Quinta, 09 Fev 2012

Conservatório — Terça-feira, 6 Julho 2010 — 6 Comentários

Conservatório de Música e Artes do Dão proporcionou “Um Sonho Musical” a mais de mil pessoas

Imagem 001.jpgÀ imagem do que tinha apresentado no seu primeiro aniversário, em Fevereiro deste ano, com grande sucesso, o Conservatório de Música e Artes do Dão (CMAD) voltou a pôr em cena um novo musical no passado fim-de-semana, desta vez no encerramento do ano lectivo, com a apresentação do espectáculo “Um Sonho Musical”.

Tal como daquela vez, nas duas sessões então realizadas, também agora a Casa da Cultura de Santa Comba Dão, instalações que o CMAD utiliza, registou enchente nas quatro sessões deste novo espectáculo, às 15h30 e às 18h00 de sábado e domingo, dias 3 e 4 de Julho, respectivamente, apesar desta vez as entradas não terem sido gratuitas, pagas a dez euros por lugar sentado. Curiosamente, até houve pessoas que assistiram às primeiras sessões de sábado e tentaram comprar bilhetes para as sessões de domingo, mas já não puderam adquiri-los.

Este “sonho musical” prometia, realmente, tanto assim que muitos bilhetes foram vendidos para outras partes do país, inclusive Lisboa, Porto, Coimbra e Viseu. No total das quatro sessões, mais de mil pessoas assistiram ao espectáculo, levando a organização a colocar à venda bilhetes com lugar em pé, embora num número muito limitado.

Repondo os excertos de “Oliver”, “Princípe do Egipto”, “Annie” e “Afrika”, apresentados em Fevereiro, este novo espectáculo incluiu ainda, entre outras novidades, excertos do musical “Grease” e surpreendentes participações de Bernardino Gomes, nos papéis de domador de sonhos e de professor, e de Cláudia Matos, nos papéis de guia de sonhos, mãe e miss Hanningan (a vilã preceptora de “Annie”).

Maria Gomes (“menina”) e João Morgado (“menino”), jovens de tenra idade, voltaram a estar em grande no exigente papel de “cabeças de cartaz”, à altura deste musical repleto de fantasia, graciosidade e alegria, interpretado magicamente por um coro de uma centena de crianças, alunos do CMAD. A par do acompanhamento musical da orquestra do CMAD, dirigida pelo maestro e compositor convidado Luís Carvalho, que se tem distinguido como um dos mais versáteis músicos da nova geração, a interpretação daqueles excertos de musicais dos mais reconhecidos e aplaudidos de sempre resultou, na realidade, num espectáculo à altura do que de melhor se faz do género em Portugal e até no estrangeiro.

O calor e a intensidade dos aplausos, em todas as sessões, foram o reconhecimento apoteótico de um público deveras maravilhado com a qualidade do musical e a brilhante interpretação de crianças que, sem a existência do CMAD, jamais teriam oportunidade de protagonizar uma experiência até aí quase impensável nas suas vidas.

O cunho pessoal de António Leal a nível de encenação, direcção artística e coreografia fez-se notar superiormente, patenteando a sua reconhecida competência e experiência de director, produtor, assistente de encenação, director musical e vocal de grandiosos espectáculos musicais de Filipe La Féria. Na preparação deste espectáculo teve Sandra Leal e Cláudia Matos como assistentes de encenação, as quais lhe deram ainda apoio coreográfico.

A produção do espectáculo pertenceu a Paulo Gomes e Luís Matos, sócios-gerentes da empresa Edições Convite à Música e directores do CMAD. Tiveram como assistentes de produção Augusta Gama, Sílvio Simões, Pedro Carvalho e Pedro Marques. Na opinião dos mesmos, “todas as sessões decorreram maravilhosamente e encantaram todos os que tiveram o privilégio de estar presentes, deixando, sem dúvida, o apetite aguçado para aquilo que as crianças do Conservatório de Música e Artes do Dão têm para mostrar no futuro”.

