Quarta, 08 Fev 2012

Religião — Quarta-feira, 9 Junho 2010 — 0 Comentários

Jubileu de prata de Pe. JOSÉ FRANCISCO PAIS DA MOTA

DSCF2058.jpgPe. JOSÉ FRANCISCO PAIS DA MOTA, reitor da Igreja do Carmo em Viseu, formador do Seminário Menor de Viseu e assistente espiritual de alguns movimentos, comemorou 25 anos de ordenação sacerdotal no domingo, 6 de Junho, em cerimónia realizada na sua terra natal, São Joaninho, freguesia do concelho de Santa Comba Dão.

Com lugar no adro da Igreja Matriz, rodeada de ambiente festivo e de muita alegria, a celebração eucarística do jubileu de prata foi presidida por D. Ilídio Leandro, bispo da Diocese de Viseu, acompanhado dos quatro párocos do arciprestado de Santa Comba Dão e de uma dezena de sacerdotes convidados.

A celebração campal do jubileu contou com a presença de muita gente, sobretudo de conterrâneos, familiares e amigos do sacerdote jubilado, fazendo-se também a autarquia representar ao mais alto nível, com as respectivas representações lideradas pelo presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão, Eng.º João Lourenço, pelo secretário da Assembleia Municipal, Fernando Veloso, e pelo presidente da Junta de Freguesia de São Joaninho, José Cruz.

Nesta simples, mas respeitosa, nota de registo do acontecimento, «Farol da Nossa Terra» apresenta ao Rev. Pe. José Francisco Pais da Mota os mais sinceros parabéns pelos seus 25 anos de sacerdócio, fazendo votos de que Deus o continue a iluminar na sua caminhada de fecundo apostolado.

Lino Dias

Palavras que Pe. José Francisco Pais Mota proferiu na Missa

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Bodas de Prata sacerdotais!

Passaram já 25 anos depois daquela grande celebração neste adro da nossa igreja paroquial, no dia 19 de Maio de 1985, em que pela imposição das mãos de D. José Pedro da Silva, fui ordenado padre.

Nesta sociedade marcada pelo efémero, em que os gostos e as tendências do momento parecem ganhar terreno às verdades eternas, e em que tudo corre o risco de ser a prazo, 25 anos parecem ser muito tempo e quase um acto heróico.

Será assim? Não!

Na verdade, como a Escritura nos ensina a rezar, estes anos pouco mais são do que o dia de ontem que passou. Nada têm de extraordinário. Fascinante tem sido procurar seguir a extraordinária aventura da vida no seguimento de Jesus Cristo.

Imagino que algumas pessoas gostariam de perguntar se o dia de hoje é muito importante para mim. Terei de ser sincero e confidenciar-vos que não sou muito dado a guardar datas nem a celebrar as que a mim dizem respeito. De acordo com esta maneira de ser, tinha dito a mim mesmo que não haveria celebração de Bodas de Prata. E quando o padre Virgílio me abordou neste sentido, afirmei-lhe categoricamente que não queria, concordando apenas com uma celebração que reunisse os padres desta terra, dentro do âmbito do ano sacerdotal. Este era o meu desejo. Parece que não me soube explicar ou então não quiseram atender ao meu anseio. Enfim, é preciso saber perder!

Neste momento, alguns poderão estar com curiosidade em saber por onde andei, ao longo destes 25 anos, depois do dia 19 de Maio de 1985.

Pois bem, num primeiro momento, continuei em Reriz, S. Martinho das Moitas, Gafanhão e Covas do Rio onde tinha feito o estágio pastoral (ali vivi com pessoas de coração grande como são grandes os montes e abertos os vales daquela região).

Passado sensivelmente um ano após a ordenação fui, durante dois anos, capelão da Base Aérea de Monte Real, em cuja localidade fui também capelão das monjas Clarissas.

Passado esse tempo regressei durante mais seis anos a Reriz, S. Martinho, Gafanhão e Covas do Rio, onde, com algum ardor, pude empreender um trabalho pastoral que muito me realizou.

Dali parti, com a saúde muito debilitada, para Loppiano, um centro internacional do Movimento dos Focolares, onde fiquei dois anos. Foi uma experiência rica de vivência evangélica e fraterna. Experiência de como seria o mundo se todos vivessem o evangelho.

