Efemérides — Segunda-feira, 26 Abril 2010 — 0 Comentários
Governador Civil de Viseu presidiu comemorações do 25 de Abril no concelho de Carregal do Sal
Amadeu Carvalho Homem, investigador e professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, foi a central das comemorações oficiais do dia 25 de Abril no concelho de Carregal do Sal, este ano honrosamente presididas pelo Governador Civil do Distrito de Viseu.
Muitos anos passaram até que as comemorações do 25 de Abril deste concelho contassem com a presença do Governador Civil, tendo essa distinção sido concedida por Miguel Ginestal este ano, apesar de ter recebido convite de outros concelhos e de à frente da Câmara estar outra cor política. Conforme viria a justificar no seu discurso, tendo recebido agora o primeiro convite oficial por parte deste concelho, de bom grado o aceitou vendo nele a oportunidade que aguardava para, em sítio próprio, passar uma sua mensagem de apoio à recuperação da casa onde viveu Aristides de Sousa Mendes.
A recepção aos convidados iniciou-se às 10h00, aguardando-se depois a chegada da Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Carregal Sal e todo um cortejo de bombeiros da própria corporação e da corporação de Cabanas de Viriato e de socorristas da Delegação da Cruz Vermelha de Oliveira do Conde, em desfile pelas ruas centrais da vila. Após a chegada, procedeu-se ao hastear das bandeiras (nacional, europeia, concelhia), seguindo-se a revista à guarda de honra por parte do Governador Civil, acompanhado pelos presidentes da Câmara e da Assembleia.
As cerimónias tiveram continuidade no salão nobre dos Paços do Concelho, que apresentava uma assistência perto de completar oito dezenas de presenças, maioritariamente composta por autarcas locais, elementos dos Bombeiros e da Delegação da Cruz Vermelha, dirigentes associativos e individualidades convidadas, destacando-se entre estas o comandante do Posto da GNR, Liodoro Simões Rodrigues, e a juíza do Julgado de Paz de Carregal do Sal, Elisa Flores, tendo esta ocupado lugar na mesa de honra, a par do Governador Civil, do presidente da Câmara, do presidente da Assembleia e do palestrante convidado.
“Para os jovens de hoje será talvez difícil imaginar o que era viver neste Portugal de há trinta e seis anos”, afirmou Romina Santos, ao conduzir a participação de um grupo de alunos da Escola Secundária em início da sessão solene. Após leitura de um texto adaptado da obra «Portugal – 20 Anos de Democracia», iniciado com a afirmação de que “em vésperas do 25 de Abril, Portugal era um país anacrónico”, declarou: “Mas Abril é também poesia!”. Neuza Gonçalves, acompanhada à viola por Vasco Batista, declamou então o poema “Vinte e Cinco de Abril”, escrito, a pedido dos próprios alunos, pelo poeta carregalense Hermínio Cunha Marques. Ouviu-se depois um excerto da canção “Somos Livres”, de Ermelinda Duarte, acompanhado de um pequeno filme ilustrativo. Seguiu-se Miguel Abrantes na declamação do poema “Abril de Abril”, também acompanhado à viola por Vasco Batista. Em final da intervenção destes alunos, Romina Santos propôs que a plateia se levantasse e cantasse com eles “Grândola Vila Morena”, de José Afonso. O desafio surtiu belo efeito e fez brilhar ainda mais a participação destes alunos!
Na programada intervenção dos representantes dos órgãos autárquicos, usaram da palavra António Jorge Figueiredo (deputado independente), Carlos Jorge Gomes (deputado PS) e Luís Humberto Fidalgo (vereador PSD). A poesia voltou a ouvir-se, dessa vez dita por Jorge Figueiredo, num excerto do poema “As Portas que Abril Abriu”, de Ary dos Santos, e por Luís Fidalgo, na declamação do poema “Vinte e Cinco de Abril”, de Hermínio Cunha Marques, em versão publicada dois dias antes na primeira página do jornal Defesa da Beira e no próprio dia no Farol da Nossa Terra.