Entrevista:
ANTÓNIO LEAL

Patrono da cadeira de Teatro do Conservatório de Música e Artes do Dão, onde lecciona
antónio leal.jpg– 50 anos de idade, casado, dois filhos, residente em Monte Estoril

– Licenciado em Composição e Produção Musical pela Folk Universitatea, de Gotemburgo, Suécia

– Músico, compositor, produtor musical, director vocal, director musical, intérprete, actor, encenador, assistente de encenação, tradutor/adaptador

Prémios: Globos de Ouro de Melhor Espectáculo de Teatro do Ano em “Amália”, “Minha Linda Senhora”, “Música no Coração”
Nomeações: “Jesus Cristo Superstar” – Melhor Espectáculo do Ano

.

FAROL DA NOSSA TERRA (FNT) – Quando falamos do encenador António Leal, associamo-lo aos grandes espectáculos de Filipe La Féria. É essa a sua referência de marca?

ANTÓNIO LEAL (AL) – Comecei a colaborar com o Filipe La Féria fazendo a direcção musical do seu primeiro grande sucesso “Amália” em 1999. Com “Piaf”, também em 2009, chegou ao fim a colaboração que mantivemos, plena de sucessos, felizmente. Nesse sentido, é obvio que aprendi muito da arte teatral com “mestre” La Féria, mas as minhas referências artísticas vêm de outras áreas bastante diferentes, mormente a musical. Tenho uma já longa carreira de 35 anos como músico, e sempre me interessou a vertente teatral que grupos do chamado rock progressivo, como Génesis, Yes, etc., explanavam nas suas actuações.

FNT – Os seus sucessos, não só de encenador, mas também de sonoplasta e autor de músicas, estão exclusivamente ligados aos grandes musicais?

AL – Se por sucesso se entender popularidade, respondo que não. Nos anos 80, durante a minha passagem pelo programa “Regresso ao Passado”, de Júlio Isidro, vivi momentos de grande popularidade. À posteriori, o meu disco “Aqui Já Não Dá” foi número um nos tops nacionais durante cerca de um mês.

FNT – Tem lidado com tiques de vedeta por parte de actores mais experientes, convencidos que sabem tudo e que até fogem ao rigor daquilo que o encenador propõe?

AL – Tenho lidado com muitos actores e actrizes experientes e, como em todas as áreas da vida social e profissional, há bons e maus. Sugere-me dizer que quanto maior conhecimento existe maior é também a sua generosidade e simplicidade. A mediocridade é que é filha da insegurança, que depois se traduz em tiques de vedeta.

FNT – Qual é o maior desafio de um encenador?

AL – A materialização dos seus sonhos, da sua visão.

FNT – Como está a encarar este desafio do Conservatório de Música e Artes do Dão?

AL – Encaro-o com o entusiasmo inerente às grandes obras. É realmente a primeira vez que trabalho com um grupo teatral não profissional e ainda por cima juvenil. Sou um sonhador obstinado, irrequieto e delirante. Os jovens com quem tenho trabalhado em Santa Comba Dão entendem a minha visão e já sabem que para a concretização dos nossos propósitos nesta área, como aliás em qualquer outra, são precisos 80% de transpiração e 20% de talento. É realmente um desafio, mas acredite que ao fim de um ano de trabalho as diferenças pela positiva, na sua atitude, forma e carácter, são enormes e muito gratificantes.

FNT – Estando a sua carreira ligada aos grandes palcos, em que medida situa o seu trabalho desenvolvido e apresentado na cidade de Santa Comba Dão?

AL – Palco para mim é lugar sagrado, o palco da Casa da Cultura de Santa Comba Dão não foge à regra. Actualmente, é nele e para ele que direcciono a minha energia. Portanto, tão importante como qualquer outro. Torná-lo “grande” ou ainda maior, depende apenas do sonho dos homens bons da região. Porque, como deve calcular, tem sido difícil gerar as sinergias económicas que alimentem uma produção com a qualidade que tentamos imprimir aos nossos espectáculos. Nesse esforço, saliento dois nomes, o professor Paulo Gomes e o professor Luís Matos, verdadeiros obreiros de toda esta actividade. O primeiro um “pedagogo” ímpar e visionário, do melhor que encontrei na minha vida, o segundo um trabalhador executivo inteligente e sensível. Sem dúvida que é uma honra trabalhar com uma equipa liderada por pessoas com esta estrutura humana.

