Quinta, 09 Fev 2012

Ensino — Terça-feira, 29 Junho 2010 — 0 Comentários

Concluído primeiro ano de actividade da Universidade Fernando Pessoa em Carregal do Sal

Imagem 001.jpgDepois da primeira experiência em 2006 com um curso de Especialização / Pós-Graduação em Ensino Especial, no Domínio Cognitivo-Motor desenvolvido pela Universidade Moderna, de Lisboa, o CAPL – Centro de Apoio Profissional e Línguas continua a fazer história em Carregal do Sal ao proporcionar que no concelho se façam especializações e mestrados de prestigiadas Universidades.

A prová-lo está o curso de Especialização em Administração Escolar que a Universidade Fernando Pessoa (UFP), do Porto, tem vindo a ministrar em Carregal do Sal, desde o passado dia 9 de Abril, promovido pelo Centro de Apoio ao Trabalhador-Estudante da Beira Interior da UFP (CATEBI-UFP), o qual funciona em instalações da sede do CAPL, na Rua do Salinas, tornando-se as mesmas, por essa via, território da Universidade.

Coordenado pelo professor doutor Carlos Alves e pela mestre Manuela Sampaio, o curso de Administração Escolar tem estado a ser frequentado por 17 mestrandos, todos professores, com formação heterogénea, desde educadores de infância a professores do ensino secundário, pertencentes aos concelhos de Viseu, Lamego, Seia, Oliveira do Hospital, Tábua e Santa Comba Dão, alguns deles ligados a direcções de escolas, conforme o «Farol da Nossa Terra» noticiou no início do curso, em Abril.

O primeiro ano lectivo, que corresponde ao primeiro ano de mestrado e certifica os alunos com a Especialização em Administração Escolar, terminou no sábado, 26 de Junho. O segundo ano lectivo, que permitirá a conclusão do Mestrado, inicia-se no próximo mês de Setembro.

O encerramento da Especialização foi ocasião para uma breve sessão formal de intervenções, ocorrida em plena sala de aulas, com presença de Luís Humberto Fidalgo, vice-presidente da Câmara Municipal, e Artur Jorge Saraiva, presidente da Assembleia Municipal. Além destes convidados, usaram da palavra Carlos Teixeira Alves e Manuela Sampaio, professores da Universidade Fernando Pessoa.

É um dia particularmente feliz para nós, organizadores do CATEBI, Centro de Apoio do Trabalhador Estudante da Beira Interior, da Universidade Fernando Pessoa”, disse Carlos Teixeira Alves ao «Farol da Nossa Terra», também na qualidade de proprietário do CAPL, no final do almoço de confraternização, que se seguiu no Restaurante Salina. A partir daí, foi ouvido em entrevista, que seguidamente se transcreve.

ENTREVISTA

Imagem 008.jpgFarol da Nossa Terra (FNT) – O que se lhe oferece dizer no encerramento deste ano lectivo?

Carlos Teixeira Alves (CTA) – Hoje terminou a componente lectiva do curso de Especialização em Administração Escolar, que é, ao mesmo tempo, primeiro ano de Mestrado. Estes dezassete alunos concluirão para o próximo ano lectivo o seu Mestrado em Administração Escolar, pela Universidade Fernando Pessoa. Neste espaço do Centro de Apoio Profissional e Línguas, Lda, cedido à Universidade-CATEBI, deverá ter continuidade numa nova edição deste curso, para o próximo ano lectivo. Esperamos alargar esta experiência a outros domínios. A Universidade Fernando Pessoa tem três faculdades, a Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, que é onde decorre esta iniciativa, Faculdade onde sou professor associado; a Faculdade de Ciências e Tecnologia, onde estão as Engenharias e Arquitectura, e a Faculdade das Ciências da Saúde, com Farmácia, Enfermagem, Fisioterapia, Medicina Dentária, entre outras.

FNT – Como vê a inexistência de participantes do concelho de Carregal do Sal neste curso?

CTA – Vejo com pena mas, ao mesmo tempo, com naturalidade. Se não houve neste momento, não significa que não apareçam no futuro. Houve alguns interessados que, depois, acabaram por não concretizar a sua entrada no curso. Estamos a viver tempos de dificuldade, tempos de crise, nota-se uma manifesta falta de dinheiro e isso pode ser uma explicação. Estamos, naturalmente, a contar com uma área que ultrapassa, em muito, as fronteiras deste concelho. Um projecto com este alcance não seria sustentável com a população que o concelho tem.

FNT – A quantidade de alunos que frequenta esta Especialização / Mestrado está dentro do número que era atingível?