Limitado a meia hora de palestra, que o mesmo fez questão de cumprir rigorosamente, Amadeu Carvalho Homem centrou a sua intervenção nos 100 anos da República e nos 36 anos do 25 de Abril, fazendo salientar a importância das revoluções republicanas como um precedente da revolução dos cravos. “Na perspectiva do republicanismo, republicanos são aqueles que aceitam as regras da democracia”, afirmou a esse respeito, acrescentando que o 25 de Abril “não é um coelho tirado de qualquer cartola, não é um exclusivo ou pertença de alguém”, mas sim “uma conquista, um património de todo um povo”. Chegou mesmo a questionar: “Qual de nós se atreve a dizer que está errado este valor republicano quando não quer tudo para uns e nada para outros?”.
A religião, a bolsa de oportunidades e a escola foram alguns dos aspectos que o palestrante focou numa abordagem ao ciclo da história contemporânea portuguesa. Incisivo no tocante à escola, comentou que “a aprendizagem não pode ser feita a brincar, com ensino mole” e que há necessidade absoluta de professores competentes, sabedores e que pratiquem a cultura da exigência. “Não podemos mais suportar que dentro de uma escola o professor seja desrespeitado”, reforçou, virando depois a atenção para a atitude dos pais: “Se o menino tem notas insuficientes porque não trabalhou, logo o pai vai à escola questionar a competência do professor, por outras palavras, agredir o professor”. Contrapôs, então: “Não podemos constituir um Portugal desta maneira, o 25 de Abril incutiu ideias que têm de ser corrigidas em favor dos princípios do próprio 25 de Abril”.
O princípio da autoridade competente, da hierarquia esclarecida, do respeito pelas chefias, foi um outro dos princípios republicanos que Amadeu Carvalho Homem valorizou, advertindo: “Não podemos construir um país em face da impunidade, esta República e esta democracia precisam de ser curadas”. Ao concluir a sua palestra, afirmou: “A grande mensagem que aqui trago é que sejamos patriotas, saibamos construir o futuro e metamos na cabeça que há péssima e há óptima gente em todos os partidos”, adiantando ainda que “a palavra que deve estar vinculada a este 25 de Abril é esperança” e que, ante o “inalienável património da liberdade”, não há razão para medos, tendo-se a certeza de que “se os poderes progredirem no caminho do medo, enxovalham-se, caem de podres”. Uma estrondosa salva de palmas, com todos de pé, fez reconhecimento à qualidade e ao apreço da palestra.
Orador seguinte, o presidente da Assembleia Municipal, Artur Jorge Saraiva, em curta intervenção, subscreveu a “totalidade do que foi dito”, agradeceu a presença do Governador Civil e falou do “privilégio em ter tido Amadeu Carvalho Homem como professor”. Já habitual, também este ano Hermínio Cunha Marques foi chamado, extra programa, a declamar um poema de sua autoria alusivo à efeméride. Como o mesmo tinha sido já dito por Luís Fidalgo, limitou-se a agradecer a concessão do uso da palavra e as “palavras carinhosas” de Luís Fidalgo aquando da leitura do poema, alegando que não se justificava a leitura repetida desse poema. Curta foi também a intervenção do presidente da Câmara, por ter “a vida facilitada” com as intervenções anteriores, as quais subscreveu. Agradeceu as presenças, o contributo dos alunos da Escola Secundária e a participação dos bombeiros e dos socorristas, reservando um agradecimento especial a Amadeu Carvalho Homem, pela “aula extraordinária” e a “mais-valia que deu às comemorações”, e ao Governador Civil, pela honra da sua presença e pela preferência dada a Carregal do Sal, tendo outros convites.
Cabendo-lhe encerrar a sessão solene, Miguel Ginestal, após as saudações, apontou três razões da sua presença: primeira, por o presidente da Câmara ter sido amigo de seu pai; segunda, por ter sido a primeira vez que foi convidado para uma visita oficial a Carregal do Sal; terceira, pela oportunidade de transmitir o seu apoio à recuperação da casa onde viveu Aristides de Sousa Mendes. “Temos de olhar aos homens que construíram este Portugal”, afirmou, lembrando que no distrito de Viseu nasceram figuras ímpares da história, como o monárquico Serpa Pinto, o republicano Aquilino Ribeiro e o herói mundial Aristides de Sousa Mendes. “Não queria ser mais um governador que passou por este mandato sem tudo fazer em Carregal do Sal e Cabanas de Viriato para se reconstruir aquela casa e fazer de Aristides de Sousa Mendes uma memória viva e dos valores da portucalidade” – assim atestou o contributo que pretende exercer no apoio à recuperação da Casa do Passal.
