Assistência Social — Terça-feira, 13 Janeiro 2009 — 4 Comentários
Inauguração da Habitação Social Mãos Unidas P. Damião em São João de Areias – Vila da Esperança
Numa parceria que envolveu a Câmara Municipal de Santa Comba Dão, o Centro Social e Paroquial de São João de Areias e a Associação Mãos Unidas P. Damião, foi inaugurada no passado domingo, dia 11 de Janeiro, em São João de Areias, a Habitação Social Mãos Unidas P. Damião.
Foi a concretização de mais um sonho do pároco desta freguesia, Pe. José António Almeida, desta feita com a recuperação de um património que estava degradado e, ao mesmo tempo, com a criação de uma área social, dando resposta, por exemplo, a vítimas da violência doméstica, a casais desempregados, a alguém que ficou sem casa, a pessoas ligadas à droga ou à prostituição, acolhendo-as temporariamente até conseguirem uma alternativa mais eficaz.
O programa da inauguração foi iniciado às 12h00 com a celebração eucarística, na qual marcaram presença as diversas individualidades convidadas, das quais se destacavam Leonel Gouveia, representante do Governador Civil, João Lourenço, presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão, António Correia, vice-presidente da mesma, Mário Nogueira, fundador e director da Associação Portuguesa Mãos Unidas P. Damião, António Antunes, presidente da Junta de Freguesia de São João de Areias, e José Ferraz, presidente da Assembleia de Freguesia. Esta celebração contou com especial
participação do grupo Lúmen Gentium, da Igreja de Santos-o-Velho, de Lisboa, que animou os cânticos da missa e participou, com dança de tradição africana, no ofertório eucarístico.
Depois, em cortejo abrilhantado pela Banda Filarmónica da própria vila, individualidades e populares percorreram a pé o trajecto até ao espaço que ia ser benzido e inaugurado. Nessa cerimónia, Pe. José António procedeu ao ritual da bênção, seguindo-se a inauguração do edifício com o descerramento, por parte da presidente da Câmara e do director da Associação Mãos Unidas, da respectiva placa. No momento, foi também descerrada, por parte de Amadeu Coelho, membro da Direcção do Centro Social e Paroquial, uma outra placa do espaço do mesmo edifício destinado ao Cartório Paroquial.
À visita daquelas instalações, franqueada à multidão que ali se aglomerou, seguiu-se novo cortejo apeado, igualmente abrilhantado pela Banda Filarmónica, dessa vez até ao salão de festas do Lar São José, onde o programado almoço de confraternização foi servido. Participado por centena e meia de convivas, este convívio assinalou também o primeiro aniversário do Centro Alimentar Contra a Pobreza Mãos Unidas Pe. Damião de Santa Comba Dão, juntando responsáveis e colaboradores do mesmo, assim como dos Centros Alimentares congéneres de Leiria e Carregal do Sal.
Ao iniciar os discursos, Pe. José António realçou a importância das parcerias neste e noutros projectos em prol do serviço social, agradecendo à Câmara Municipal e à Associação Mãos Unidas a forma excepcional como têm colaborado com o Centro Social e Paroquial de São João de Areias. “Agradeço muito à Câmara, que desde a primeira hora se disponibilizou e ajudou“, acentuou o sacerdote, estendendo o agradecimento à Junta de Freguesia de São João de Areias.
Mário Nogueira, ao apontar que a acção principal da Associação que fundou em 1998 é o combate à lepra além-fronteiras, deu a saber que há 5 a 6 milhões de leprosos em tratamento através de associações internacionais, sublinhando: “Graças ao nosso trabalho e ao de associações de outros países que se juntam a nós, já não existem esses 50 milhões de leprosos que havia quando começámos a nossa acção“. Ao falar da razão que levou a Associação Mãos Unidas a alargar o raio de acção a outras doenças, como a tuberculose, a malária, a sida, apontou outras lepras dos dias de hoje, referindo-se então à droga, ao álcool, à pobreza e aos sem-abrigo como doenças de marginalização no nosso país. “Por isso estamos empenhados em abrir no nosso país Centros Alimentares Contra a Pobreza e Centros Contra a Prostituição“, afirmou, dando como exemplo a criação do Centro de Acolhimento Temporário agora inaugurado em São João de Areias, designado de Habitação Social, uma vez que a Segurança Social não autoriza que tenha aquela designação, por ter exclusividade da própria instituição.
São João de Areias é a localidade mais beneficiada e a que recebe bolo maior da Associação Mãos Unidas a nível do nosso país. Ao referi-lo, Mário Nogueira pediu ao presidente da Câmara que mandasse acrescentar nas placas com o nome de São João de Areias a indicação de Vila da Esperança.
