por João Pedro Pimentel enquanto 


prestou serviço no concelho, inclusive na Direcção da Fundação, o que o levou a fazer reparo de que o mesmo “ainda não foi homenageado por este concelho como devia”.
Apontamentos acerca da Fundação José Nunes Martins
A inauguração da obra da Fundação José Nunes Martins ocorreu no dia 1 de Novembro de 1958 e foi presidida pelo ministro da Saúde e Assistência dessa altura, Henrique Martins de Carvalho.
A criação da Fundação constituiu um projecto arrojado, que foi ao encontro dos anseios da população de Oliveira do Conde e do Concelho. Foi e é uma estrutura vocacionada, essencialmente, para o serviço público, prosseguindo cuidados de saúde e serviço social, com destaque para a assistência aos mais desfavorecidos, objectivos que prosseguiu ao longo da sua existência e também nos dias de hoje.
50 anos depois, esta instituição de utilidade pública é uma obra que se renova e será indelével à medida do seu papel humanitário relevante, mas dependente da vontade dos homens.
Breve entrevista com o presidente da Administração da Fundação
FAROL – Como administrador da Fundação, o que representa este dia?
ATÍLIO NUNES – Hoje é um dia especial para Oliveira do Conde, porque faz 50 anos que foi inaugurada a Fundação José Nunes Martins. É uma Fundação humilde, foi feita por um homem muito rico na altura, que era recebido por bandas de música, e que acabou por morrer mal, mas deixou, pelo menos, uma obra que deve ser preservada, pois foi feita para a gente humilde da terra, e ainda hoje está a servir alguns que nem casa têm e ali têm uma casa limpinha e lavada e refeição a horas. É isso que nós queremos fazer, é isso que iremos fazer, queremos aumentá-la para mais 14 camas, de modo a ficar com 30 camas, para ela poder sobreviver. O pessoal que lá está chega, e penso que temos qualidades para fazer dali uma Fundação de modo a poder sobreviver sem os grandes aparatos, sem os grandes investimentos que normalmente uma fundação tem por trás e que esta não tem. Esta tem só os meios da Segurança Social, que é quem nos dá o apoio das camas que estão a ser utilizadas. Agora passou a Lar de Idosos e penso vamos ter outros meios para alargar aquilo e poder sobreviver sozinha.
FAROL – Que acção assume a Fundação no concelho?
ATÍLIO NUNES – É uma casa que faz parte das IPSS do concelho, tem uma acção muito boa, tem recebido pessoas de todo o concelho. Há pessoas que não têm nada e estão doentes e é para ali que vêm, é uma casa para servir bem o concelho. É claro, não vai tirar a vez ao Centro Social Elisa Barros Silva, que é hoje a coqueluche dos lares, nem à Misericórdia, que tem feito obra grande. É uma casa mais pequena, mas arrumada, porque dividimos aquilo em dois pólos: a APPC, que está num pólo, também com uma autoridade muito válida, de excelente qualidade, e nós, na parte restante, vamos alargá-la mais, porque é uma instituição com 50 anos e, dada a vida que tem hoje, não vai parar mais, com certeza.
FAROL – Como é exercida a liderança da Fundação?
ATÍLIO NUNES – Eu tenho a liderança, embora estejam duas pessoas lá dentro que me libertam de muitos afazeres. Eu fui indicado para administrador da Fundação porque sou presidente da Câmara, tenha essa ocupação, mas estão lá a Dra. Marília, que é vogal, e a Dra. Aurora, que estão a administrar a casa, mas eu faço mais na administração indo buscar outros meios cá fora que lá não há.
FAROL – Trabalhou na construção do edifício da Fundação como servente e hoje é o administrador. Isso diz-lhe alguma coisa de especial?
ATÍLIO NUNES – Nunca me passou pela ideia, quando andava a dar serventia a pedreiros, em 1955, 56, 57, a carregar pedra à padiola, ou quando passei a empreiteiro, em 1957, vir a ser presidente do Conselho de Administração. Recordo até que o pintor que andou a pintar os frescos da capela da Fundação obrigou-me a estar descalço todo o dia para modelo do desenho dos pés duma pintura que lá está, porque para pintar os pés precisava de um modelo para os pés. A vida evolui tanto, de tal modo que quem conheceu a primeira pedra lançada na obra está hoje na administração. Para mim é gratificante, não pela vaidade de o ser, mas sim por estar a ajudar a servir os outros. ……………….. Lino Dias
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