CTA – Poderiam ser mais, e era desejável que assim fosse. Mas, corresponde inteiramente às nossas expectativas, na medida em que definimos como objectivo ter entre quinze e vinte alunos. E, como todos sabemos, existe ainda um factor de perturbação, materializada nalguma instabilidade relativamente ao governo das escolas, que está numa fase bastante volátil e, portanto, algumas das pessoas estão numa atitude de esperar para ver. A classe docente atravessou nos últimos anos um período de grandes transformações, sentidas pela classe com desgosto, o que não favorece o investimento na carreira.

FNT – Qual é o grau de importância que esta Especialização em Administração Escolar / Mestrado traz aos seus mestrandos, em termos práticos?

CTA – Para a gestão das escolas, é necessária uma experiência considerável, alicerçada em vários anos de permanência em órgãos de gestão, ou então, torna-se imprescindível ter esta Especialização. Isso decorre da lei e vem já desde os tempos do ministro Marçal Grilo, portanto, não é propriamente uma novidade. Por outro lado, para todos, independentemente da circunstância deste requisito legal, há naturalmente uma valorização pessoal, académica e profissional ao adquirir outras competências, um outro olhar sobre a educação, sobre a sua profissão, sobre o processo de ensino-aprendizagem, sobre o Sistema Educativo Português. Alguns dos nossos alunos são já directores, outros trabalham no âmbito da Administração Escolar, noutros cargos ou em assessorias, sendo, alguns deles, profissionais que, de alguma maneira, são já praticantes destas actividades ligadas à Administração Escolar e, por isso, verão, certamente, valorizada a sua prática e a sua formação. Com o segundo ano, ao adquirir o grau de Mestre, aí as coisas passam para um patamar diferente, na medida em que este é um grau académico superior ao grau de licenciado, que todos têm.

FNT – Em termos de carreira, há algum passo à frente em relação a quem não tem Mestrado?

CTA – Há, efectivamente, uma progressão na carreira de um ano no que concerne ao Mestrado. Por outro lado, a actual formação de professores exige o grau de Mestre, o que, a prazo, deixará os actuais docentes licenciados com uma habilitação académica, formalmente, inferior.

FNT – Que formadores disponibiliza a Universidade para esta especialização?

CTA – Os seus professores. Hoje, por exemplo, estiveram aqui a dar aulas o professor Pedro Reis, que é pós-doutor na sua área, ligada ao e-learning e às novas tecnologias adaptadas ao ensino, e a mestre Manuela Sampaio, que é coordenadora do curso, foi professora da ESE do Porto, onde coordenou esta pós-graduação, com um desenho semelhante, durante dezoito anos seguidos, portanto, uma profissional com uma larguíssima experiência e uma vasta competência nos domínios educativos.

FNT – É a Universidade Fernando Pessoa que dá todo o crédito a esta especialização?

CTA – Exactamente! A Universidade Fernando Pessoa é, claramente, uma das mais importantes universidades privadas em Portugal. O seu corpo docente possui melhor qualificação académica do que qualquer uma das outras instituições de ensino superior privado e de algumas Universidades do sector público. A qualidade global dos edifícios e equipamentos observados pela Comissão de Avaliação vai de bom a excelente, e estão em curso projectos e actividades de que resultará uma ainda maior expansão académica e física. A Universidade Fernando Pessoa é dirigida e constituída por pessoas dinâmicas e competentes que ambicionam desenvolvê-la ainda mais como uma valiosa componente do sistema português de ensino superior. Podemos, ainda, acrescentar que na Universidade Fernando Pessoa a rácio é de um professor doutorado por cada 24 alunos, apesar de o novo regime jurídico das instituições do Ensino Superior exigir a relação de um para 30, uma meta de que o país ainda está muito afastado.

FNT – A parceria do CAPL com a Universidade Fernando Pessoa é para manter?

CTA – Com certeza, este ano lectivo está quase terminado, mas no próximo iremos lançar uma segunda edição desta especialização e iremos, naturalmente, implementar outras actividades fora das áreas da educação. A Universidade tem uma grande oferta educativa e, por consequência, não deixaremos de apresentar ao mercado uma proposta que valorize as pessoas deste interior da Beira e lhes dê uma oportunidade de poderem fazer um percurso diferente, um percurso que tem a designação de Nova et Nove, que é o lema da nossa Universidade.

FNT – Agora, ao terminar este primeiro ano lectivo, há já alguma percepção do grau de satisfação dos frequentadores desta especialização?