FNT – Teve algum problema com Filipe La Féria por apresentar no anterior musical do Conservatório excertos do Annie, antes desse musical ter sido apresentado por Filipe La Féria no Porto?

AL – Por que teria? Preconceito?! O excerto de Annie que apresentámos em Santa Comba Dão foi encenado antes da peça de La Féria. Nem nunca soube que ele a pretendia levar à cena. Pura coincidência!

FNT – É verdade que pensa trabalhar a tempo inteiro neste Conservatório e viver em Santa Comba Dão?

AL – É verdade que penso continuar a tentar ser feliz, tenho uma família maravilhosa que me apoia a cem por cento. O futuro a Deus pertence.

FNT – O que mais o fascina nesta aposta que está a fazer na cidade de Santa Comba Dão?

AL – As crianças! A sua energia e capacidade de, através delas, dinamizarem toda uma área cultural latente, intimamente ligada ao Conservatório de Música e Artes do Dão.

FNT – Como viu a resposta do público aos musicais que aqui apresentou?

AL – Vi lágrimas, vi sorrisos, vi e ouvi aplausos, vi olhos a brilhar, vi magia… Que mais preciso eu de ver?!

FNT – Como gostaria, e de que modo, que o seu nome ficasse, de futuro, ligado a Santa Comba Dão e ao Conservatório de Música e Artes do Dão?

AL – Como um amigo.

Lino Dias

6 Comentários

  1. Conceição Borges diz:

    Lindo espectáculo… a repetir…
    Os “nossos” meninos estão à altura dos melhores!
    Obrigada.

  2. Companhia do CMAD diz:

    Todos nós estamos orgulhosos do trabalho que desenvolvemos. Foi uma semana muito trabalhosa que deu os seus frutos, e a nosso ver, muito suculentos. Foi brilhante a magia sentida durante e pós espectáculos. Foi muito bom ver a cooperação existente entre nós durante os difíceis momentos de troca de roupa, as nossas corridas para chegar-mos a tempo, apanhar todos os adereços, até na parte de maquilhagem e penteados nos ajudámos. Todos juntos fizemos o mais importante: divertirmo-nos!
    Algo que nos marcou a todos foi a sinceridade de sentimentos com que enfrentámos o palco, a felicidade, o nervosismo, o próprio sonhar!
    E toda essa felicidade e satisfação foi revelada aquando o fim de todas as sessões, altura em que percorremos a zona do conservatório e da Casa da Cultura (interior e exterior) em euforia: a saltar, a correr, a cantar, a saudar todos os que nos ajudaram, enfim, a demonstrar o nosso agrado ao ver todo um esforço reconhecido.
    OBRIGADO ANTÓNIO LEAL!
    Obrigado Prof. Paulo e Prof. Luís.
    Obrigada Prof. Cláudia e Prof. Sandra.
    Obrigada Prof. Paula, que não esteve presente no espectáculo, mas que nos ajudou ao longo do ano a desenvolver as nossas capacidades vocais.
    Não esquecendo todos os que ajudaram à produção, o nosso obrigado!
    Queremos mais!
    A Companhia do CMAD

  3. Margarida Rua diz:

    foi um espectáculo memorável :$
    todos nós adoramos, e sobretudo divertimo-nos muiiito muiiito *.*
    estamos a fazer de tudo para que pro ano tudo se volte a repetir e possamos sonhar de novo (:
    parabens ao professor António Leal e parabéns a nós: Alunos <3

  4. Isabel Alves diz:

    Fantastico! Adorei e quero voltar!!!!
    Parabens a todo os participantes e organizadores e aos país tambem.

  5. Antonio L. Antunes diz:

    Parabéns a todos os envolvidos neste espectáculo inesquecível especialmente as crianças, vocês são o orgulho deste concelho. Com “miúdos” desta qualidade estou certo que o futuro vai ser indiscutívelmente melhor. Um abraço

  6. Augusta Gama diz:

    Sinto-me orgulhosa de trabalhar com estas crianças que dão o seu pouco tempo livre de estudo, para trabalharem num projecto tão delicioso como este.temos realmente uma equipa fantástica desde alunos, pais e colegas, como dizia a letra de uma das músicas da peça «não é facil para nós» mas vamos continuar a fazer o nosso melhor.

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