Sexta, 18 Mai 2012

Poesia — Quinta-feira, 25 Março 2010 — 1 Comentário

D´um Paradense – O realizado camponês

Ditoso é quem vive de suas eiras,

Vendo seu desejo alcançado

Procurando, de vez em quando, que nas feiras,

Troque, ou mesmo compre, novo gado.

.

Seus produtos, do trabalho, lá do campo,

Com aplicação do esforço, dia a dia.

Movimenta ele, a charrua, em qualquer canto,

E é nessa terra que então tudo se cria.

.

Autónomo, ele domina qual Sansão,

Mesmo quando a neve o apanha todo.

Também pelo calor do próprio Verão,

Ele se encaminha, mais ligeiro para o povo.

.

E, com o animal, lá vai andando,

Com a vara vai tocando o pobrezinho.

Que arrasta a carroça, e vai lavrando,

Com os anos, até já sabe o caminho.

.

E seu dono, que de alegre o assobia,

Por tudo, ele se sente satisfeito.

Porque quer demonstrar sua alegria,

Do quanto, com o animal assim foi feito.

.

E das sementes, que na terra vai deixando,

Aguarda pelos frutos, noite e dia.

De seu acolho, assim se vai alimentando,

Por tudo isso ele merece, esta poesia.

.

Sente na alma a mais modesta postura,

Mas tem seu génio, genuíno Português.

Pelo grande amor, tão famoso n`agricultura,

De pobrezinho, um grande homem, assim e fez.

.

Descontraído, de abundância, vai vivendo,

E em suas terras se encontra refugiado.

Houvesse jovens que com ele, aprendendo,

com novos meios,não chegaríamos, a este estado.

.

Mas pelo Universo, só maneiras saltitantes,

Porque a juventude anseia mais além.

Tão rebeldes são agora estudantes,

Não querem campo, nem pensam, viver bem.

.

Está na hora de mostrar algum amor,

Para ajudar esta Pátria, delicada.

Se da charrua se passou a tractor,

Acho que todos devem procurar a sua enxada.adelino.jpg

.

Barreiro

25-03-2010

Adelino Borges

Um Comentário

  1. Moreira Lopes diz:

    “Comentários para quê”! Todos já conhecemos as capacidades do amigo Adelino Borges, fonte inesgotável de poesia, adequada muitas vezes como o caso presente, ao quotidiano de todos nós nomeadamente, de quem vive no meio agrícola.
    Aquele abraço.
    Moreira Lopes

Deixe um Comentário

Cronistas
Agenda
Agenda completa
Comentários Recentes
Últimos comentários