“Hoje estamos a viver mais um daqueles momentos agradáveis a que estamos habituados em São João de Areias, e o culpado disto tudo é o Padre José António“, disse o presidente da Câmara, ao encerrar os discursos, acrescentando: “Eu já disse ao meu colega da Câmara de Carregal do Sal que se tivéssemos muitos padres como o Padre José António não havia dinheiro que chegasse nas Câmaras. Tem feito um trabalho excepcional, obriga-nos a acompanhá-lo, mas da forma como nos pica e nos estimula, fazemos sempre um esforço para o ajudar, e também por isso o concelho de Santa Comba Dão deve ser o melhor do distrito de Viseu, mais bem coberto, a nível da assistência social“. Dito disto, João Lourenço expressou a esperança de que “com estas respostas e a ajuda de todos, unidos, se consiga minimizar as necessidades sociais do concelho”.
Após os discursos, o grupo Lúmen Gentium proporcionou alguns momentos de agradável animação musical e coral, ao ritmo das sonoridades africanas. Enquanto isso, duas responsáveis do Centro Alimentar Contra a Pobreza Mãos Unidas Pe. Damião de Santa Comba Dão faziam distribuição de uma lembrança alusiva à comemoração do primeiro aniversário daquele Centro, contemplando todos os que ali estavam presentes. Também a Banda Filarmónica presenteou os convivas com uma rapsódia de temas populares, em jeito de despedida, acentuando o tom festivo do acontecimento.
Por fim, como constava do programa, foi feita a apresentação do livro P. Damião de Molokai: O Construtor da Esperança, da autoria de Mário Nogueira, sócio fundador e director da Associação Mãos Unidas P. Damião. Cabendo-lhe essa apresentação, Pe. José António considerou isso uma grande honra para si, “por se tratar de um livro que relata de forma muito simples a vida de Pe. Damião, o apóstolo dos leprosos que vai subir às honras dos altares”. Ao preço de 5 euros por exemplar, os livros inicialmente disponíveis depressa foram adquiridos, tendo havido necessidade de reforçar a quantidade posta à venda, e todos levaram uma grata dedicatória do autor.











Lino Dias
A acção da Associação Mãos P. Damião nesta região da Zona Centro
Nesta zona, que envolve os vizinhos concelhos de Santa Comba Dão e Carregal do Sal, a Associação Portuguesa Mãos Unidas P. Damião, com sede em Lisboa, tem já 5 projectos, todos com ligação à acção humanitária que o Padre José António desenvolve. São eles:
- O Centro de Acolhimento, em São João de Areias, já ocupado. “Está vocacionado para pessoas carenciadas, os sem abrigo, os sem ninguém, digamos assim, que precisam da nossa acção acolhedora“, disse Mário Nogueira.
- A Unidade de Vida Protegida, também em São João de Areias, destinado a pessoas portadoras de deficiência, quer mental quer física. “Já tem aval da Segurança Social e vai abrir brevemente, aguardando apenas a celebração do protocolo com a Segurança Social“, garantiu o mesmo.
- A Habitação Social de Acolhimento Temporário, agora inaugurada, estando pronta para acolher casos que estejam dentro do âmbito da acção acolhedora do próprio Centro. “Podem ser vítimas da violência doméstica, casais desempregados, outras pessoas ligadas à droga, à prostituição, e que queiram sair destes flagelos e ter uma vida mais saudável“, afirmou Mário Nogueira, esclarecendo que essa pessoas serão acolhidas temporariamente, enquanto não conseguirem uma alternativa mais eficaz.
- O Centro Alimentar Contra a Pobreza de Carregal do Sal, a funcionar em dependência do salão da Casa Paroquial de Carregal do Sal, desde Novembro de 2007.
- O Centro Alimentar Contra a Pobreza de Santa Comba Dão, a funcionar na antiga escola primária do Rojão e que agora assinalou o seu primeiro aniversário.
O que motiva a Associação Mãos Unidas a investir mais em São João de Areias, segundo palavras de Mário Nogueira ao «Farol da Nossa Terra», além de ser uma zona central do país, “é saber que aqui os projectos são bem geridos, bem coordenados”, investindo por isso não só na localização mas também nas pessoas. “O Padre José António está muito ligado à Associação e a Associação está muito ligada ao Padre José António, há este cordão umbilical que nos une, que nos faz crescer na solidariedade e é sobretudo isso que nos motiva a estar aqui presentes, em São João de Areias“, reforçou o mesmo.
Habitação Social de Acolhimento Temporário Mãos Unidas Pe. Damião
No essencial, trata-se de um centro de acolhimento de emergência, composto por três pequenos apartamentos, com casa de banho privativa, roupeiros, etc., e camas para 8 pessoas. Dois estão equipados com duas camas, outro com uma, e o outro com cozinha, casa de banho e dois quartos, estando este destinado a um casal e uma criança.
