Sábado, 04 Fev 2012

Poesia — Quarta-feira, 2 Junho 2010 — 0 Comentários

Nobres sem nobreza

Persiste ainda a tradição

De um tratar de ocasião

O senhor nobre sem nobreza

Atribuíam-se-lhe os inhos

Aos então nobrezinhos

Olhando à sua riqueza.

.

Se José era o Zezinho

Se António o Antoninho

Era assim o ritual

Mas se pobre era o Zé

Do António o mesmo é

Ainda usado em Portugal.

.

Mas desmembrada a nobreza

Apenas ficou a certeza

Do mesmo sangue português

Que vendo passar anos

Muito fácil reparamos

Cada vez há mais burgueses.

.

Ao olhar do tempo vil

Veio o vinte e cinco de Abril

A devolver a liberdade

Da então Grândola soava

A canção de madrugada

Que a todos deixa saudade.

.

Porque com mais riqueza os inhos

Se afastou dos pobrezinhos

Na soberba burguesia

E o pobre nota medo

Lá vai desabafando no segredo

Para não perder o pãozinho.

.

Se acabou a nobreza

Na República portuguesa

Qual democracia existe

Numa terra do Infante

Havendo riqueza alarmante

Que nesta terra persiste?

.

E o pobre vai continuar

Vassalagem a prestar

Aos ricos deste povo

Fecham fábricas e oficinas

Por falta de matérias primas

Que para muitos não é novo .

.

Aqui deverei lembrar

Um decreto de Salazar

Definindo os vencimentos

Era já descontentamento

E ele congelou o aumento

A alguns dos seus elementos.

.

Agora tudo é rei

Conforme vos recordei

A uma distância imoral

Há patrões abastados

Muitos desempregados

Este é o nosso Portugal.

.

Será preciso subir ao altar

Ter um gesto tão sucinto

Ressuscitando a tal lei de Salazar

Com o número dois mil cento e cinco?

.

Esta é a Pátria de todos nós

Que devemos deixar aos netosadelino.jpg

Como herança dos nossos avós.

.

Barreiro

Adelino Borges

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