Hélder Amaral — Quinta-feira, 26 Janeiro 2012 — 1 Comentário
Declarações e Manipulação
Algo não anda a correr bem nas declarações dos políticos. Em alguns casos, mesmo que corram bem, aparecem sempre manipulações bem urdidas, e com objectivos bem definidos. Neste tempo de dificuldades, espera-se que todos – em particular políticos, jornalistas e comentadores – assumam uma postura de contenção, isenção e responsabilidade. É verdade que nem sempre os políticos têm usado de bom senso e eficácia na hora de transmitir a mensagem. A última aconteceu ao Presidente da República (PR), que não foi eficaz na mensagem que quis transmitir. Mas é também verdade que a reacção foi manifestamente excessiva: manifestações, peditórios e pedidos de demissão não me parecem proporcionais à “gafe” do Presidente. Não é verdade que Cavaco Silva, como dizem alguns, “fala, fala e não faz”. O Presidente da República deu início ao fim do Governo de Sócrates no discurso de tomada de posse; apoiou o plano de troika; deu a mão a Seguro e à UGT nas conversações com o Governo, e patrocinou o acordo da concertação social – papel que foi reconhecido pelo Primeiro-ministro. Acontece que desta vez quis dizer uma coisa e saiu-lhe outra. O PR quereria dizer aos portugueses que até ele, um privilegiado, tem dificuldades, ou seja, que estas atingem todos de forma diferente, mas ninguém fica de fora. Aceito que o que ficou subentendido não foi isso. Há dias em que uma pessoa não é feliz, já que não vale a pena contar com a serenidade de quem amplia e cria clima com fins bem claros.
Outro caso que diz bem da vontade de criar polémica aconteceu com o Pingo Doce: dos telejornais a comentários, passando pelas redes sociais apelando ao boicote, acusando a família Soares dos Santos de abandonar o país, etc. Depois de uma análise mais cuidada e isenta, percebeu-se que outras empresas bem mais relevantes para a vida de cada um já tinham vendido participações a SGPS na Holanda, por razões bem atendíveis, como o acesso ao crédito e a um sistema fiscal estável (sendo que os impostos da família serão pagos em Portugal). Ou seja, acabaram todos a “meter a viola no saco”. Não muito diferente foi a polémica em torno da sugestão do Primeiro-Ministro para que os professores emigrassem em busca de emprego. Manuel Alegre condena a afirmação e diz que o Governo não tem condições para continuar à frente do País, diz alguém que “fugiu” do País, acompanhado por Carvalho da Silva, e considera criminosa a postura do primeiro-ministro. Que dizer de quem faz de conta que negoceia para, na hora da verdade, virar as costas à concertação social e, assim, ao País…
Mas o que melhor explica a reserva mental de alguma imprensa sucedeu na SIC: sobre os desafios de Portugal para 2012, falava-se de saúde, e a jornalista questionou António Barreto se este não achava “abominável” discutir-se se alguém de 70 anos deve ter direito a tratamentos de hemodiálise. A resposta, porém, foi dada por Manuela Ferreira Leite, que disse que este tipo de doentes “tem sempre direito se pagar”, acrescentando ainda que “o que não é possível é manter-se um Sistema Nacional de Saúde como o nosso, que é bom, gratuito para toda a gente”. Ou seja fica fácil perceber que a ideia é dizer que quem pode pagar deve pagar, como clarificou Manuela Ferreira Leite, mas não evitou a polémica. Note-se o que disseram os outros representantes da esquerda: um dos mais prestigiados cientistas portugueses, o Prof. Sobrinho Simões, disse que os gastos na saúde precisam não só de ser racionalizados, como de ser racionados. António Barreto concordou e apontou dilemas difíceis: a partir de certas idades justificar-se-ão tratamentos muito caros? Ou seja, racionar os serviços de saúde não incomodou ninguém. Palavras para quê?
Um último exemplo de rigor jornalístico: um jornal diário escreveu a letras gordas, na primeira página: “Ministros de Passos já fizeram mais nomeações do que primeiro Governo de Sócrates” (estaria sempre tecnicamente errado, mesmo abstraindo do anómalo critério usado para comparar números de nomeações). Significa que o actual primeiro-ministro nomeou, em sete meses, mais gente do que o seu antecessor em mais de quatro anos, que foi quanto durou o executivo formado após as eleições de 2005. O que não só é grosseiramente falso, como não corresponde sequer ao que se pretenderia afirmar, pois tanto o texto como a infografia das páginas do interior explicavam que só foram considerados dois meses e meio (os iniciais, presume-se) da vida desse governo. O Governo tem no seu site toda a informação, e é papel do jornalismo verificá-los. Se o não faz, é dever do jornalismo investigá-los. Mas isso dá trabalho e, mais do que isso, não ajuda a estratégia de desinformação, e a tentativa de não permitir que o País se concentre no que verdadeiramente interessa.
* Deputado / Vice-presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PP
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Caro deputado:
Ora bem, para si mais vale ter uma imprensa “domesticada” tipo Estado novo, que não divulgue aquilo que realmente vai na alma desses novos protagonistas da desgraça. Ai “coitadinhos eles não queriam dizer aquilo eles são uns tipos bestiais, só querem o bem do povo. “Pois Pois poupe-nos, e dê uma olhada á “caricatura” do Zé povinho, o seu gesto exemplifica tudo aquilo que pensamos de vocês e da vossa receita para o País.