CTA – A Universidade costuma medir a satisfação dos seus alunos através de questionários, que depois são tratados estatisticamente, analisados e objecto de uma avaliação conveniente. Neste caso, esse trabalho ainda não foi feito, terá lugar a seu tempo. Hoje é o último dia de aulas. Os alunos e os seus professores têm ainda pela frente os trabalhos que não foi possível fazer até agora. Mas, a percepção que temos, na medida em que acompanhámos este processo ao longo de todas as aulas, é que se veio a construir um entendimento interpessoal muito bom e que temos um ambiente de trabalho muito construtivo. A percepção que tenho é que as pessoas que aqui estão acabarão por recomendar a Universidade Fernando Pessoa e acabarão por encontrar, porventura, na Universidade um outro potencial para si, para pessoas dos seus agregados familiares e para recomendarem a colegas em edições futuras que aqui viremos a fazer. De facto, o processo de ensino-aprendizagem é muito bom, em grande medida devido à elevada craveira dos professores que por aqui passaram e à forma entusiástica como os mestrandos e os seus professores interagiram e como todos foram acrescentando valor às aulas, construindo saberes valorizados com uma participação muito elevada, de tal maneira que quando se fazia um intervalo, ou a meio da manhã ou a meio da tarde / noite, esses intervalos eram ainda usados como forma de prolongar a aula nos temas que, muita vezes, aí se discutiam.

FNT – Pode, então, dizer-se, deste primeiro ano, missão cumprida?

CTA – De facto, temos a convicção que se poderá dizer missão cumprida! Nesse aspecto, destaco um trabalho de equipa no qual participaram o Magnífico Reitor, a Sra. Vice-Reitora, a Sra. Directora da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, a Sra. Coordenadora, os Srs. Professores e os funcionários não docentes da Universidade, Gabinete de Comunicação e Imagem, Gabinete de Ingresso, Secretariado das Faculdades, Secretaria de Pós-Graduações e Mestrados. No CAPL, o empenhamento dos seus colaboradores foi, igualmente, inexcedível. Mas valeu a pena, penso que foram amplamente obtidos os objectivos dos destinatários dos nossos esforços e do nosso trabalho – os alunos da nossa Universidade.

FNT – Já é conhecida a quantidade daqueles que vão fazer o segundo ano do Mestrado?

CTA – A informação que tenho é que todos os dezassete o irão fazer. Não obstante, o desenho da formação está feito de forma a que os alunos que terminem por aqui obtenham um certificado de Especialização e, portanto, não há da parte deles nenhum compromisso ou nenhuma obrigatoriedade em prosseguirem. Há o direito de o fazerem e é esse o convite da Universidade.

FNT – Para quem não conhece o CAPL, o que é?

CTA – O Centro de Apoio Profissional e Línguas, Lda. é uma empresa fundada em Janeiro de 1995, trabalha em várias áreas, algumas ligadas à educação, temos um centro de explicações, de traduções, de ensino especializado de línguas vocacionado para as famílias e para as empresas. Fazemos o tratamento de processos de reforma de emigrantes, consultadoria nas áreas da Gestão de Recursos Humanos, do Marketing e da Organização e Gestão da Formação, com trabalho realizado em Portugal e em Espanha. Temos parcerias com outras instituições, com as quais interagimos de forma a que seja vantajoso para todos, e agora ocorreu este novo desafio no âmbito da Universidade Fernando Pessoa.

FNT – Residindo em Viseu, porquê a opção por Carregal do Sal quando Viseu seria um território muito mais amplo para essas actividades?

CTA – Isto acontece no Carregal na medida em que temos uma relação com Carregal do Sal há trinta anos e temos aqui a empresa há mais de quinze anos. Como diz, seria mais fácil encontrar alunos, dando-se até o caso de uma parte significativa da turma vir de Viseu, neste caso, como em casos anteriores.

FNT – O que quis transmitir com a presença do vice-presidente da Câmara Municipal e o presidente da Assembleia Municipal no encerramento desta Especialização?

CTA – Isso decorre da nossa forma de estar e de ser, na medida em que somos institucionalistas, gostamos de ver as instituições dignificadas e, portanto, convidamos os titulares de cargos do poder local. Aceitaram o convite, e foi para nós um grande prazer recebê-los. É uma iniciativa que decorre da sociedade civil, numa lógica de utilizador pagador. Os mestrandos que aqui andam pagam as suas propinas e as suas matrículas, a Universidade Fernando Pessoa paga os honorários aos seus professores, bem como os outros custos associados. Não obstante, achamos útil prestigiar a causa pública.

FNT – Nas palavras dessas entidades houve alguma coisa que vos sensibilizasse de modo mais significativo?

CTA – As palavras do Sr. Presidente da Assembleia Municipal e do Sr. Vice-Presidente e Vereador do Pelouro da Educação e Cultura foram palavras de grande encorajamento para continuar a pôr realizações de pé. São pessoas de quem somos amigos há dezenas de anos, o que pode potenciar alguma generosidade nas suas afirmações, mas acolhemos com muita simpatia as suas palavras de reconhecimento pelo que estamos a fazer e de encorajamento para o futuro.

Lino Dias

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