Os que não têm cozinha destinam-se a situações de emergência e as pessoas irão comer ao Centro Social, onde também poderão também prestar alguns serviços. “As pessoas que estiverem aqui não é propriamente para estarem de graça, em que a Câmara paga a luz e a água, e nós damos os alimentos e arrumamos a casa. Não é bem isso o que nós pretendemos. O que pretendemos é que essas pessoas que venham a necessitar, por várias situações, fruto de violência, maus tratos familiares, ou porque perderam a casa, ou por outra razão qualquer, sintam que estão a pagar a estadia, de certa forma, através de uma hora ou duas de trabalho comunitário na própria instituição“, esclareceu Pe. José António.
Uma parte do edifício já era da Igreja e que agora foi recuperada para instalação de um cartório paroquial. “A casa do pároco não tem essa privacidade, nem acho que possa ter. Não estou a falar por mim, estou a falar futuramente“, observou o sacerdote. Além disso, ainda se aproveitou fazer ali a garagem para guarda do autocarro do Centro Social e Paroquial e, eventualmente, de outras viaturas que possam abrigar-se lá da geada. Também as lojas foram aproveitadas para estarem ao serviço do Centro. Outra parte do edifício foi comprada pela Câmara Municipal, a qual ainda se encarregou dos arranjos exteriores.
Os custos andarão mais ou menos em partes iguais. “A Associação Mãos Unidas deu 67.500 euros, o Centro e a Igreja não gastaram muito menos do que isso, e a Câmara também terá pago valor não muito distante dessa verba“, calcula Pe. José António.
Apresentação do livro «P. Damião de Molokai: O Construtor da Esperança»
No seu prefácio, diz D. Manuel Martins: “Este livro, intitulado «P. Damião de Molokai: O Construtor da Esperança» vai ser mais uma ajuda para descobrirmos melhor este tesouro, a par de tantos e tantos livros que se vão escrevendo e que não prestam ou até só fazem o mal. Com o Padre Damião, com o seu testemunho e com a sua mensagem, estaremos a rasgar as nuvens da frieza e da indiferença, para apanharmos o sol da esperança. Que, não obstante tudo e tanto, ainda é possível…“.
Mário Nogueira, autor do livro, termina assim a sua nota introdutória de apresentação de Pe. Damião: “No nosso dia adia, deixemo-nos contagiar pelo testemunho e pelas ilustrações (neste livro apresento diversas) e (re)viva as diferentes etapas da sua vida. Através da biografia que apresento do P. Damião de Molokai, desde o seu nascimento à vida intensa de missionário, passando pelos seus anos de juventude, de internato e junto da Congregação dos Padres Picpus, vai descobrir aqui toda a história do P. Damião, contada em fracções de vida, como quem constrói a esperança“.
Ao começar a folhear este livro, algo nos impele a devorar a sua leitura de uma só vez, pela forma interessante e de grande simplicidade com que o autor nos apresenta de um modo comovente a vida e obra do Beato Pe. Damião, o herói da ilha maldita de Molokai, onde os leprosos viviam uma situação desesperada e sem saída, onde a sociedade os votava ao mais completo desprezo e ao mais negro dos desterros, e onde antes da chegada do P. Damião não existia qualquer equipamento sanitário ou estrutura de apoio social, com os doentes da lepra abandonados a si mesmos e condenados a viverem em condições desumanas.
Portanto, «P. Damião de Molokai: O Construtor da Esperança» é um livro que se recomenda vivamente.
Sobre a sua apresentação em São João de Areias, disse Mário Nogueira ao «Farol da Nossa Terra»: “A apresentação do livro foi feita oficialmente no nosso congresso internacional, realizado em Novembro de 2008, em Lisboa, e hoje quisemos também apresentá-lo aqui, em São João de Areias, por ser a localidade onde mais temos investido e porque as pessoas são merecedoras de que conheçam a obra admirável do Padre Damião, construtor da esperança“.
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Olá, me chamo Filipe e venho aqui pedir uma ajuda a vós, moro em uma comunidade no qual o padroeiro é São Damião,tanto da comunidade quanto da capelinha em que iremos construir, preciso de uma imagem de São Damião, saber se é beatificado se tem realmente uma imagem ou algo mais. Agradeço pela atenção e pela ajuda que puderem me enviar.
Olá, Filipe,
Reencaminhámos o seu pedido para a Associação Mãos Unidas Padre Damião.
Se quiser contactá-la directamente, faça-o através de:
geral@maos-unidas.pt
Boa noite a todos
Frequento um grupo espirita em Goiãnia há 12 anos, começamos estudar a vida de padra Damião de Molokai, gostaria de saber como faço para adquirir este livro maravilhoso.Grata.Debora.
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