Opinião — Sábado, 26 Dezembro 2009 — 0 Comentários
COMO SAIR DA CRISE: Agroindústria Simples Com Outras Embalagens
JACK SOIFER *
O lóbi da mega-indústria alimentar criou o mito da economia de escala. Nós, consultores, sabemos que para cada sector e nicho, em cada mercado, há uma faixa de escala ideal, que é dinâmica, consoante variações de custos dos insumos. PME, p.ex, lacticínio, fábrica de sumo e lagar são rentáveis.
Os idosos certamente se lembram de como cedo pelas manhãs íamos, os miúdos, levar a garrafa para encher de leite no ambulante ou na leitaria. Ao termos menos tempo e sair do trabalho, passar no supermercado e comprar frescos, tornou-se prático o Tetra-pak. Mas ele exigia grandes e caras instalações e iniciou-se a destruição dos pequenos lacticínios próximos ao produtor e ao consumidor. Isto foi do interesse da giga do sector e de três outras gigas, Nestlé, Dano-ne e Parmalat. A garrafa, uma só vez paga, é gratuita, já em cada litro hoje a Tetra ganha 0,10€, o produtor 0,39, a loja 0,15, o IVA 0,04; e o resto?
Para conservar melhor o leite e os seus derivados, pela necessidade de prolongar a validade e rentabilizar longos transportes, adicionar químicos. Quando os médicos e investigadores alertaram para os perigos destes venenos, o lóbi conseguiu vencer na UE uma proposta de regulação destas substâncias. E ainda sobretaxas em embalagens não-sustentáveis.
Os Nórdicos introduziram então regras próprias sobre algumas embalagens. P.ex, é mais caro comprar bebida em lata do que em garrafa. Assim, a bebida em garrafa custa mais 0,5 € pela embalagem. Na entrada dos supermercados há uma máquina (já há por cá) que recebe as garrafas limpas e emite um talão com código de barras equivalente a quantidade e tipo de garrafa devolvida. Aquele valor é abatido da factura, no caixa. As garrafas retornam ao envase no mesmo camião que as traz cheias.
Isto, sim, é inovação. Destruir florestas, obrigar pequenos lacticínios e cervejarias a enormes custos com o material da embalagem (cartel) é uma prática dos anos -50; é destrutiva para a economia dos pequenos países. Além disto, outrora as pessoas iam ao trabalho de camioneta e de lá passavam nos supermercados do bairro a caminho de casa. Não era prático levar as garrafas. Hoje a maioria das famílias vai de carro às compras e não teria dificuldade em levar garrafas vazias para retorná-las. E há TIRs com linhas de envase que iriam a pequenos lacticínios regionais, se as garrafas voltassem a ser usadas. Falta a política pública que defenda o interesse da economia e do cidadão do país e não das gigas estrangeiras. É mais barato do que os mil milhões anuais que os venenos nos acarretam em custo hospitalar.
* Consultor internacional, autor de 35 livros, p.ex.
Empreender Turismo de Natureza; Empreender Turismo Sustentável;
O Futuro do Turismo; e Como Sair da Crise
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