Regressado a Portugal fui para as paróquias de Vilar de Besteiros, Mosteiro de Fráguas, Varzielas e Espírito Santo d’Arca. Em Vilar e Mosteiro fiquei durante oito anos. Nesse período, durante alguns meses acompanhei também as paróquias de Barreiro de Besteiros e Tourigo. Ainda nos últimos anos naquela região me foi confiada a paróquia de Caparrosa, com eles trabalhei cerca de três anos.

Das paróquias de Besteiros, uma das coisas que mais guardo no coração é o trabalho de corresponsabilidade e a dedicação de tantos leigos ao serviço do Reino.

Dessa região transitei para a igreja do Carmo, no largo de Sta Cristina, em Viseu, dando, ao mesmo tempo, alguma ajuda no Seminário Menor de S. José. Também não posso deixar de referir que, há dois anos atrás, durante uns meses prestei colaboração na paróquia de Sul (foi um regresso ao S. Macário) e no passado ano pastoral fui o primeiro reitor da igreja da Madre Rita.

Logicamente que a vida destes 25 anos foi muito mais do que um suceder-se de actividades e localidades.

Se me perguntassem agora sobre o que mais guardo destes anos, diria: a alegria de ser cristão. A minha maior felicidade tem sido o facto de me terem dado a conhecer Jesus Cristo e o seu Evangelho. Mesmo se o sigo com muitas imperfeições, nada se compara ao conhecimento e ao amor de Jesus Cristo.

E ser padre?

Ser padre é um ministério que a Igreja entendeu que poderia confiar-me (não sei se ponderou suficientemente…). A mim, com todas as dúvidas normais nestes casos, pareceu-me que o Senhor me chamava por este caminho. Avancei (e avanço) com a consciência clara da minha limitada preparação e habilitação. Confrontando o ministério que me foi confiado com a minha pessoa, como diria S. Paulo, sinto-me: “Atribulado, mas não esmagado; confundido, mas não desesperado… abatido, mas não aniquilado” (2 Cor 4, 8-9). Apoiando-me no mesmo apóstolo, se alguma coisa posso é “em Cristo que me dá força”, vivendo na esperança que na minha “fraqueza se revele todo o seu poder”.

Depois destas divagações tenho que concluir agradecendo:

Ao eterno Pai o Amor que tem derramado na minha vida, a sua infinita misericórdia e compaixão;

A Jesus pela sua constante presença, pela vida, pelo caminho e pela verdade que é para mim;

Ao Espírito Santo pela Luz e pela força (sem isso já teria ficado pelo caminho…).

Agradeço também a Maria que encontrei como modelo do meu caminho espiritual. Agradeço àquela que, através da sua pessoa e da sua Obra, me revelou Maria.

Recordo agradecido a amizade, apoio e compreensão dos meus Bispos: D. José Pedro, António Monteiro, António Marto e, agora, Ilídio Leandro (ao qual agradeço a presença nesta celebração e reafirmo a minha unidade, obediência e cooperação. Nos anos que passei nos Seminários, o então Pe Ilídio foi um formador que me marcou muito positivamente).

Os Seminários, primeiro, e os colegas sacerdotes, depois, foram e têm sido um apoio imprescindível. O meu reconhecimento. Uma menção especial para os meus colegas de curso e outros que, com eles, mais de perto me acompanharam e acompanham.

O padre deixa “Pai, mãe, irmãos, campos e casas” pelo serviço do Reino. Deixa mas não abandona nem despreza. Um bem-haja muito especial à minha mãe (muito se sacrificou por mim e pela igreja), aos meus irmãos, cunhados e sobrinhos (e a toda a família), na esperança que sejamos cada vez mais família e família em Cristo.

Nesta terra, S. Joaninho, nasci para a vida terrena e sobrenatural. Aqui cresci envolvido por um ambiente naturalmente cristão. Sem dúvida que este ambiente me ajudou a colocar a possibilidade da vocação sacerdotal. Foi também com o vosso apoio e a vossa oração que pude seguir em frente. Estou reconhecido por tudo quanto tendes feito por mim. Um especialíssimo bem-haja a todos os que organizaram e trabalharam para tornar possível esta celebração (Não sei quem são. O Senhor sabe. Ele vos recompense).

