Festas — Quarta-feira, 21 Julho 2010 — 1 Comentário
Festas do Concelho de Carregal do Sal cumpriram a tradição durante nove dias de folia
Começou no dia 11 e terminou no dia 19, deste mês de Julho, mais uma edição das Festas do Concelho de Carregal do Sal, organizadas novamente pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Carregal do Sal, com apoio da Câmara Municipal. Foram nove dias de grande animação e de intenso fluxo de gente, esvaziando a vila durante as horas de folia e deixando os cafés, as pastelarias e os restaurantes praticamente às moscas.
Indiferente ao desajustado acesso a percorrer pelos peões e ao áspero e irregular recinto das festas, muita gente ali acorreu diariamente sem que as atracções fossem de primeiro plano. A tradição das festas tem peso e o povo uniu-se uma vez mais à sua volta. A juntar a isso, as barracas das associações com serviço de refeições tem sido um chamariz adicional, tendo as mesmas registado um movimento diário impensável nos restaurantes da vila, apesar de haver casos em que os preços ali praticados pesavam mais na carteira.
Já assim adormecido com o afastamento do local das festas, o coração da vila viu-se, até, esvaziado este ano do Encontro de Pintura ao Vivo que nos últimos quatro anos lhe dava algum ar de festa, tendo o mesmo ficado por realizar. Com a supressão das arruadas de bombos e do passeio da “Velhada em Bicicleta”, o coração da vila só foi despertado de tal adormecimento com o desfile etnográfico na tarde de domingo, penúltimo dia das festas, ainda que pelo curto trajecto nele percorrido pouco impacto ali surtisse.
No desfile etnográfico incorporaram-se a Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Carregal do Sal, os “gigantones” e o Grupo de Bombos Os Viriatos da Associação do Carnaval de Cabanas de Viriato, o Grupo Folclórico D’ Alegria de Vila Meã, o Rancho Folclórico Cravos e Rosas de Vila Meã, o Grupo de Danças e Cantares da Sociedade Filarmónica de Cabanas de Viriato e o Grupo de Bombos Zés Pereiras de Oliveira do Conde. Na arruada destes grupos do concelho notou-se este ano a falta do Rancho Folclórico Flores da Beira de Travanca de São Tomé, atempadamente justificada.
Além do aumento de barraquinhas de comes-e-bebes das associações recreativas, culturais e humanitárias, também aumentou o grande número de stands expositivos, alguns ocupados por expositores de outros concelhos. Os carros eléctricos, os carrosséis, as barracas de farturas, as bancas de vendedores ambulantes e as exposições de viatura automóveis deram importante contributo ao ambiente festivo do recinto da feira.
A animação nocturna, apesar do frio surgido na maioria das noites, conheceu grande adesão de público, beneficiando isso, certamente, das entradas gratuitas. Ainda que tenha contado com nomes menos sonantes dos que já passaram pelas Festas do Concelho de outros tempos, optando-se por espectáculos menos onerosos, face à compreensível opção de contenção de despesas, o movimento popular acabou por corresponder praticamente em pleno.
A par dos grupos de cabeça-de-cartaz e de outros grupos similares, o repositório cultural do concelho foi também preponderante na atracção de público, fazendo passar pelo palco as tunas, a banda filarmónica, as danças modernas, os grupos de bombos e o folclore. Juntaram-se a isso os jogos tradicionais na tarde do último dia das festas, com a quebra das panelas e o jogo da malha.
Tendo em conta as recomendações de poupança no tempo de crise económica que o país está a atravessar, as Festas do Concelho cumpriram a tradição satisfatoriamente, mas deixando expectativas, ou pelo menos vontade, de que algo melhor… Nem que seja apenas a beneficiação do piso do recinto que as acolhe!
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Declarações do presidente da Direcção dos Bombeiros, Alexandre Sousa, ao «Farol da Nossa Terra»
Questionado no último dia sobre o que havia a destacar nesta edição das Festas do Concelho, respondeu:
- “Há a destacar a exposição dos queijos, foi uma novidade este ano, ficou junto às exposições do vinho, acho que se enquadra muito bem naquele sector. Há a destacar também a forma como tudo decorreu, acho que correu sempre bem, apesar do tempo não ter ajudado muito até ontem. Mesmo assim, toda esta zona das tasquinhas e dos palcos esteve sempre concorrida e há a realçar ainda a forma como as pessoas se comportaram. Quem por cá passou viu que foi um sucesso. O programa satisfez, as pessoas ficaram até tarde, estamos muito contentes com a forma como as coisas decorreram”.
Sobre a supressão do habitual passeio da “Velhada em Bicicleta”, afirmou:
- “É um bocado difícil gerir isso em termos de calor, não tem sido fácil, e depois criam-se alguns problemas, até de assistência por parte dos bombeiros, porque estamos sempre em cuidado com a hipótese de haver fogos”.
Relativamente ao local das festas, disse:
- “Este local tem uma coisa muito boa, é estar vedado. Admitimos que possam haver outros locais, mas o que temos aqui de bom é a segurança que dá por estar vedado e as instalações sanitárias. Não viramos a cara a outra alternativa, desde que tenha estas condições e se justifique a mudança”.
Segundo disse, o modelo de festa com entradas gratuitas e com nomes menos sonantes é para continuar, explicando:
- “As entradas gratuitas são um factor importante para que a festa não morra. A opção que fazemos com os artistas vai ser a mesma. Ela já não é assim tão barata, não é, isso sim, tão cara como as outras, onde têm um artista como um Xutos & Pontapés, um José Cid, um Luís Represas ou outros do topo nacional. Um modelo de festas de oito ou nove dias não me parece que seja compatível com uma pequena vila, para se estar a investir 60 mil ou 70 mil euros num grande artista, porque pode correr-se o risco de não realizar o dinheiro. Vamos supor que se contrata por 70 mil euros o Xutos & Pontapés e nesse dia chove, como já sucedeu nalguns dias em Julho de outros anos. Resultado, são 70 mil euros que não se realizam em bilheteira nem noutras actividades e a Associação dos Bombeiros não tem capital para suportar isso. Tomara nós tê-lo, mas seria para fazer face a outras necessidades mais urgentes! Portanto, este é um modelo seguro, de cautela, de prevenção de riscos, e não arriscamos o futuro da Associação”.
Questionado se o apoio da Câmara também obrigava a manter esse modelo das festas, respondeu:
- “O apoio da Câmara manteve-se, são 40 mil euros, é igual ao do ano passado”.
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Olá!
E que tal publicarem os números dos bilhetes premiados do sorteio dos Bombeiros. Dizem nos bilhetes que publicavam os resultados no site dos bombeiros e nada. À atenção!!!!