Sábado, 31 Jul 2010

Opinião — Sábado, 26 Dezembro 2009 — 0 Comentários

COMO SAIR DA CRISE: Agroindústria Simples

JACK SOIFER *

Jack Soifer.jpg.

Não podemos querer que as coisas mudem se fazemos sempre o mesmo. A
crise traz progresso. A criatividade nasce da angústia assim como o dia
nasce da noite. É na crise que nascem os inventos, as descobertas e
grandes estratégias. Quem supera a crise supera-se, sem ser superado.

Albert Einstein

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O lóbi da mega-indústria alimentar criou o mito da economia de escala. Nós consultores, sabemos que para cada sector e nicho, em cada mercado, há uma faixa de escala ideal, que é dinâmica, consoante variações de custos dos insumos. PME, p.ex, lacticínio, fábrica de sumo e lagar são rentáveis.
A deseconomia de escala ocorre com a baixa motivação dos colaboradores, pouca comunicação entre as hierarquias, intrigas, luta pelo poder entre os chefes. A ABB, multi-nacional em alta tensão eléctrica, cresceu muito ao usar o conceito de intra-preneur, onde cada sector tem autonomia.
A agroindústria para alguns alimentos deve ficar perto do produtor rural, ser flexível em atender a procura específica de distintos nichos e integrar diferentes processos industriais para aproveitar ao máximo a matéria-prima recebida. Como as packing-house de frutos que, após classificar os melhores para exportar, e depois para mercados exigentes locais, aproveita os demais para fazer sumos, depois doces e até rações. Da casca obtêm-se extractos ou mesmo, á com tecnologia, mas com pouco capital, refinam-se em essências farmacêuticas ou aromáticas.
Exceptuando as duas últimas, o investimento nestas indústrias é limitado, mas pode exigir técnica. Precisam espaço, mas actualmente há muitos armazéns vazios que poderiam ser recuperados e arrendados.
O investimento em pequenos lacticínios é limitado, só a linha de embalagem é cara. Mas há várias delas desmontadas que, com baixo custo, podem ser actualizadas. Mas há que ter cuidado, pois algumas exigem o papelão de embalagem de um quase-monopólio na UE, o que poderia tornar o seu custo elevado e impedir o negócio. Um novo tipo de embalagem foi lançado na Inglaterra, próprio para PMEs.
O cartel do lacticínio tolera a PME longe das fábricas dele e das capitais. Se a produção for apenas de queijo o mercado é livre e exige bom marketing no exterior ou a pequena produção exclusiva aos concelhos limítrofes. Com uma bela embalagem e historial em 3 línguas, queijos artesanais são vendidos a bom preço aos turistas Norte-Europeus. O de Nisa já ganhou troféus na Alemanha.

* Consultor internacional, autor de 35 livros, p.ex.

Empreender Turismo de Natureza, Empreender Turismo Sustentável,

O Futuro do Turismo e Como Sair da Crise.

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