Festas — Terça-feira, 30 Junho 2009 — 0 Comentários
Grande marcha popular animou noite de São João em Oliveira do Conde
Com forte tradição local, as marchas populares marcam o mês de Junho em Oliveira do Conde com os desfiles em noites de São João e São Pedro, e isso voltou a acontecer nos passados dias 23 (terça-feira) e 27 (sábado).
Organizador desta concorrida festa popular, ininterruptamente desde que a retomou há dezanove anos, o Grupo Recreativo e Cultural Zés Pereiras optou desta vez por lhe introduzir consideráveis alterações: a grande marcha surgiu agora repartida em marcha de crianças e em marcha de adultos, diminuiu a quantidade de arcos e deixou de dançar durante o desfile.
Se, por um lado, havia menos gente nos locais onde a marcha habitualmente parava para dançar e diminuiu o embelezamento das ruas por parte dos próprios moradores, por outro lado, a organização conseguiu concentrar mais gente no recinto da antiga escola primária, sede do grupo Zés Pereiras, no final do desfile de rua. Aquele recinto apresentou-se apinhado de gente nas duas noites de arraial, até porque os preços de um euro para os sócios e dois euros para os não sócios eram acessíveis, tanto mais que em ambas as noites houve bailarico animado por diferentes agrupamentos musicais.
Assim, com entradas pagas para ver as marchas dançar, o objectivo foi conseguir maior receita de bilheteira, e isso, de facto, foi conseguido. “As ajudas cada vez são menos, e tivemos que realizar algum dinheiro”, disse Vítor Albuquerque, presidente da direcção dos Zés Pereiras, ao “Farol da Nossa Terra”, garantindo que a bilheteira contabilizou mais entradas do que nos outros anos.
O tema “Amor” esteve retratado nos dois únicos arcos (um à frente e outro atrás) apresentados este ano no conjunto das duas marchas (24 pares cada uma) e nos adereços em forma de coração que cada par exibia. Além disso, também o vermelho das calças e das saias fazia alusão àquele tema, o mesmo sucedendo com a gola das blusas brancas que os 100 marchantes vestiam. Relativamente à redução de arcos e à opção por adereços exibidos por todos os pares, o presidente da Direcção esclareceu: “Foi para ser diferente, para inovar um bocadinho”.
Ainda que o desfile de rua tenha perdido algum fulgor com o novo modelo agora experimentado, o certo é que a exibição das marchas no recinto da escola ganhou ali outra espectacularidade e colheu redobrado agrado da multidão que se apinhou nos espaços que lhe estavam reservados, visivelmente entusiasmada com as bonitas coreografias e uma maior frescura das marchas. Para Vítor Albuquerque, que, além de presidente da Direcção, é o ensaiador das marchas há quase das décadas, “o novo modelo constituiu um êxito, correspondeu em pleno às expectativas e, portanto, irá ser mantido daqui em diante”.
Nesta tradição de grande e contagiante alegria, o apreço vai também para a união que as marchas operam, pois junta marchantes de outras terras e até de outras freguesias do concelho de Carregal do Sal. Vai ainda para a generosidade e o empenho de todos quantos apoiam o dinâmico Vítor Albuquerque no seu papel preponderante de manter vivas tradições queridas das gentes de Oliveira do Conde, bem vincado não só no ressurgimento das marchas populares, mas também na dinamização das festas do Buçaquito da Azenha e do próprio grupo de bombos Zés Pereiras.
Lino Dias
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