Quinta, 09 Fev 2012

Filarmónicas — Terça-feira, 25 Maio 2010 — 0 Comentários

Filarmónica de Cabanas de Viriato obteve sucesso na apresentação do I Concerto Fernando da Silva Campos

Imagem 001.jpgDomingo, 23 de Maio, a Banda Filarmónica de Cabanas de Viriato apresentou o I Concerto Fernando da Silva Campos na igreja paroquial da própria vila, com início às 21h00, em homenagem àquele seu antigo e saudoso dirigente, recentemente falecido.

Uma centena de pessoas teve, assim, oportunidade de assistir a um agradável e renovado reportório num cenário de especial beleza e significado, o que fez realçar ainda mais a solenidade de que o concerto se revestiu. Pena que a banda não coubesse no coro do altar e tivesse de ficar posicionada em plena nave da igreja, onde a harmonia saiu algo prejudicada com a aspereza proveniente da ressonância de batidas mais intensas.

Fora esse pormenor, que até poderá ter passado despercebido à maioria da assistência e que em nada retirou brilho ao concerto, a banda executou admiravelmente Bach To The Future (arr. Jerry Williams), Highlights From Overture 1812 (Peter Tschaikowsky – arr. James Jurrens), PC Suite (Ennio Salvere), Fate Of The Gods (Steven Reineke – arr. Matt Conaway), God Save The Queen (Medley Queen – Carlos Marques), Xylomania (Wim Laseroms) e Tributo a Júlio de Barros Mendes (Carlos Marques). Nota altíssima para o jovem Bruno Lourenço, solista em Xylomania, a pôr a assistência de pé e ao rubro numa prolongada ovação.

Foi naquele ambiente caloroso que, logo a seguir, o presidente da direcção da Sociedade Filarmónica, Francisco António Campos, usou da palavra. Na saudação ao público, dirigiu particular agradecimento às presenças do presidente da Assembleia Municipal de Carregal do Sal, dos vereadores Joana Carvalho e Rogério Abrantes, e do presidente da Junta de Freguesia de Cabanas de Viriato. Esclareceu que o concerto não era propriamente uma homenagem e deu a saber que a homenagem devida a Fernando da Silva Campos irá ser feita em conjunto com outras colectividades de Cabanas de Viriato. Seguidamente, elogiou a competência do maestro Evaristo Neto e o trabalho que tem desenvolvido na evolução musical da juventude que impera na banda. Estendeu os agradecimentos aos colegas da Direcção, sublinhando: “Estou sem palavras para lhes agradecer tudo o que têm feito por amor a esta causa”. Referiu, então, que são exemplos como os de Fernando da Silva Campos e Júlio de Barros Mendes que motivam a Direcção, dos quais enalteceu o muito que deram ao concelho e, em especial, à Filarmónica.

O concerto foi concluído com a marcha do Tributo a Júlio de Barros Mendes, tocada de pé e com a assistência em igual posição de preito.

Depoimentos

“Esta lembrança, considerando que meu pai foi durante muitos anos presidente da Direcção e neste momento é o presidente honorário, é uma recordação bonita da Filarmónica e para nós, familiares, é um momento agradável, mas também de alguma tristeza” – disse António Campos, filho de Fernando da Silva Campos, à reportagem do «Farol da Nossa Terra». Referiu o mesmo que lhe foi confirmado antes não se tratar, concretamente, de uma homenagem e que, portanto, deixou para outra oportunidade “os agradecimentos formais, quer à Filarmónica quer aos presentes e até a algumas pessoas que durante os anos conviveram muito de perto” com o seu pai, “aqueles amigos mais do peito e que o acompanharam nestes últimos anos”. De qualquer modo, disse-o ainda António Campos, “é uma lembrança muito simpática, muito agradável, e foi uma ideia muito bonita”.

Questionado se espera que a autarquia se associe à homenagem que está para ser feita, respondeu o filho de Fernando Campos: “Não me compete a mim dizer se falta, se ele merece ou não uma homenagem. Tenho, no entanto, uma dimensão de tudo o que meu fez em prol da coisa pública, porque, de uma forma geral, ele pôs o interesse público, seja de Cabanas, seja do concelho, digamos Câmara, acima dos interesses particulares. Quem se der ao trabalho de fazer o balanço de uma forma fria, naturalmente, encontrará muito trabalho e muito empenho do meu pai a bem do concelho. O meu pai esteve envolvido na Filarmónica, nos Bombeiros, foi presidente da Junta durante uma série de anos, foi vereador da Câmara alguns 30 a 40 anos, e tudo isto é causa pública”.

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Afirmou o presidente da direcção da Filarmónica, na sua intervenção, que o concerto não devia ser visto como uma homenagem. Questionado acerca disso, disse Francisco António Campos: “Isto pretendeu ser um tributo só, é uma coisa para ganhar continuidade e que possa marcar o início, digamos, da campanha. O que nós queremos é perpetuar o nome de Fernando Campos, deixá-lo ficar ligado à Filarmónica e com algum reconhecimento, sem nos esquecermos, até, que foi o primeiro presidente honorário que a Filarmónica teve”. Acrescentou este dirigente que Fernando Campos “merece, com certeza, muito mais que isto, numa homenagem que possa congregar as várias colectividades onde esteve ligado com relevantes serviços”. Recordou, particularmente, a Igreja, os Bombeiros e a Filarmónica, mas admitiu que a Câmara Municipal se possa associar a essa homenagem, “se ela quiser”, justificando: “Parece-me que os anos que ele lhe esteve ligado como vereador são um exemplo de serviço no nosso concelho”.

Estando o concerto identificado como primeiro com o nome de Fernando Campos, foi perguntado se era intenção mantê-lo anualmente. Esclareceu Francisco Campos: “Ele será anual, mas também pode acontecer que apareça um convite para fazermos um segundo concerto nestes moldes, não tem que ser forçosamente anual, mas a intenção é que, no mínimo, seja anual e numa data muito próxima desta”.

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Não tendo sido uma homenagem, o que tem de especial este tributo? A esta questão, respondeu o maestro Evaristo Neto assim: “Há sempre algo de especial e se assim não fosse não atribuiríamos, de certo, este nome ao concerto. Eu, principalmente, tenho isso como noção, porque no fundo era a amizade que nos unia. O Sr. Campos era pessoa por quem a gente tinha grande consideração, não há palavras para o poder descrever”. Para o maestro, este concerto não é também propriamente um tributo, e argumentou acerca disso: “Quando se tiver de fazer um tributo, tem de ser uma coisa muito diferente, tem que ser uma coisa em grande, porque, no fundo, é aquilo que ele merece. Isto que agora fizemos é, por assim dizer, uma homenagem singela e, ao mesmo tempo, para sairmos um bocado do marasmo do ensaio. No fim, estivemos a trabalhar, estivemos a cuidar e, se calhar, da minha parte, foi também um bocado um incentivo para com os músicos, para trabalhar outro tipo de reportório, para podermos ter algo de diferente, mesmo em termos do local. No fundo, como disse, foi uma singela homenagem no arranque do que há-de vir por aí em grande. Agora em termos de tributo, não lhe chamaria isso, porque a pessoa em causa merece uma coisa séria, em grande, mesmo à altura da pessoa”.

Quanto à opção do espaço, explicou Evaristo Neto: “A ideia do espaço foi dar um pouco de dignidade ao concerto e permitir às pessoas ouvirem um reportório diferente, de outra maneira, num espaço em que há uma procura diferente, que tem condições diferentes”.

Lino Dias

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