Quinta, 09 Set 2010

Religião — Terça-feira, 13 Julho 2010 — 0 Comentários

Festa de Carregal do Sal em honra de Nossa Senhora das Febres

001.jpgRealizada nos dias 10 e 11 de Julho, do passado fim-de-semana, a festa anual de Carregal do Sal em honra de Nossa Senhora das Febres foi revivida com a imponência que a caracteriza como das mais apreciadas e participadas do concelho, voltando a registar grandiosa adesão de fiéis.

A Procissão de Velas de sábado, momento mais alto da festa, realizada após missa em honra de Nossa Senhora e envolvida de intenso fervor religioso, repetiu a sua longa caminhada nocturna de ida e volta, quase de uma ponta à outra da vila, levando em cortejo religioso andores com as imagens de Menino Jesus de Praga, Sagrado Coração de Jesus, Nossa Senhora de Fátima, São José, São Brás e Nossa Senhora das Febres.

A procissão apresentou a sua habitual imponência, quer em quantidade de fiéis, quer no acompanhamento de formaturas dos bombeiros de Carregal do Sal e de Cabanas de Viriato e da unidade de socorro do Núcleo da Cruz Vermelha de Oliveira do Conde, quer ainda no abrilhantamento da Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Carregal do Sal, seguindo à frente, e da Banda Filarmónica de Cabanas de Viriato, posicionando-se ao meio.

Tal como as velas empunhadas pelos fiéis, também as velas dispostas em todo o percurso nos muros e nas varandas realçavam o fervor e a fé que a procissão exaltava na sua devota e extensa caminhada. Além disso, o pároco José António Almeida fazia elevar a sua voz exaltando esse fervor de modo contemplativo, dando já sinais de saudades desta festa ante a sua anunciada mudança para outra paróquia.

Terminada a procissão, seguiu-se a habitual homenagem a Nossa Senhora das Febres, à entrada da capela. Na altura, Pe. José António fez os agradecimentos habituais, contemplando os mordomos, os bombeiros, os socorristas da Cruz Vermelha, a GNR, a banda filarmónica, a fanfarra dos Bombeiros e todos os que colaboraram e participaram na procissão.

Também no domingo a habitual missa campal, celebrada às 17 horas, junto à capela de Nossa Senhora das Febres, com altar instalado no coreto ali existente, registou grande concentração de fiéis. A Fanfarra dos Bombeiros de Carregal do Sal, que habitualmente tem solenizado a celebração da Eucaristia com jubiloso toque de trompetes e arrufo de caixas, foi este ano substituída por um piquete de três bombeiros da corporação de Carregal do Sal e respectivo estandarte. Além disso, e como novidade, a Banda Filarmónica de Cabanas de Viriato substituiu o habitual grupo coral, dando maior brilho à celebração eucarística.

Outra novidade foi a celebração da missa por três sacerdotes, presidindo-a o Padre José António Almeida, coadjuvado pelos párocos de Oliveira do Conde e Papízios, respectivamente, Pe. Álvaro Arede e Pe. Ramiro Ribeiro. Coube a Pe. Álvaro Arede proferir a homilia, centrada no louvor a Nossa Senhora, falando de Maria como “a mais excelsa de todas as criaturas”, e na forma como Jesus nos ama e nos ensina a amar. Já habitual, no final da missa, Hermínio Cunha Marques voltou a ler um poema dedicado a Nossa Senhora das Febres, lembrando o passado, cem anos depois.

Encerrou os festejos o tradicional leilão de ofertas. A organização esteve a cargo dos mordomos Teresa Correia Borges, Isabel Ribeiro Freitas e os casais António Augusto Cunha e Sandra Mota, António José Oliveira e Alice Oliveira, Artur João Maia Martins e Alexandra Soares de Albergaria Antunes, Carlos Barbas e Lina Barbas, Joaquim Melo e Maria Eugénia Ferreira Melo, Jorge Manuel Fernandes dos Santos e Dina Paula Santos. Tendo cessado funções, nomearam para a nova mordomia Celeste Lopes, Orísia Silvestre e os casais Fernando Pais e Marisa Pais, Eduardo Miguel Abrantes e Teresa Moura, Ismael Proença Norte e Maria Anunciação Correia Norte, Luís Figueiredo e Paula Figueiredo, Paulo Abreu e Lena Abreu, Vítor Loureiro e Elsa Figueiredo, José Carlos Abrantes e Paula Abrantes.

Lino Dias

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Nossa Senhora das Febres

Ecos do passado – Cem anos depois

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Eu já muito escrevi p’los tempos fora,

Mas as minhas palavras são tão breves

Se o tema é Virgem Mãe Nossa Senhora,

E que neste Santuário é das Febres!…

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Pròs versos d’hoje, como é tradição,

Eu fui às contas deste meu rosário,

E uma peguei, com certa ligação

À República, já no Centenário!…

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Volvendo o tempo cem anos atrás,

Quando em cinco d’Outubro proclamada,

Já era a Romaria um bom cartaz

C’oa Senhora das Febres consagrada!…

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O movimento anti-clerical

Levava a extinguir festividades

E a do Corpo de Deus, já ancestral,

Entrou no rol de tais prioridades!…

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Mas esta, qu’inda hoje se acarinha,

Viria a ser da sanha uma excepção,

E a Senhora das Febres se mantinha

Com multidões em tanta devoção!…

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E desses anos eu já fiz menção

E até o seu programa sei de cor

Que era a melhor de toda a Região,

E a República deu-lhe mais vigor!…

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De tanta fé, solenes procissões,

Tinha arraiais e fogo d’artifício,

Com música, desporto, diversões,

E até tourada com tanto bulício!…

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No fim dos anos trinta terminou,

Já no pleno apogeu do Estado Novo,

E trinta anos depois ela voltou,

Continuando arreigada em nosso povo!…

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Já tem pouco do seu velho cartaz,

Mas a fé não morreu nas nossas gentes,

E graças para quem ainda a faz

E àqueles que em memória estão presentes!…

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E é com pena, mas justo referir,

Aqui neste Santuário, a gratidão

Ao Padre Zé António, que ao partir,

Deixa marcas vincadas da missão!…

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São Domingos e São Sebastião,

A Igreja Matriz e a de São Brás,

E este Local, com tal dedicação

Que leva a suplicar “padre, não vás”!…

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Mas com seu dinamismo vai embora,

E ao perder a Paróquia um grande amigo,

A Senhora das Febres só não chora

Porque vive e andará sempre consigo!…

11 de Julho de 2010

Hermínio Cunha Marques

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