Poesia — Sábado, 29 Maio 2010 — 0 Comentários
Continuação do meu fado
A todos já disse que nasci
Mas também falei da idade
E se em Parada cresci
Do meu fado tenho saudade.
.
Meu fado está na memória
Por tudo ser conhecido
Do meu povo não há história
O que me deixa entristecido.
.
Mas eu tanto tenho cantado
Sem minha voz levar às feiras
Andando por tanto lado
Desconhecido pelas Beiras.
.
Quando era miúdo
Agilmente até brincava
Fazia versos pelo entrudo
E eu próprio os declamava.
.
Este era o meu fado
Esta é a alma de um querer
Não só recordar o passado
Cantando para não morrer.
.
Venham os grandes poetas
Digam os seus argumentos
Se forem nobres profetas
Mostrai vossos sentimentos.
.
De meu fado todos sabem
Até mesmo por onde andei
Não sei qual juízo fazem
Pela intenção como cantei.
.
Mas se canto para todos vós
Sinto sempre a mesma alegria
E se meus poemas estão sós
Talvez os cantem um dia.
.
Se eu digo liberdade
Mesmo para quem o não sinta
Do meu fado tenho saudade
Pouco importa que se desminta.
.
Mas quando deixar de cantar
Para ninguém censurar
De algo que me esqueceu.
Adelino Borges
Barreiro
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