Ao manifestar-se agradado com a participação dos alunos da Escola Secundária, o Governador Civil sublinhou: “Sempre que tenho jovens em cerimónias, alerto-os de que têm de ter consciência que não estão num mundo em que foram criados os seus pais”. Referiu, então, que “já não há empregos para a vida, há competências, em qualquer canto do mundo” e que “não há bons empregos sem bons empregadores, nem empresas sem bons colaboradores”, concluindo: “Só em conjunto podemos construir instituições e empresas fortes, sustentáveis, duradoiras, só assim conseguiremos constituir uma sociedade justa, forte e democrática, e só assim faz sentido o 25 de Abril, temos de construir isso todos os dias”.
A nível de actos comemorativos, também este ano nenhuma iniciativa de cariz popular assinalou o 25 de Abril, indo já longe o tempo em que a autarquia colocava palco e animação musical no Jardim Dr. Manuel da Costa, proporcionando à população em geral um complemento mais festivo de assinalar o 25 de Abril.
.
VINTE E CINCO DE ABRIL
Dos dias empolgantes mais vividos,
Vinte e Cinco d’Abril vem à lembrança,
Nós ainda não éramos nascidos
Mas falado nos foi quando em criança!…
Diziam-nos que trouxe a Liberdade
Que uns Bravos Capitães quiseram dar
Ao Povo que só tinha, na verdade,
O tal dever d’ ouvir e se calar!…
Um País que vivia em escuridão,
Preso a esses ideais ultrapassados,
Que não davam direito ao cidadão,
A contestar quando algo estava errado!
Nossos pais e os avós assim viveram
Até que o Dia chegou e se cantava
Com cravos que, de mão em mão, s’ergueram
“Gaivota, asas de vento, que voava”!…
E esse Dia ficou também p’ra nós,
Nas marcas que deixou tão grande evento,
Como que um hino a dar-nos sempre voz
Para a livre expressão do pensamento!…
E passados que são trinta e seis anos,
Vinte e Cinco d’Abril nos faz sonhar
Que foi desse acto heróico, tão humano,
Que somos hoje livres de voar!…
Hermínio Cunha Marques
(lido por Neuza Gonçalves)
.
DISCURSOS DE REPRESENTANTES DAS BANCADAS DOS PARTIDOS POLÍTICOS
.
ANTÓNIO JORGE FIGUEIREDO:
Invariavelmente num qualquer discurso de uma cerimónia evocativa, podemos à partida (de entre muitas) adoptar uma de duas posturas. A assertiva ou o seu contrário. Confesso-vos que após alguns necessários momentos de reflexão, considerar que devo propositadamente romper com qualquer uma das posturas enunciadas, ou se se quiser, por um outro ângulo, irei adoptar ambas.
Realisticamente, importa acima de tudo, termos a noção clara que evocar Abril é um acto que se reveste da maior importância, hoje e sempre.
Nunca será de menos termos presente que se a história nos tivesse sido madrasta à 36 anos, nenhum de nós poderia marcar presença neste espaço, com a liberdade e o à vontade com que o fazemos aqui e agora.
Entendo que a melhor forma que disponho para comemorar Abril, em detrimento da feitura de um repositório histórico, será cumprir com apego, emoção, lealdade e em total liberdade o mandato de deputado à Assembleia Municipal. Exercendo e apelando para que em cada dia se cumpra cidadania.
Exercer cidadania é cumprir Abril.
Assinalamos hoje 36 anos da revolução de Abril.
Considero que muito de nós, temos plena consciência que o acto de celebração de uma data, acontece inúmeras vezes sem chama, sem alma, ocorre de forma rotineira,
se quisermos apenas porque assim tem que ser e,
este facto faz com que poucos de nós parem para pensar como somos realmente únicos e privilegiados.
