Quinta, 09 Fev 2012

Teatro — Domingo, 25 Maio 2008 — 0 Comentários

Carregal do Sal – Festival “II Nacos de Teatro” apresentou duas peças numa mesma noite

1.jpgDepois do sucesso na abertura do festival, no dia 10 do corrente mês de Maio, com “Um Dia Destes”, original de produção NACO, interpretado por Lira e Pytum Keil do Amaral, e excepcionalmente repetido no dia 17, o Núcleo de Animação Cultural de Oliveirinha (NACO) deu ontem, à noite, continuidade à segunda edição do festival «Nacos de Teatro – Mostra de peças para dois actores ou menos» com a apresentação dos monólogos “200 Gramas” e “Malefícios do Tabaco“.
Também estas duas peças colheram sucesso, com destaque para a soberba interpretação de António Júlio (Porto) em “200 Gramas“, uma produção conjunta da Fundação de Serralves (Porto) e do Mugatxoan/Arteleku (San Sebastian – Espanha).
Uma tela de projecção separava o público do actor, cabendo ao espectador adivinhar e imaginar as personagens e as histórias passadas em sombra chinesa, sem ter a certeza se todas elas partiam de um só corpo. Espectáculo visual e sensível, sobremaneira diferente, onde tudo evolui quase que por magia, muito agradou ao público que enchia a sala, tornando-se esse agrado bem notório nos aplausos e nas reacções ante uma representação de alto nível, onde a precisão e a fisicalidade do actor/criador António Júlio foram notáveis.
Com duração mais ou menos idêntica, em “Os Malefícios do Tabaco“, Fernando Gonçalves, actor do grupo de teatro “Mãos à Obra!”, do NACO, vestiu durante meia hora a pele de Ivan Ivanivitch Nioukhine, marido de uma senhora que dirige uma escola de música e um colégio para raparigas, fumante inveterado, obrigado pela mulher a fazer uma palestra sobre os malefícios do cigarro. No entanto, o assunto ia sendo consecutivamente adiado, pois “Ivan Nioukhine” aproveitou o momento para fazer uma retrospectiva da sua vida, falando dos seus sonhos, dos seus anseios e até do poder e do domínio que a mulher exerce nele.
Só ao aperceber-se que mulher vai chegar é que aquele pseudo professor, mas pessoa culta, vai directo ao assunto: “Por exemplo, se metermos uma mosca dentro duma tabaqueira ela morre, aparentemente por desarranjo nervoso…“. Terminando: “O tabaco é, para falar correctamente, uma planta…“.
Fernando Gonçalves, amador destas lides, não deixou ficar mal a participação do NACO no festival, idealizado com o propósito de apresentar tipos de teatro com características diferentes das habituais e com o contributo de grupos profissionais. O público gostou, aplaudiu calorosamente, até da parte de experiente gente do teatro que ali se deslocou mais uma vez, prestando reconhecimento ao excelente trabalho que o NACO tem vindo a desenvolver nesta área cultural.
Sendo justo, uma palavra especial de apreço para a participação de António Júlio no festival, actor com trabalho em várias companhias profissionais, havendo a realçar o facto de se ter deslocado da Alemanha para Oliveirinha no dia do espectáculo, depois de ter apresentado a mesma peça em Frankfurt na quarta-feira, dia 21, portanto dois dias antes, o que revela bem a consideração que o trabalho do NACO já desperta em profissionais do seu nível.
Circunstâncias como esta fazem sentir ainda mais a ausência de uma palavra de agradecimento e elogio por parte de representação da autarquia, e é triste ver partir os actores no final de cada espectáculo com a sensação de tal indiferença.

2.jpg3.jpgImagem 018.jpgImagem 023.jpgImagem 024.jpgLino Dias

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