Este reconhecimento é também dirigido a todas as outras pessoas do arciprestado de Sta Comba Dão que hoje, como à vinte e cinco anos, se quiseram associar, partilhar e aumentar a nossa alegria.

Como normalmente acontece, também eu me regozijo pelas características e valores da nossa terra. De entre os seus valores destaco o espírito de fraternidade e união, bem sintetizado nas palavras daquele que podemos considerar o nosso hino: “A união faz a força, todos a uma para vencer”.

Permiti, agora, que vos apresente outro motivo de orgulho, duas pessoas: o padre Cordeiro, grande liturgista de acção a nível nacional e com vasta obra publicada, sacerdote estimado na diocese de Évora, onde exerce o seu ministério

e o padre João Luís, cuja missa nova aqui celebrámos, com grande entusiasmo, há um ano atrás, um dos sacerdotes mais novos da nossa diocese, onde se destaca pelo seu coração grande, pela sua alegria e reconhecida generosidade de acção.

A eles o meu obrigado pelo exemplo que me dão.

Estou grato por toda a estima, colaboração e benevolência que recebi de todos os paroquianos e outras pessoas com quem trabalhei no decorrer destes anos (vejo muitos no meio desta assembleia. Deus vos pague).

Menção especial merecem também, nesta hora, todos aqueles que, nos tempos que correm, fazem o favor de me suportar com caridade; concretamente, o Pe António Jorge e os seminaristas do Seminário Menor, a Ordem Terceira do Carmo e os secretariados diocesanos da pastoral da Família e da pastoral Penitenciária.

Enfim, agradeço a amizade, compreensão e oração de cada um de vós. Acima de tudo, estou reconhecido pelo facto de poder viver e partilhar a fé convosco, na esperança que Cristo se torne cada vez mais tudo para nós e para todos.

O que mais desejo para mim, a meta que gostaria de alcançar, parafraseando S. João Baptista, nosso padroeiro, é que “Ele (Jesus) cresça e eu diminua” (Jo 3, 30).

Bem-hajam.

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25.º Aniversário de Sacerdócio de JOSÉ FRANCISCO PAIS DA MOTA

(Poema lido por uma criança na Missa)

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Dezanove de Maio de 1985!

Uma data a recordar,

de Reriz até Viseu

a Família de Deus amar.

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Que data tão bonita

vamos hoje celebrar!

Dificuldades sentiste

na vinha de Deus vais trabalhar!

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Desde criança ouviste

o nosso Deus a sussurrar:

- “Não olhes para trás,

mas vai os homens guiar!”

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Humilde família, a tua

que sempre, na fé, te educou.

Amar a Deus e a Igreja

para isso Deus te chamou!

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Vivendo no Seminário

os seus estudos concluiu,

ouvindo a voz de Deus,

na fé, em Cristo, investiu!

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Celebrar a Eucaristia,

Que alegria sem igual!

Comemorar vinte e cinco anos

neste Ano Sacerdotal!

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Neste dia tão especial

as Bodas de Prata celebramos.

Um grande beijinho de todos nós,

que passem mais vinte e cinco anos!

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São Joaninho, 6Jun2010

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BREVE APRESENTAÇÃO

DSCF2135.jpgNascido em São Joaninho, no dia 21 de Novembro de 1960, mas com registo de nascimento a 24 de Novembro, Pe. José Francisco Pais Mota, filho de José Borges da Mota e de Maria Justina Pais Ribeiro, é o mais novo de quatro irmãos (dois rapazes e duas raparigas).

Fez a escola primária em São Joaninho e depois prosseguiu os estudos nos Seminários de Fornos de Algodres e Viseu.

Hoje, passados todos estes anos, não tem dúvidas de que voltaria a tomar a mesma decisão de ser padre, “com renovado entusiasmo”, e aconselha todos os jovens cristãos a que não coloquem de lado a hipótese de uma vocação consagrada, como o sacerdócio ou a vida religiosa.

Em relação a esse conselho, sublinha: “Deus, o criador de todo o universo e de toda a beleza, sabe como encher de sentido a existência daqueles e daquelas que a Ele dedicaram as suas vidas. Vale a pena abrirem-se a esta possibilidade”.

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