Únicos e privilegiados, sobretudo porque ao invés de nos colocarmos à margem dos factos e dos acontecimentos, queremos deles fazer parte, e de fazer acontecer de acordo com as nossas mais profundas, arreigadas e maturadas convicções. Recordemo-nos que aos olhos de muitos povos no mundo, esta cerimónia que se realiza anualmente e, que aceitamos como normal, é nada menos que um milagre. O milagre da assumpção plena da liberdade, que nos deve merecer um profundo respeito por todos aqueles que arduamente lutaram para que este desiderato fosse alcançado.
Assim, o horizonte que conjuntamente queremos traçar para este nosso território pleno de feitos históricos, deve ir de encontro às palavras com que Sophia de Melo Breyner celebrou Abril de 1974 quando escrevendo dizia:
“E assim nasceu o dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio…”
Utilizo o termo horizonte de forma propositada, com o intuito de associar o vocábulo ao conceito de perspectiva ou probabilidade de desenvolvimento, de progresso e de melhoria. Verdade indesmentível é aquela que alude para a impossibilidade de prever o futuro, no entanto, com igual convicção podemos afirmar de forma convicta que podemos e devemos prepará-lo. O nosso agir depende da nossa memória do passado, da nossa análise do presente e da nossa perspectivação e antecipação do futuro.
Para que os ideias de Abril se cumpram e não se fiquem apenas na letra morta de discurso, permito-me de forma arrojada lançar sementes de esperança, recordando aos mais novos que a manutenção das conquistas de Abril depende sobretudo deles.
Permito-me à guisa de conclusão evocar um dos muitos e grandes poetas de Abril, no caso vertente: José Carlos Ary dos Santos.
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!
Disse…
.
CARLOS JORGE GOMES:
Comemoram-se hoje os 36 anos do 25 de Abril.
Falar de “Abril” hoje, não poderá ser apenas um apelo à Memória colectiva de um Povo que, nessa data, se libertou de uma opressão de várias décadas.
Falar de “Abril” hoje, não pode ser apenas o perpetuar do nosso reconhecimento àqueles que, ao longo da ditadura, tiveram a coragem de resistir, de dizer não, de correr riscos, sofrendo ameaças e perseguições, prisões e exílios; não pode ser apenas o perpetuar do nosso reconhecimento àqueles que quiseram eleições livres e democráticas e acabaram assassinados, como foi o caso do General Humberto Delgado.
Falar de “Abril” hoje, é sobretudo, falar num compromisso de honra perante a nossa História, perante os homens e as mulheres que, ao longo da nossa existência como povo, defenderam a autonomia e a independência nacionais, sonharam com a evolução e com o progresso, pugnaram pela liberdade e pela justiça social. Esse compromisso esteve presente em 1383, em 1640 e em 1820. Mas também esteve presente em 1910, aquando da Proclamação da República, cujo centenário este ano comemoramos, e que por isso merece uma referência e um destaque especiais.
Falar de “Abril” é certamente comemorar uma Revolução – que significativamente é designada como a Revolução dos Cravos – que pôs fim a um regime autoritário e a uma ditadura, dando-nos a Liberdade e a Democracia, abrindo-nos o caminho aos Direitos Humanos, à Europa desenvolvida e à dignidade de voltarmos a ser um Povo de diálogo a várias vozes.
Mas, falar de “Abril” hoje, não deve ser – não pode ser – apenas o comemorar de uma data histórica, para voltarmos amanhã à rotina dos nossos dias e ficarmos indiferentes aos atropelos constantes ao seu espírito e aos sonhos que desencadeou.
Chegámos a um tempo em que a ambição pela felicidade e pelo bem estar, o anseio legítimo por uma vida melhor e mais solidária e a esperança de mais igualdade de oportunidades e de mais justiça social, parecem estar em causa.
Julgo que vivemos uma situação de – como diria o grande poeta Fernando Pessoa – “estarmos no início de tornar a começar” !
“Estarmos no início de tornar a começar” significa, a meu ver, antes de mais, recordar e sublinhar os princípios, os valores e os ideais que há 36 anos o 25 de Abril promoveu e que entusiasmaram o país.
E depois desenvolver práticas e acções, políticas e outras, que os concretizem e efectivem. A nível nacional certamente, mas também a nível local.
