Religião — Segunda-feira, 29 Dezembro 2008 — 0 Comentários
Festa anual de Castelejo em honra de São João Evangelista
O discípulo que Jesus mais amava e o mais jovem dos apóstolos, São João Evangelista, venerado a 27 de Dezembro, data comemorativa da sua morte no ano de 101 ou 102, voltou a conhecer especial devoção na povoação de Castelejo, da freguesia de São João de Areias, com o reviver da festa religiosa anual em honra deste seu padroeiro, realizada ontem, dia 28 de Dezembro.
Já habitual, muitos foram os romeiros que ali se deslocaram de povoações vizinhas, registando-se ainda a presença de conterrâneos que vivem e trabalham noutras terras, incluindo emigrantes, e que regressaram à terra natal em período de férias da quadra natalícia, o que contribuiu para a grandeza de que a festa se reveste ano a ano.
Também desta vez a capela se tornou exígua para acolher todos os fiéis que quiseram participar na Missa Solene, celebrada ao início da tarde pelo respectivo pároco, P.e José António Almeida, seguindo-a muitos deles no exterior da mesma. Três pormenores merecem especial referência nesta celebração: o vistoso ornamento da capela, a brilhante prestação do grupo coral e a interessante prédica do sacerdote.
Na sua prédica, Pe. José António abordou a crise de valores a nível da família, apontando os divórcios, a vingança, a soberba e a falta de diálogo como consequências da crise familiar. “Há falta de tempo para conversar e transmitir valores“, acusou, quer da parte dos pais, porque têm de trabalhar, quer da parte dos filhos, porque passam mais tempo na escola, e em casa entretêm-se a ver televisão ou a fazer uso da Internet. Falando depois de S. João Evangelista, fez de novo referência ao martírio em que foi flagelado e mergulhado num caldeirão com azeite a ferver, dando-se o milagre de dali sair rejuvenescido e sem sofrer dano algum.
Cerimónia mais visível na homenagem ao padroeiro, a Procissão de penitência e de bênção às ruas da povoação, realizada após a missa, brilhou na imponência do seu cortejo de andores, cuidadosamente enfeitados, transportando imagens do Menino Jesus, Santa Rita, São Judas Tadeu, São José, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora das Dores, São Francisco e São João Evangelista. Abria o cortejo a irmandade da própria povoação, criada por ocasião da festa de 2006, tendo Manuel Figueiral Teixeira como principal impulsionador. Também desta vez a banda da Sociedade Filarmónica Fraternidade de S. João de Areias lhe deu apreciado brilho com o seu acompanhamento musical.
Terminada a procissão, houve lugar ao tradicional leilão de oferendas, realizado no adro da capela, o qual contou com grande quantidade de ofertas e esteve bastante concorrido. Ainda naquele mesmo espaço, seguiu-se a actuação da Tuna Juvenil Os Alegres, da própria povoação, animando os muitos populares que resistiram ao frio que se fazia sentir.
Os festejos tinham sido iniciados na véspera, à noite, com um baile no salão da Associação Sócio Cultural de São João Evangelista, animado pelo conjunto musical Big Jovem, e viriam a terminar com novo baile nocturno, no mesmo salão, desta vez animado pelo grupo musical Nuno Gomes.
A organização esteve a cargo de Carlos Alberto Morais, Jaime Rocha Santos, António Miguel Camilo Gonçalves, Susana Camilo Gonçalves, Alcina Gonçalves Isidoro, Ricardo Ferreira Marques, Maria de Lurdes Alves Santos, Ana Sofia dos Santos Isidoro e Leonardo Manuel Figueiredo Correia, mordomos que cessaram funções.
Para a mordomia de 2009 foram nomeados António Dias (S. João Evangelista), Luís Filipe Simões Miranda (S. Francisco), joel António Pais Ferreira (S. José), Carla Marisa Durães Teixeira (S. Judas Tadeu), António Manuel Lopes Pinto (N.º Sr. dos Aflitos), Laurinda Lopes Dias (Sta Rita), Rosabela Martins Neves (N.ª Sra. das Dores), Paula Pais (N.ª Sra. de Fátima), Nadine Martins Neves e João Paulo Gonçalves Fonseca (Menino Jesus).
“Espero que aceitem com alegria fazer parte da mordomia“, disse P.e José António, 
após anunciar os nomes dos novos mordomos e ao agradecer o zelo e a disponibilidade dos que cessaram funções. Assim o espera também a comunidade, desejosa de que esta tradição continue a perdurar de geração em geração.





Lino Dias