A nível local – e estamos, aqui, hoje, numa iniciativa municipal – valorizando e prestigiando o poder local democrático e representativo, que é precisamente – é bom não o esquecer – uma das grandes conquistas do 25 de Abril. Valorizar o poder autárquico, as suas instituições e os seus órgãos como a Assembleia Municipal, as Juntas e Assembleias de Freguesia, e claro, a Câmara Municipal.
E tendo presente que, também no exercício dos cargos municipais, o interesse geral, o interesse público, o interesse colectivo dos munícipes, que deve traduzir as suas expectativas e os seus anseios, deve prevalecer sempre, repito, deve prevalecer sempre e deve estar sempre acima de tudo e de todos.
Para isso é necessário promover políticas e concretizar acções que corporizem valores e princípios que são hoje genericamente consensuais de que destaco a defesa do ambiente e da qualidade da água, a implementação e manutenção de espaços verdes, o ordenamento urbano e da floresta e o apoio ao associativismo, cujo papel, na promoção e realização das populações, é reconhecido.
Enfim, o desenvolvimento justo e equilibrado das nossas populações e dos nossos territórios.
Minhas senhoras e meus Senhores:
Vivemos tempos difíceis. Na nossa vida quotidiana muitas vezes parece que o “espírito” de Abril é ignorado, está esquecido, diria que é até subvertido. Muitos questionam se valeu a pena; se valeu a pena lutar, se valeu a pena confiar, se valeu a pena acreditar.
Para os mais pessimistas e para os mais cépticos, para os mais desiludidos e para os mais desapontados, com realismo, gostaria de lembrar que este é o tempo de “estarmos no início de começar de novo”.
E com isso voltarmos a acreditar que o sonho é possível e que podemos voltar a ser, na liberdade e na democracia, um país ambicioso, um pais confiante que se torne progressivamente mais justo, mais fraterno e mais solidário.
Viva o 25 de Abril!
Viva Portugal!
Tenho dito.
.
LUÍS HUMBERTO FIDALGO:
No ano em que se evocam os 100 anos da implantação da República, renova-se o ritual de comemorar o 25 de Abril de 1974 que fez renascer os valores republicanos da liberdade, da justiça social e do ideal democrático.
Todos os dias somos confrontados com a afirmação de que “é preciso fazer outro 25 de Abril”, isto perante os verdadeiros atropelos aos valores de Abril a que hoje se assiste em catadupa.
Diariamente vêm a público autênticos escândalos que subvertem os mais elementares valores da Justiça e da procura de uma sociedade mais igualitária. A corrupção, a impunidade e o compadrio a que se assiste, contaminam e degradam as Instituições, a vida colectiva, a política e os próprios alicerces do Estado de Direito Democrático.
Os Portugueses ficam chocados quando se lhes pedem grandes sacrifícios em nome da “crise” e constatam que, afinal, a “crise” não é para todos.
O escândalo que constituem as várias e chorudas reformas acumuladas por alguns dos mais altos responsáveis do poder. A “sem vergonhice” dos prémios milionários dos gestores das nossas empresas, algumas a operarem e a imporem preços de serviços a todos nós em situação de verdadeiro monopólio.
“Ganharás o pão com o suor do teu rosto”
Assim nos foi imposto.
E não:
“com o suor dos outros ganharás o pão”
(Excerto do poema “as pessoas sensíveis” de Sophia de Mello Breyner)
A situação de privilégio de que gozam os bancos e banqueiros com lucros especulativos, à custa de todos nós, tributados muito abaixo dos rendimentos do trabalho.
A teia de interesses que está instalada no aparelho do Estado, das Autarquias, na vida política em geral, no mundo empresarial e da finança, é transversal e incluí se não toda, quase toda, a classe dirigente que, por isso, está desacreditada e sem qualquer autoridade moral para pedir sacrifícios à maioria da população que vê o “cinto” cada vez mais apertado.
“Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem”
(Do poema citado)
Que dizer ao funcionamento da Justiça que, muitas vezes, envergonha o próprio nome, ilibando os ricos, os poderosos, os corruptos, condenando os mais fracos e vulneráveis.
Ainda há poucos dias víamos a indignação de um conhecido Advogado a denunciar as arbitrariedades de uma chocante Decisão Judicial que ilibou um empresário que alegadamente teria corrompido um Autarca de Lisboa, com fundamentos incompreensíveis para o senso comum. Todos os dias vimos a inércia e entorpecimento da Justiça perante a corrupção, a fraude e a arbitrariedade.
A procura de Justiça é um combate permanente para quem ousa enfrentar as forças destrutivas instaladas na sociedade e no poder.
É, pois, necessário “um outro 25 de Abril”. Um 25 de Abril feito, agora com as “armas” que a Democracia nos faculta, devolvendo-nos a esperança de um Portugal com justiça social, ética e solidariedade. Isto só será possível se cada um de nós deixar de ter medo, se cada um de nós assumir uma atitude cívica, denunciando a corrupção, a fraude e a injustiça, parando a degradação da nossa sociedade.
Cito a crónica publicada em 9 de Abril último no “Farol da Nossa Terra”, pelo Membro da Assembleia Municipal Dr. Artur Fontes que, a dado passo diz “se desaparecer-mos como pessoas livres e como cidadãos, se deixar-mos o medo entranhar os nossos espíritos, então o Portugal heróico, o dos heróis do mar, a Nação Valente, o Portugal da memória dos nossos antepassados afundar-se-á”.
Vamos, então, vencer o medo. A responsabilidade é de todos nós. Vamos construir um Portugal verdadeiramente democrático.
Não ficaria de bem com a minha consciência se, neste acto de comemoração de valores democráticos, não invocasse aqui uma personalidade do nosso Concelho, herói do Mundo e exemplo maior dos valores da solidariedade, da fraternidade, da liberdade, vítima da arbitrariedade da Ditadura. Falo, como deduzem, de Aristides de Sousa Mendes.
Por último, homenageio neste acto, um outro Carregalense, poeta, escritor, historiador, amante da sua terra e dos valores que Abril nos trouxe, “cantando-os” nos poemas que invariavelmente escreve e publica nesta data. E, a Homenagem que aqui e agora presto a Hermínio da Cunha Marques, que se encontra entre nós, é ler para todos o poema que hoje publica no Jornal “Defesa da Beira”.
“VINTE E CINCO DE ABRIL! Mais uma vez
Eu trago novos versos para ti,
E foram tantos, pois, os que escrevi
Num canto à Liberdade, em Português!…
Sempre evocando a data neste mês,
Já são trinta e seis anos que vivi
Como em busca do viço que senti
Nos cravos, galardões d’ intrepidez!…
P’los CAPITÃES D’ABRIL, mais que um dever,
Os faço, aos sermos livres de dizer
Que à luz desse tal Sol de Primavera,
O Povo ainda espera ver chegar
Tudo de bom que tinham p’ra lhe dar
E o tempo vai tornando uma quimera!…
Muito Obrigado,
Viva o 25 de Abril, Viva PortugaL
Cronistas
-
AÍ ESTÁ UMA ERRADA DECISÃO
-
UM VEXAME À NOSSA SOBERANIA
-
RISCOS QUE PARECEM ESQUECER-SE
-
DO PARTIDARISMO À FALTA DE OBJETIVIDADE
-
Se não fossem eles, seríamos ignorantes! (II)
-
O LEITOR SABIA?
-
Poema da criação Divina
-
UMA DECISÃO CORRETA
Agenda
- VISEU EM CADEIRA DE RODAS: Carregal do Sal recebe os participantes nas piscinas municipais
- Assembleia Geral do Clube de Futebol de Carregal do Sal
- IN-TRIO em Tondela
- Semana Cultural
- TROFÉU ENDURO DAS NAÇÕES 2010 em Oliveira do Hospital
- Seminário “Serviços Digitais para as Populações Rurais”
- 4.º Aniversário da School House
- Apresentação do livro “Leitaria Carola, o primeiro café em Mangualde e suas receitas centenárias”
Comentários Recentes
- Pena é que muitos mais não sejam liberta...
- Caro deputado, falemos de "destruir a Es...
- È com muito prazer que dou os parabens a...
- Olá:
Em nome do grupo TEIA de Alvarim, ...
- A Direcção desta colectividade, vem desd...
- É sempre com agrado que vejo as festas r...
- Fui ver esse jogo do ABC contra o EAC e ...
- Olá Jorge, é o Luis. Venho de acabar le...








